Conheça os maiores desafios da desospitalização

13 de maio de 2022

A desospitalização deve ser um dos principais objetivos de todo médico e demais membros que integrem a gestão das operadoras de saúde. Afinal, não se trata apenas de uma questão logística ou de corte de custos, mas igualmente de um processo atrelado à humanização da saúde. Logo, também envolve a melhora da qualidade de vida dos usuários.

Por essas razões, a adoção de programas alinhados a uma desospitalização eficaz é mais do que bem-vinda nas empresas. Vejamos, por exemplo, um estudo realizado com 21.000 participantes revelou as sérias consequências do excesso de internação.

Nele, foi constatado que as chances de morbidade e mortalidade dos pacientes, por exemplo, aumentam em torno de 140%. Além disso, a estimativa foi de que as intercorrências hospitalares resultaram em US$ 108 milhões de custos extras para os 24 hospitais estudados.

Para as organizações, a ausência de um ou mais colaboradores do ambiente de trabalho pode gerar um prejuízo (não só financeiro) incalculável, já que alguns exercem funções estratégicas indispensáveis.

Neste artigo, apresentamos os maiores desafios da desospitalização e as orientações para superá-los. Acompanhe o conteúdo até o final e fique por dentro dos principais detalhes relacionados a esse tema!

Preocupação com o aumento dos custos

Um dos grandes desafios da medicina é a melhoria da eficiência financeira dos serviços. A questão em jogo aqui não é a lucratividade, e sim a sustentabilidade dos sistemas em médio e curto prazo.

A hospitalização é uma das principais fontes de gastos das operadoras de planos de saúde, uma vez que é necessário manter uma grande equipe por leito, além de todos os medicamentos e insumos. Por essa razão, as internações devem ser reservadas para os casos em que o tratamento mais intenso for realmente necessário, além de serem mantidas pelo menor tempo possível.

Atualmente, devido aos avanços da tecnologia e da telemedicina, muitos cuidados hospitalares já podem ser oferecidos de maneira remota. Alguns planos de saúde tendem a barrar essa decisão, pois ainda está muito presente a ideia de que os custos com equipamentos de home care são mais altos que os de internação. No entanto, na prática a situação não é bem essa.

Os transtornos derivados de uma internação podem levar a gastos elevados e a consequências importantes para os pacientes. Um exemplo é o estudo que mostrou que há uma chance 4,48 vezes maior de desenvolvimento de injúria renal aguda no ambiente hospitalar, a qual pode levar um paciente para diálise permanentemente.

Também é possível citar outros tipos de distúrbios que podem ocorrer durante internações, como a presença e atuação de bactérias multirresistentes.

Falta de apoio das operadoras de saúde

É compreensível que as operadoras de saúde tenham certo receio de desospitalizar os pacientes. Afinal, o indivíduo e os próprios familiares tendem a se sentirem mais seguros sob supervisão médica e durante 24 horas por dia. Além disso, existe o temor por parte dos hospitais de enfrentarem um embaraço judicial.

No entanto, esses dilemas podem ser contornados pela gestão com a elaboração de uma eficiente política de desospitalização. Para que seja bem-sucedida, ela deve se fundamentar em três princípios importantes. Acompanhe!

Medicina baseada em evidências

Nos últimos 30 anos, devido aos casos de infecções hospitalares e ao crescimento dos males decorrentes dos atos médicos (iatrogenia), surgiu uma preocupação com indicações mais precisas da necessidade de internação.

A política de desospitalização, portanto, deve ser baseada em evidências. É importante que toda a instituição seja orientada para ter atenção às principais guidelines de manejo de doenças. Nesse contexto, torna-se fundamental criar protocolos clínicos e garantir a adesão dos profissionais a eles.

Isso previne grande parte dos problemas de relacionamento com doentes e familiares e até mesmo de situações judiciais. Afinal, dessa forma, fica mais fácil comprovar que a opção pela desospitalização é tomada visando prioritariamente o bem-estar do paciente, e não a redução de custos, como pode-se pensar em um primeiro momento.

Decisão compartilhada

Como mencionado anteriormente, é comum que a família e o paciente fiquem inseguros com a opção pela desospitalização. Por isso, o recomendado é que essa decisão seja tomada de maneira compartilhada entre equipe multidisciplinar encarregada do tratamento, os familiares e o paciente em si.

