Como o atendimento ambulatorial se relaciona com a APS?

28 de fevereiro de 2022

Quando trabalhamos com gestão em saúde, é natural nos depararmos com alguns termos que podem parecer completamente dissociados: Atenção Primária à Saúde (APS), atendimento ambulatorial, interconsultas, homecare… Você sabe a diferença entre eles e como esses termos se relacionam, na prática?

Neste artigo, focaremos em duas das áreas mais frequentes na assistência médica: a APS e o atendimento ambulatorial. Enquanto uma foca na resolução de queixas, a outra é mais abrangente e busca tanto o tratamento quanto a prevenção de doenças. Apesar de suas diferenças, veremos que elas são complementares e se comunicam com frequência.

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Como o atendimento ambulatorial funciona?

Para entendermos o conceito de atendimento ambulatorial, precisamos compreender os níveis de atenção à saúde: de acordo com a Secretaria de Saúde do estado de Minas Gerais, podemos dividir essa atenção em primária, secundária e terciária.

A APS, que já mencionamos, lida com casos de baixa complexidade, incluindo, também, a prevenção e a promoção da saúde. Nesse nível, há um grande foco no incentivo à qualidade de vida dos pacientes, de forma a evitar a progressão de doenças e “filtrar” os casos para os níveis superiores.

Esse filtro é utilizado principalmente no SUS, onde a APS é considerada a porta de entrada do sistema. Na saúde suplementar, no entanto, é mais comum que os pacientes tenham acesso diretamente aos especialistas, sem passar pela atenção primária. É o caso, por exemplo, de um paciente hipertenso que busca diretamente um cardiologista para guiar seu tratamento.

A atenção secundária compreende um nível intermediário, que não requer internação hospitalar ou tecnologias de grande porte — esses últimos sendo incluídos na atenção terciária. É na atenção secundária que se encontra o atendimento ambulatorial, com a maioria dos especialistas que atendem em consultório ou que realizam pequenos procedimentos e exames.

Sempre que um paciente busca um médico especialista ou realiza um exame comum (como uma ultrassonografia), dizemos que ele está sendo atendido ambulatorialmente. Além desse atendimento, a atenção secundária também abrange os atendimentos de urgência e emergência.

Quais são os procedimentos esperados em um atendimento ambulatorial?

O objetivo principal do atendimento ambulatorial é resolver as queixas dos pacientes. É de praxe, portanto, que ele siga uma linha lógica, em que o paciente procure o médico com algum sintoma e seja examinado ou tratado.

Na maioria das vezes, os casos que chegam à atenção secundária são resolvidos na própria atenção secundária. Podemos exemplificar com pacientes asmáticos, que procuram um pneumologista, ajustam a medicação e controlam seus sintomas.

Aqueles casos que demandam intervenções mais drásticas, como as cirúrgicas, deixam de ser considerados atendimentos ambulatoriais e são encaminhados para a atenção terciária. Por esse motivo, cada vez mais os atendimentos ambulatoriais têm aderido à telemedicina, que consegue obter a mesma resolubilidade e vencer barreiras geográficas.

Como o atendimento ambulatorial se relaciona com a Atenção Primária à Saúde?

Se, por um lado, pacientes podem migrar do atendimento ambulatorial para a atenção terciária, o mesmo pode acontecer para a APS — e vice-versa. Chamamos de “referência” quando um paciente é encaminhado da APS para a atenção secundária, e “contrarreferência” quando ele toma o caminho oposto.

Cada vez mais os planos de saúde têm se espelhado no sistema público e adotado a APS como centralizadora do atendimento. Isso ocorre porque, no baixo nível de complexidade, cerca de 85% das demandas de saúde podem ser supridas. Além de ser fundamentalmente mais barata, a APS também enxuga os gastos por meio da prevenção de doenças e suas complicações.

Alguns casos escapam da possibilidade de resolução da APS e requerem o atendimento ambulatorial. Daí vem a necessidade de um relacionamento estreito e eficaz entre a APS e a atenção secundária.

Imagine, por exemplo, um caso de diabetes mellitus que evolui com complicações, como a insuficiência renal. Em um sistema centrado na APS, o médico realiza o encaminhamento do paciente ao nefrologista, que será o responsável por administrar a função renal do paciente. Alguns medicamentos podem ser trocados, substituídos ou adicionados.

Quando esse mesmo paciente retorna à APS, pode haver um engano e ele ser indicado a voltar para a prescrição anterior. Esse risco é ainda maior se não houver um sistema integrado de referência e contrarreferência, em que ambos os médicos dialogam estreitamente.

Além disso, a própria assistência ambulatorial pode ser prejudicada com uma referência ineficaz. Em casos acompanhados por anos, o histórico médico pode ser fundamental e trazer informações úteis à assistência. Nessas situações, não basta um simples encaminhamento para que o médico da atenção secundária compreenda o caso clínico por completo.

Hoje, felizmente, contamos com a saúde digital para integrar a APS ao atendimento ambulatorial. Em muitos casos, os prontuários são construídos em conjunto e os médicos dialogam com mais velocidade e fluidez. Além disso, as consultas online possibilitam encaminhamentos mais resolutivos e ágeis.

Qual é a importância do atendimento humanizado ambulatorial?

Como mencionamos, o padrão do atendimento ambulatorial é a resolução de problemas. Diferentemente da APS, há menos foco na geração de vínculo e no atendimento humanizado — mas isso não precisa ser assim.

Cada vez mais compreendemos que a atenção secundária também deve ter um foco centrado no paciente, e não na doença. Isso aumenta taxas de adesão ao tratamento, reduz o absenteísmo e auxilia no movimento de referência e contrarreferência.

Caso o atendimento não seja humanizado, existe o risco de o paciente abandonar o tratamento e prejudicar, inclusive, a atenção primária. Daí vem a necessidade de um planejamento em saúde que seja focado na experiência do paciente.

O atendimento ambulatorial não é indissociável de outros níveis de atenção à saúde, incluindo a APS. Nesse contexto, buscar alternativas que ajudem a integrar os serviços assistenciais se tornou não apenas um diferencial nas empresas, mas uma obrigação.

Caso você queira levar seu atendimento ambulatorial a um novo patamar, podemos ajudar. A Sharecare é uma empresa norte-americana multinacional, que atua em todo o globo fornecendo soluções de saúde. Entre alguns de nossos serviços está o atendimento online, que fornece toda a integração e agilidade necessárias.

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