Atividade física: a pandemia nos deixou mais sedentários nesse período?

6 de julho de 2022

A pandemia da COVID-19 trouxe uma série de mudanças bruscas para a rotina. As pessoas foram obrigadas a passar mais tempo em casa, aderindo ao trabalho remoto e alterando os seus momentos de lazer. Diante desse cenário tão novo e conturbado emocionalmente, a prática de atividade física foi reduzida.

O home office contribuiu para que ficássemos mais sedentários, já que eliminou até mesmo o deslocamento para o trabalho. Essa realidade, porém, pode ter sérias consequências para a saúde, sendo importante se adaptar e retornar aos exercícios. Neste artigo, vamos mostrar os prejuízos causados pelo sedentarismo e a importância de transformar o nosso estilo de vida. Continue a leitura e saiba mais!

Como ficou a prática de atividade física durante a pandemia?

Em 2021, foi realizado um estudo internacional sobre a prática de atividade física na pandemia, com pesquisadores de 13 universidades distintas. A representante do Brasil foi a UNICID (Universidade da Cidade de São Paulo), que coletou dados sobre os hábitos relativos aos exercícios físicos no país. 

Os resultados apontaram que, ao redor do mundo, as atividades moderadas a vigorosas reduziram cerca de 41%, sendo que 66.8% dos participantes não mantiveram os seus níveis de prática anteriores à COVID-19. Isso pode ser explicado, entre outros pontos, pelos impactos emocionais do cenário vivido e pela dificuldade de adaptação no espaço doméstico. 

As atividades físicas, porém, não são aliadas apenas da saúde do corpo: elas contribuem para o bem-estar mental e para a saúde psicológica, sendo um importante incentivo à qualidade de vida como um todo. É preciso, portanto, estar alerta para a necessidade de sua prática e para a sua inclusão no dia a dia, que pode ser realizada em diferentes circunstâncias e ambientes. A seguir, apresentamos as consequências da falta de exercícios.

Quais são os impactos a curto, médio e longo prazo da falta de atividade física?

O sedentarismo não é apenas a ausência completa de atividades físicas, mas a falta dessa prática na medida adequada para o organismo. Assim, mesmo quem se exercita nos fins de semana ou sem muita regularidade pode ser considerado sedentário, expondo-se a prejuízos de curto, médio e longo prazo. 

Os efeitos da falta de exercícios não são tão perceptíveis em um curto intervalo de tempo: vários dos quadros são silenciosos, revelando-se apenas quando os casos já estão mais graves. Dessa maneira, quem interrompeu as atividades na pandemia pode ainda não ter percebido uma consequência, o que não reduz a seriedade da situação e a importância de retomá-las. Confira os principais riscos do sedentarismo!

Aumento de peso

As atividades físicas aceleram o metabolismo e estimulam a queima de calorias. Quando isso não acontece, o percentual de gordura aumenta. Especialmente quando não há uma boa alimentação existe risco de desenvolver um quadro de obesidade. O excesso de gordura dificulta a circulação sanguínea e causa diversos problemas, incluindo a hipertensão e ocorrência de doenças cardiovasculares. Explicaremos esses detalhes nos próximos tópicos.

Menor condicionamento físico

O condicionamento físico inclui a capacidade para atividades motoras, o equilíbrio, a força muscular, a potência e a resistência do sistema cardiovascular. Quando praticamos exercícios adequadamente, essa condição é otimizada. 

Quando isso não ocorre, porém, temos menos energia e uma propensão maior a dores no dia a dia. Além disso, a sensação de fadiga ou o cansaço frequente, sem um motivo aparente, também são sinais de um mau condicionamento.

Problemas cardiovasculares

A falta de movimento de forma adequada aumenta o colesterol e a gordura no organismo, como já comentamos. Isso dificulta as funções do coração e leva a um maior desgaste para o bombeamento do sangue. Ampliam-se, portanto, as chances de enfermidades, dores e inflamações.

O corpo não se acostuma a fazer esforços. Assim, qualquer movimentação a mais gera um cansaço maior, podendo, inclusive, desencadear um infarto em casos mais avançados. Quando a circulação sanguínea é prejudicada, há ainda o risco de derrames, tromboses e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Baixa imunidade

A falta de exercícios leva à queda de defesas do organismo, enquanto as atividades físicas estimulam a produção de células do sistema imunológico. Assim, exercitar-se é importante até mesmo para se proteger contra a COVID-19, já que uma boa imunidade é essencial para não ser tão afetado pela condição, caso a doença seja contraída.

Hipertensão

A hipertensão arterial ocorre quando o sangue faz, de maneira recorrente, muita pressão na parede das artérias. Isso dificulta a circulação e amplia as chances de derrames, problemas cardiovasculares, insuficiência renal e problemas de visão, por exemplo. As atividades aeróbicas, como correr, nadar ou caminhar, ajudam a controlar essa pressão e a otimizar o fluxo sanguíneo, sendo uma ótima forma de prevenção da hipertensão.

Os exercícios contribuem, inclusive, para a produção de óxido nítrico na parte interna das artérias. Essa substância ajuda a relaxá-las para que o sangue flua com mais facilidade.

Diabetes

O excesso de gordura e colesterol no sangue prejudica a produção de insulina — ou torna o corpo mais resistente a tal substância. Assim, a glicose não é metabolizada de forma adequada e cresce a propensão a diabetes tipo 2, condição que também pode levar a infecções, derrames, cegueira, prejuízos nos rins, no coração e no sistema respiratório.

Como retomar a prática de atividade física?

A prática de atividades físicas exige cuidados específicos para cada indivíduo. É preciso observar as recomendações por faixa etária, por exemplo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta, para crianças e adolescentes, exercícios moderados a vigorosos por 60 minutos diários. Já para adultos (acima de 18 anos), são indicados 300 minutos de prática semanal ou 150 minutos de atividades intensas.

Além das recomendações gerais, porém, é preciso atentar às características individuais. A necessidade e os limites de cada pessoa podem ser diferentes, sendo importante se consultar com um profissional antes de retomar a prática. É necessário investigar a existência de problemas de saúde e se há algum tipo de restrição, mesmo que aparentemente tudo esteja bem. Com esse cuidado, será possível escolher os exercícios e o ritmo mais adequados.

Retomar a atividade física faz toda a diferença para a saúde e para o bem-estar. Além de todos os benefícios para o corpo, há a liberação de hormônios do prazer, por exemplo, o que contribui até mesmo para lidar com os efeitos deixados pela pandemia, como a ansiedade na quarentena.

Esperamos que tenha gostado do conteúdo. Para saber mais sobre o assunto, confira o nosso artigo com maiores informações sobre o sedentarismo!