É importante que os profissionais associados ao caso esclareçam todos os envolvidos sobre a necessidade e a pertinência de adotar tal protocolo. Com uma boa comunicação e tato, eles ampliam a relação de confiança, promovendo a aceitação e maior engajamento do paciente quanto à medida adotada.

Ao mesmo tempo, também é fundamental que seja esclarecida a responsabilidade com o cuidado residencial, já que é preciso seguir todas as prescrições para evitar reinternações ou complicações.

Tecnologia

Hoje em dia, há muitos equipamentos que permitem um suporte em residência, como respiradores, CPAPs etc. Mas a grande evolução virá a partir da utilização das análises de dados para ajudar na tomada de decisão e no monitoramento do paciente.

Atualmente, há serviços especializados na alta hospitalar. Eles ajudam na identificação dos indivíduos com maiores chances de inconvenientes e readmissões, além de proporcionarem um acompanhamento mais próximo mediante a implantação de certas medidas. Vamos abordá-las a partir de agora.

Plano de tratamento

Uma das ações mais relevantes consiste em assegurar que os cuidadores, familiares e pacientes compreendam a importância de executar todas as etapas contidas no plano de tratamento designado ao paciente.

De forma ampla, as pessoas que participarão (em alguma medida) do processo devem entender que, a partir da alta do hospital, o paciente inicia uma nova jornada de continuidade do tratamento em casa.

Também é fato que o planejamento deve se alinhar totalmente à montagem da infraestrutura necessária para receber o paciente de forma adequada em seu domicílio.

Com tudo pronto para que o indivíduo possa ser devidamente cuidado no conforto da sua casa, o plano concebido pela equipe multidisciplinar entra em ação logo em seguida.

O ideal é que, por meio de dispositivos eletrônicos, os cuidadores tenham, na palma da mão, cada passo que precisa ser concretizado. Uma vez no domicílio, tudo o que os profissionais precisam fazer é seguir a ordem dos procedimentos, de acordo com os intervalos previamente estabelecidos.

Isso vale para qualquer tipo de ação, ou seja, desde dar banho no paciente à administração de substâncias medicamentosas — via ingestão oral ou venal. Os trâmites mais delicados, é claro, também são indispensáveis.

Em certos casos, é necessário prestar atenção aos cuidados pós-cirúrgicos, por exemplo. Em outros, os cuidadores precisam remover e fazer novos curativos mais de uma vez, a fim de não comprometer o tempo previsto para a finalização da cicatrização. Isso também ajuda a evitar outras possíveis complicações.

Entre as demais medidas que podem ser requisitadas, estão a lavagem intestinal, a passagem de sonda destinada à alimentação e a substituição das bolsas de colostomia.

Como é possível imaginar, cada caso é um caso. Mas esses exemplos ajudam a ilustrar como o plano de tratamento pode se tornar mais ou menos complexo. Isso explica por que os encarregados de colocar o planejamento terapêutico em prática precisam ser bastante minuciosos.

De qualquer maneira, também vale destacar que, com um cronograma e sistema de checagem realizada em tempo real, os gestores podem acompanhar o cumprimento do plano de tratamento remotamente.

Acompanhamento dos quadros

A infraestrutura tecnológica também se mostra indispensável na detecção precoce de qualquer sintoma incomum ou inesperado. Monitorar a frequência cardíaca, nível de glicemia na corrente sanguínea e a pressão arterial costuma ser o básico.

Diante de algum sinal de agravamento, a empresa responsável pela desospitalização deve acionar seu protocolo de urgência ou emergência. Nesses momentos, é fundamental que o acompanhamento à distância seja impecável, ou seja, sem gargalos ou ruídos de comunicação entre médicos e demais membros da equipe multidisciplinar.

Na outra ponta do acompanhamento do quadro clínico, o objetivo é verificar o progresso da recuperação do paciente. À medida que o indivíduo exibe indícios de melhora contínuos, ele dá mais um passo importante à dispensa dos equipamentos instalados em sua casa.

Melhoria da percepção e autocuidado

Em termos de aprimoramento da percepção e autocuidado, é necessário orientar o paciente quanto à importância do autocuidado. Hoje em dia, ficar de olho nos sinais de mudança da própria saúde é simplificado pela utilização de relógios ou pulseiras digitais.

