Gestão de crônicos complexos: o que é e como fazer?

31 de janeiro de 2022

No século passado, experienciamos a chamada “transição epidemiológica” — ou seja, a substituição no topo da prevalência nosológica de doenças infecciosas por doenças crônicas. Já no início do século XXI (em especial na segunda década), vimos emergir um novo grupo, que traz desafios ainda maiores: o dos crônicos complexos.

Essa definição estabelece uma subdivisão entre os pacientes crônicos. De um lado, temos um grupo muito bem definido de pacientes com doenças controladas, que convivem e sobrevivem com sua condição. Com os crônicos complexos, no entanto, há uma série de novas camadas que devem ser levadas em consideração — daí a denominação de complexidade.

Neste post, explicaremos o que são os crônicos complexos, quais são os riscos de uma gestão ineficaz desses pacientes e como lidar com eles da melhor forma possível. Continue lendo para saber mais!

O que é gestão de crônicos complexos?

Convenhamos, os planos de saúde já estão, em sua maioria, acostumados a lidar com doentes crônicos. O manejo de doenças como a hipertensão arterial ou o diabetes mellitus já faz parte da rotina da maioria das operadoras (para não dizer todas). Nesse cenário, o rastreamento de doenças crônicas ganhou um destaque fundamental para o controle dessas patologias.

O controle dessas doenças, no entanto, não elimina um fato central na definição de doenças crônicas: a maioria delas está associada a outras doenças, o que é um fator de risco para complicações vasculares, neurológicas ou metabólicas. Por esse motivo, um percentual significativo de pacientes tem múltiplas comorbidades — que podem ou não estar controladas.

Não bastasse a coexistência de comorbidades crônicas, muitos desses pacientes ainda convivem com sequelas de complicações passadas. É o caso, por exemplo, de pacientes infartados ou com sequelas de acidentes cerebrais. Vale recordar que eles não deixam de ter a doença de base, mas adicionam a ela outro fator que aumenta sua complexidade.

A gestão de crônicos, portanto, visa administrar a saúde desses pacientes, evitar complicações futuras e, em muitos casos, incentivar a qualidade de vida. Cabe ressaltar ainda os pacientes com doenças terminais, em que o foco transita gradualmente da proposta de cura para os cuidados paliativos. Ter os dados sobre esses pacientes e saber lidar com eles compõem o pilar central da gestão de crônicos complexos.

Quais são os riscos da falta de gestão de crônicos complexos?

Se pacientes crônicos não complexos já estão em risco de complicações, esse risco cresce exponencialmente com o aumento da complexidade. É comum, por exemplo, verificarmos altas taxas de reinternação e complicações em pacientes considerados crônicos complexos. Embora isso seja muitas vezes inevitável, esse fenômeno é um reflexo direto da gestão ineficaz desses pacientes.

Além de oferecer uma assistência menos otimizada, essa falta aumenta os gastos do plano de saúde. Em muitos casos, crônicos complexos são “poli-invadidos” — ou seja, em uma mesma internação têm que passar por múltiplos procedimentos, como sessões de diálise ou intercorrências cardiorrespiratórias. Por isso, além de se hospitalizarem mais, os crônicos complexos gastam mais em cada internação.

Por fim, cabe lembrar que a redução de qualidade de vida desses pacientes impacta diretamente a visão da operadora. Caso sua gestão seja ineficaz, os planos de saúde que oferecerem um foco maior nesses pacientes (que só tendem a crescer em número) se sobressairão no mercado. Assim, está na hora de percebermos que a gestão de crônicos complexos não é um diferencial, e sim uma necessidade.

Como gerenciar corretamente os pacientes crônicos complexos?

O primeiro passo para a gestão de crônicos complexos é o seu mapeamento. Nessa fase, é fundamental que a operadora conte com um sistema integrado de prontuários e dados, conseguindo identificar esses pacientes. Além disso, é importante conhecer suas comorbidades e histórico de complicações e hospitalizações.

O segundo passo exige conhecimento técnico sobre o tema e pesquisa: é preciso saber quais intervenções são eficazes em determinados grupos de pacientes, visando a qualidade de vida, a redução de gastos e a progressão das comorbidades.

Em alguns casos, a intervenção em clusters de pacientes já amenizará o problema e reduzirá taxas de reinternação e agudizações. No entanto, devemos ter em mente que alguns pacientes fugirão dessa padronização e requererão uma atenção especial. Por isso, o último passo da gestão de crônicos complexos é a individualização do tratamento, contando com uma equipe multidisciplinar e um acompanhamento longitudinal.

Como a tecnologia deve ser aplicada para fazer a gestão de crônicos?

Como mencionamos no tópico anterior, a tecnologia é um sustentáculo para todas as fases da gestão de crônicos. Sem uma maneira de cruzar dados, encontrar pacientes complexos e organizá-los em grupos de intervenção, a gestão se torna lenta e ineficaz.

Por esse motivo, recomenda-se a digitalização dos processos da gestão o mais precocemente possível. Ela é útil não apenas na fase analítica — ou seja, para mapear e agrupar os casos crônicos —, mas também na aplicação de intervenções.

Alguns exemplos de como a tecnologia se alia a essas intervenções são os lembretes de consultas e exames: eles reduzem os índices de cancelamentos e de absenteísmo, ajudando a controlar as comorbidades dos pacientes. Quando falamos de crônicos complexos, esses lembretes podem ser cruciais para manter o tratamento em dia.

Além disso, a tecnologia auxilia no acompanhamento dos crônicos. Em estados de pós-alta ou para agendar exames de rastreamento, por exemplo, podemos utilizar softwares específicos para automatizar as tarefas.

É pensando nisso que a Sharecare tem um programa específico para doentes crônicos, que procura otimizar ainda mais os crônicos complexos. Somos uma empresa americana com alcance global, responsável por milhares de vidas em todo o globo.

Os crônicos complexos são uma classe de pacientes que fogem ao padrão dos demais doentes crônicos. Faz parte da gestão de crônicos complexos saber acompanhá-los, otimizar seu tratamento e melhorar sua qualidade de vida. Em um mercado que cada vez mais preza por essas características, realizar uma boa gestão se tornou uma obrigação das operadoras.

 Se você quer levar sua gestão de crônicos complexos a um novo patamar, por que não entra em contato com a Sharecare? Estamos prontos para atender você e ajudar no que for preciso!

Panorama sobre os custos da obesidade para o sistema de saúde brasileiro