Amamentação e trabalho: descubra o papel da empresa nesse contexto

11 de abril de 2022

A relação entre amamentação e trabalho nem sempre é abordada da melhor forma. As empresas ainda têm preconceitos, discriminação ou incompreensão das leis, dificultando o dia a dia e a carreira das funcionárias. Para alterar esse cenário, é preciso se informar e investir na saúde.

Quando seu papel é cumprido, o negócio se destaca no mercado e ainda favorece a vida, contribuindo para o bem-estar social. Se você quer compreender as normas e conferir nossas dicas, é só continuar a leitura!

Quais são os direitos envolvendo amamentação e trabalho?

Os direitos na fase da amamentação são protegidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). O artigo 396 garante, diariamente, dois intervalos de meia hora, para que a mulher possa amamentar ou fazer a extração do leite. Nesse período, ela pode ir até a criança, receber o filho na empresa ou apenas armazenar o conteúdo. A escolha é acordada com o RH, considerando as necessidades e a viabilidade de cada situação.

Caso opte pela extração, a mulher tem o direito de guardar o leite na empresa, que deve dar as condições adequadas para a sua conservação. Os intervalos não interferem em sua jornada de trabalho, seu salário ou seus horários recorrentes de descanso, que devem ser preservados e respeitados. Para comprovar que tudo está dentro das normas, o registro de ponto é essencial. A profissional que não tirar os intervalos pode sair uma hora mais cedo, sem sofrer qualquer prejuízo.

Tais direitos são garantidos pelos primeiros seis meses de vida da criança, nos quais é indicada a amamentação exclusivamente materna (AME). Caso haja alguma demanda médica, o prazo pode ser estendido com a apresentação de um atestado. O consumo do leite materno, porém, ainda é importante até cerca dos dois anos. Assim, a empresa pode negociar com a funcionária uma forma de auxiliá-la.

Vale destacar que todas essas normas são válidas mesmo em casos de adoção ou quando a mãe não produz leite. Amamentar, nesse cenário, está além do seu sentido literal, pois envolve o emocional, o contato e o afeto na hora de alimentar o bebê, seja qual for a via utilizada.

Qual é o papel da empresa na relação entre amamentação e trabalho?

A amamentação tem um papel muito importante na saúde da mãe e do bebê. Ela promove o desenvolvimento saudável da criança, previne doenças crônicas, doenças infecciosas e, no caso da mãe, previne contra o câncer de mama. A falta de informação, de condições e de cuidados adequados é um risco para a vida, sendo uma responsabilidade social fornecer apoio e suporte.

O momento já é complexo por si só. As mulheres enfrentam vários desafios, como não ter uma boa rede de apoio e não encontrar creches de qualidade. Além disso, ainda há muito preconceito e abandono no local de trabalho. As profissionais são desprezadas e ofendidas, complicando o seu retorno ou reinserção no mercado. Assim, cria-se um cenário de vulnerabilidade e risco, que deve ser combatido para preservar a vida e os direitos humanos.

A empresa deve garantir o respeito e condições adequadas. Ela deve prezar pelo bem-estar e pela qualidade de vida, eliminando qualquer ação discriminatória, como a demissão durante ou após a gravidez. Ao se mostrar comprometido com a saúde, um negócio não apenas cumpre o seu papel na comunidade, como também promove sua imagem, ganha em engajamento, atração e retenção de talentos.

O que a empresa pode fazer para garantir a qualidade de vida na amamentação?

A empresa tem um compromisso com a qualidade de vida de todos os funcionários. Ela deve promover a saúde, a ergonomia e se atentar a questões como transtornos emocionais no trabalho. No caso da amamentação, há alguns direitos que devem ser garantidos, além de benefícios que são de grande ajuda. Confira algumas dicas!

Forneça um local apropriado

É direito da mulher ter um local adequado para a extração de leite. Ela precisa de privacidade e higiene, sem riscos de exposição para terceiros ou para infecções. Assim, a empresa pode fornecer uma sala apropriada para essa ação, onde a mãe também poderá receber seu filho, se for o caso. Esse local pode ter uma pia e recursos para ajudar, mas não deve ser o próprio banheiro, para evitar qualquer risco.

A empresa deve fornecer um local para armazenar o leite, de forma a conservá-lo nas condições necessárias. Os funcionários devem ser orientados corretamente, para não danificar o conteúdo. Em caso de grandes negócios, é interessante, inclusive, ter uma creche, que facilita o contato e o dia a dia da profissional.

Invista em conscientização e informação

É preciso ter políticas que combatam o preconceito, construindo valores firmes e ações de conscientização. É importante se atentar, inclusive, às questões de diversidade que também são discriminadas, muitas vezes agravando os desafios das mães. Uma mulher negra ou com uma deficiência, por exemplo, pode enfrentar ainda mais problemas com os colegas, se o negócio não tiver uma boa cultura interna.

Para além disso, é importante ajudar as próprias mulheres a se informarem, promovendo conhecimentos sobre os riscos e os cuidados nessa fase. Você pode convidar especialistas e ter palestras sobre o assunto, ou mesmo contar com um profissional na empresa para dar orientações.

Promova a saúde mental e física

Como já explicamos, investir na saúde da equipe é sempre importante. Assim, a empresa deve investir em ações como o tratamento para a Síndrome de Burnout, por exemplo. No caso das novas mães, é interessante criar grupos de apoio, coletivos que se ajudam e acolhem, e fornecer um bom plano de saúde, que atenda tanto à mulher quanto à criança.

Você ainda pode investir no trabalho de um nutricionista, que contribui inclusive para a relação entre alimentação e produtividade. Com essas medidas, a empresa demonstra apoio e se mostra humanizada. 

Agora você conhece a relação da amamentação e trabalho. Esperamos que tenha gostado das nossas dicas, para fazer o melhor uso no seu negócio.

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