Com as funcionalidades de um aplicativo apropriado, o paciente ganha autonomia para ficar de olho em eventuais modificações manifestadas pelo seu organismo. Nesse caso, a verificação de alterações no ritmo do batimento do coração, por exemplo, como mencionamos, também é efetuada pela própria pessoa submetida aos cuidados especiais em domicílio.

Além disso, o papel do coaching preventivo também merece menção como estratégia de aperfeiçoamento da gestão de saúde. Por intermédio da orientação de especialistas, o indivíduo tira algumas dúvidas via mensagens ou contato telefônico e é incentivado regularmente a seguir o protocolo de tratamento.

Medicina personalizada

Finalmente, a customização de todos os aspectos levantados é determinante para o sucesso do tratamento proposto na casa do beneficiário. Para que ela aconteça, de fato, os cuidadores encaminhados à residência devem receber um relatório completo sobre a atual situação do paciente.

Basicamente, toda medicina personalizada deve se basear em inteligência preditiva, o que também a qualifica como preventiva, correto? Tudo começa lá atrás, quando o diagnóstico alcança um elevado grau de exatidão devido à coleta e tratamento de dados associados à saúde de cada paciente.

O ponto a se observar é que o uso dessa tecnologia permanece ao longo do período de aplicação da abordagem terapêutica. Entre outras coisas, isso significa que a presença de sistemas e dispositivos avançados antecipam possíveis problemas, como o agravamento do quadro clínico.

Afinal, quanto mais se sabe sobre o indivíduo, mais precisa é a projeção de eventuais complicações. Isso, naturalmente, agiliza as etapas de intervenção realizadas pelos especialistas requeridos em situações marcadas por maior ou menor gravidade.

No dia a dia, a personalização de todos os passos (desde o diagnóstico ao começo do tratamento) mantém as equipes, incluindo os cuidadores, em pleno estado de alerta. E isso só acontece porque todos sabem qual é a situação específica daquele paciente e quais são os encadeamentos mais prováveis, conforme a evidenciação de determinados sinais.

Ainda sobre esse aspecto, convém salientar que a riqueza dos dados coletados e analisados também facilita a busca de novas soluções, especificamente dedicadas a quadros mais delicados.

Falta de apoio da família do paciente

A visão do senso comum de que um paciente internado é sempre mais bem cuidado que em home care já está ultrapassada. Como mostramos ao longo deste artigo, entretanto, o processo exige planejamento e aplicação de uma metodologia efetiva.

Simultaneamente, é igualmente indispensável educar o paciente e a família, enfatizando os pontos positivos de não manter um doente internado por muito tempo. Sem dúvida, esse é o melhor caminho para ganhar o apoio das partes que mais importam em um tratamento.

Com ações de engajamento e a seleção de informações concisas e úteis, é possível mostrar os benefícios da desospitalização e instruir as pessoas envolvidas quanto às melhores práticas de cuidados na residência.

Necessidade de infraestrutura

A estrutura de home care pode, em alguns casos, ser bastante extensa. Portanto, é fundamental repensar as políticas vinculadas aos agentes que compõem a saúde complementar. Na falta de uma infraestrutura própria, as operadoras do setor precisam encontrar soluções, como a terceirização de serviços.

De toda forma, é necessário ter em mente que, mesmo com a necessidade de se fazer um investimento dessa envergadura, o retorno de longo prazo é positivo tanto para os pacientes quanto para as instituições . Afinal, do ponto de vista financeiro, o prejuízo relacionado à ocupação de um leito hospitalar por um doente em situação estável é considerável.

Para concluir, não podemos deixar de enfatizar a responsabilidade de um processo de desospitalização. Nesse sentido, o ideal, além de fazer a educação de todas as partes, é contar com um serviço de atendimento médico por telefone.

Ao receber uma ligação, a equipe deve estar preparada tanto para prestar orientações em casos de dúvidas como para agilizar procedimentos em casos de complicações.

Como podemos observar, as etapas vinculadas à desospitalização exibem diversos desafios. Se superados, entretanto, todos os envolvidos só têm a ganhar com a implementação desse processo.

O sucesso da desospitalização começa com a consciência de que o home care não se resume à transferência total dos cuidados. Na verdade, trata-se mais de um compartilhamento da atenção à saúde.

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