Saiba o que é o câncer ocupacional e como prevenir

16 de março de 2022

No ambiente de trabalho, os colaboradores estão expostos a vários riscos e agentes que podem prejudicar a saúde. Entre as doenças ocupacionais mais comuns estão a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), o estresse, os transtornos auditivos e, mais recentemente, a COVID-19. A exposição a determinados agentes também podem causar o câncer ocupacional a médio ou longo prazo.

Menos citado entre as doenças ocupacionais mais comuns, o câncer pode ocorrer anos após interrompida a exposição ao fator de risco. Estabelecer o nexo causal e caracterizá-lo como ocupacional nem sempre é fácil. Neste artigo, vamos discutir o que é o câncer ocupacional, suas principais causas e os modos de prevenção. Acompanhe!

O que é câncer ocupacional?

 Câncer é uma doença multifatorial, pois depende da interação de agentes ambientais, hábitos de vida e fatores genéticos. O câncer ocupacional é aquele que se origina da exposição no ambiente de trabalho a agentes carcinogênicos. Há vários tipos de câncer que podem estar associados à ocupação do indivíduo. Os mais incidentes são os de pele, laringe, pulmão, mama, fígado, próstata, bexiga, cérebro e a leucemia.

Por se tratar de um processo complexo, o câncer pode levar alguns anos para se desenvolver. No caso do câncer ocupacional, o indivíduo pode estar até mesmo aposentado quando receber o diagnóstico. Muitas vezes, isso dificulta a associação da doença aos fatores laborais.

Do ponto de vista médico, a origem ocupacional não se distingue das demais — as características da doença serão as mesmas —, mas no âmbito previdenciário, determinar em que medida o ambiente de trabalho pode ter contribuído para a doença é fundamental.

Além disso, preservar a saúde dos colaboradores é uma obrigação do empregador, que precisa saber quais são os fatores de risco presentes na empresa e atuar sobre eles.

O que pode causar o câncer ocupacional?

São vários os agentes carcinogênicos presentes no ambiente de trabalho. Eles dependem da atividade da empresa, dos métodos de produção e da carga de produção da empresa. A atuação sobre a saúde do trabalhador depende, também, dos níveis e do tempo de exposição.

Os agentes carcinogênicos podem ser substâncias químicas, material particulado, radiações ionizantes ou não, radiação ultravioleta e micro-organismos. A exposição a esses agentes pode ocorrer pela respiração, pelo contato com a pele ou os olhos, e por ingestão acidental.

Listamos, abaixo, alguns dos agentes mais comuns e os tipos de câncer a eles relacionados.

  • Pele: radiação ionizante (UV, raios X e gama), óleos minerais (industriais), óleo de xisto, fuligem, arsênico e seus compostos, subprodutos da destilação de petróleo e piche de carvão.
  • Laringe: ácidos fortes, amianto, subprodutos formados durante a produção da borracha e compostos de enxofre.
  • Pulmão: produção de carvão e coque, produção de borracha, agrotóxicos, vapores de metais (como ferro, alumínio e aço), material particulado (mineração de hematita, asbestos, sílica cristalina, emissão de motores a diesel e fuligem), arsênico, berílio, cádmio, cromo e níquel (ou seus compostos), raios X e gama.
  • Mama: óxido de etileno, raios X e gama.
  • Próstata: agrotóxicos, produção de borracha, arsênico e cádmio (ou seus compostos), raios X e gama.
  • Fígado: agrotóxicos, arsênico e seus compostos, cloreto de vinila, tricloroetileno, raios X e gama, vírus da hepatite B e C (contaminação com sangue).
  • Bexiga: produção de alumínio e da borracha, arsênico e seus compostos, orto-toluidina, aminas aromáticas, raios X e gama.
  • Cérebro: raios X e gama.
  • Leucemia: produção de borracha, refinamento de petróleo, benzeno, formaldeído e radiação.

Atualmente, são conhecidos 179 agentes cancerígenos associados a 38 tipos de câncer ocupacional. Sabendo com quais produtos ou processos a empresa lida, resta gerenciar esses riscos o melhor possível.

Quais são as melhores práticas de prevenção do câncer ocupacional?

Na Segurança do Trabalho, existe uma hierarquia entre as medidas de controle de riscos. Cada um desses níveis é considerado mais eficaz que o próximo. As medidas mais efetivas são aquelas que eliminam ou restringem o agente na fonte. Seja por questões técnicas, seja por razões econômicas, muitas vezes essa não é uma opção viável.

O próximo nível objetiva conter o agente em uma área restrita, evitando que ele se espalhe por todo o ambiente. Essa contenção é obtida com equipamentos de proteção coletiva. Conforme o tipo de atividade exercido na empresa, a presença do agente é tão ampla que não há como restringi-lo. Nesses casos, resta “isolar” o colaborador. Esse é o primeiro e mais conhecido nível de proteção — a individual. Na prática, essa não é considerada a mais eficaz.

A seguir, damos algumas sugestões de práticas que garantem a menor exposição possível dos trabalhadores aos agentes carcinogênicos:

  • trabalhar com o SESMT e com a CIPA para a identificação, o monitoramento e a prevenção dos fatores de risco;
  • substituir agentes tóxicos por outros menos prejudiciais;
  • adequar os métodos de produção ou adotar novos processos para diminuir a liberação de gases tóxicos;
  • adequar as instalações físicas para que promovam mais ventilação, evitando a contaminação entre ambientes;
  • instalar exaustores que possibilitem a retirada de material particulado ou em aerossol do ambiente;
  • instalar filtros para evitar que esses agentes sejam liberados no meio ambiente externo à empresa;
  • fornecer EPIs adequados e aprovados pelo INMETRO a todos os trabalhadores expostos a riscos;
  • fazer campanhas de treinamento para o uso correto de EPIs.

Qual é a importância da assistência médica nesse contexto?

A assistência médica tem o papel de monitorar os prejuízos à saúde do trabalhador. Com exames periódicos, é possível monitorar o quanto o organismo já foi exposto aos agentes carcinogênicos e quais são os efeitos deletérios que estão se instalando, como exigido pela Norma Regulamentadora nº 7.

Além disso, o Ministério da Saúde, na Portaria n.º777, de abril de 2004, regulamenta a notificação por toda a rede de vigilância ligada ao SUS das condições que agravam a saúde do trabalhador. O rol das doenças monitoradas inclui o câncer ocupacional.

Outro papel da assistência médica é o de conscientizar o trabalhador sobre hábitos saudáveis de vida, como a prevenção do câncer de pele, deixar o tabagismo, controlar o peso ou adotar cuidados com a saúde do homem.

A prevenção do câncer ocupacional depende de vários atores. Se cada um cumprir a sua parte, é possível diminuir a incidência da doença. Para saber mais sobre esse e outros temas, acompanhe nosso LinkedIn!

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