Tudo o que você precisa saber sobre saúde e segurança do trabalho

3 de março de 2022

ergonomia na área da saúde

Oferecer saúde e segurança no trabalho é essencial para o desenvolvimento de uma empresa, já que isso impacta diretamente a qualidade de vida, a saúde e a produtividade dos colaboradores. Quando falamos em segurança no ambiente de trabalho, a ergonomia — que busca entender e melhorar a relação do homem com o trabalho — sempre vem à tona.

Regulamentada pela NR 17 do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), ela é essencial no ambiente empresarial, garantindo benefícios para o empregador e para o funcionário. Por isso, é importante conhecer sobre a ergonomia na área da saúde e da segurança no trabalho.

Mas como as empresas devem se adequar à norma? E quais práticas adotar para ajudar a prevenir doenças e acidentes de trabalho? Como a ergonomia pode impactar positivamente a produtividade e até mesmo a gestão financeira em saúde da empresa?

Para responder a essas e outras perguntas, preparamos um guia com tudo o que você precisa saber sobre a ergonomia. Confira!

O que é ergonomia?

A ergonomia é uma ciência que busca entender a relação do homem com as condições de trabalho, estabelecendo normas para melhorar esse relacionamento. Na prática, ela estuda o perfil da população e elabora medidas para reduzir os riscos, atuando tanto no ambiente (melhorando condições do espaço físico da empresa) quanto na organização dos processos.

Além disso, contribui para a relação entre o empregado e as normas de trabalho, cuidando da saúde psicológica do colaborador. Dessa forma, a ergonomia pode ser dividida em três áreas: ergonomia física, organizacional e cognitiva. Confira abaixo exemplos de cada uma.

Ergonomia física

Esse primeiro campo se preocupa com questões relacionadas ao espaço da empresa e à saúde física do colaborador. A área abrange desde a qualidade dos equipamentos utilizados até a postura corporal do empregado, dentro do campo de fisioterapia.

Alguns itens ligados à ergonomia física são:

  • ventilação e temperatura do ambiente;
  • iluminação;
  • condições sanitárias;
  • condições de trabalho durante o exercício da função (por exemplo, se há necessidade de adquirir equipamentos, como cadeiras ergonômicas ou suporte para computador);
  • sinalização interna adequada, saídas de emergência ou quadros de classificação de risco;
  • quantidade de ruído;
  • organização do ambiente;
  • tempo em que é necessário ficar de pé ou levantando peso excessivo;
  • disponibilidade e qualidade dos equipamentos.

Ergonomia organizacional

A ergonomia organizacional observa o modus operandi da instituição, com a intenção de melhorar os processos internos que podem oferecer riscos à saúde no trabalho. Podemos citar:

  • rotinas do trabalho informatizado — funcionário sentado a maior parte do tempo em frente a um computador, o que pode gerar dor nas costas, problemas de visão e até complicações mais graves;
  • trabalho exaustivo e/ou repetitivo — pode propiciar o desenvolvimento de lesões por esforço repetitivo (LER);
  • quantidade insuficiente de colaboradores ou alto volume de trabalho — colabora com a constituição de jornadas de trabalho muito exaustivas física e mentalmente;
  • falta de orientação ou despreparo em relação à segurança do trabalho — pode expor o funcionário ao perigo e, até mesmo, provocar acidentes.

Ergonomia cognitiva

A ergonomia cognitiva, por sua vez, observa aspectos relacionados às condições mentais do trabalhador. Dessa forma, busca adotar medidas de combate ao estresse e à ansiedade, que são comuns na vida moderna, interferem muito na produtividade e podem causar ou agravar diversos males.

Alguns exemplos de situações observadas nessa área da ergonomia são:

  • cobrança excessiva em relação ao tempo;
  • falta de treinamento;
  • ausência de abertura para o diálogo (funcionário não se sente à vontade para se comunicar com os líderes);
  • ambiente de trabalho hostil ou muito competitivo.

Como a ergonomia surgiu?

Desde a antiguidade, os seres humanos se preocupam com a adaptação das condições de trabalho às suas necessidades físicas. Um exemplo disso está em registros de ferramentas, como martelos pré-históricos com formatos que facilitavam o manuseio de acordo com as características anatômicas dos indivíduos.

Porém, o termo ergonomia — que deriva das palavras Ergos (trabalho) e Nomos (normas) — só foi empregado pela primeira vez em 1857, pelo cientista polonês Wojciech Jarstembowsky. Em um artigo sobre condições de trabalho, ele descreveu a ergonomia como uma ciência que requer o entendimento da atividade humana em termos de “esforço, pensamento, relacionamento e dedicação”.

Apesar dessa introdução, a ergonomia só foi considerada oficialmente uma ciência no século XX, quando o engenheiro inglês Kenneth Frank H. Murrell fundou a primeira sociedade do mundo dedicada a esse campo do conhecimento, a Ergonomic Research Society, em 1949.

De acordo com o pesquisador da área Hal W. Hendrick, existiram 4 fases da ergonomia como uma área de estudo oficial até os dias de hoje:

  • a ergonomia tradicional — com início na Segunda Guerra Mundial, tendo como objetivo conseguir melhorias nas condições mecânicas de trabalho na área militar e, depois, civil, levando-se em conta a interação homem-máquina;
  • a ergonomia do meio ambiente — em que se percebeu que agentes do meio (como ruídos, iluminação e temperatura) afetam a produtividade do homem. Então, tiveram início as preocupações com a adequação do ambiente às necessidades dos trabalhadores;
  • a ergonomia cognitiva — que surge junto à revolução cognitiva das ciências e o advento da tecnologia da informação, nos anos 1980, quando há um entendimento de que a psicologia se relaciona à fisiologia;
  • a macroergonomia — com início após a década de 1980, há uma mudança de perspectiva para aquela em que as condições de trabalho dependem do equilíbrio entre a tecnologia, a própria organização e o bem-estar das pessoas.

É nessa fase da macroergonomia que começam a existir mais esforços para garantir a relação saudável do homem com o seu trabalho em larga escala: desde a concepção de máquinas e equipamentos até a forma de execução de atividades diversas. A ideia é considerar a ergonomia física, organizacional e cognitiva.

No Brasil, as práticas relacionadas à ergonomia começaram a se tornar mais presentes a partir dessa época. Um dos marcos dessa preocupação é a fundação da Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) em 1983, uma entidade sem fins lucrativos que tem como principal objetivo o estudo, a prática e a divulgação de medidas para a redução de riscos ergonômicos.

O que a NR 17 determina?

A NR 17 é uma norma regulamentadora estabelecida pelo MTPS que determina uma série de diretrizes quanto à ergonomia. Ela é conhecida como Norma da Ergonomia e foi aprovada pela Portaria MTB nº 3.214/1978. Em linhas gerais, ela é aplicável a toda atividade laboral.

Assim como as outras NRs, o seguimento das diretrizes é fundamental para garantir o bem-estar, a segurança, a saúde e a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Para que você tenha uma ideia, segundo dados do Ministério da Saúde, doenças relacionadas a riscos ergonômicos tiveram um aumento de 184% entre os anos de 2007 e 2016.

Dessa forma, a NR 17 é de suma importância para empresas e trabalhadores. Veja algumas informações relevantes sobre a norma!

A análise ergonômica

O item 3 dispõe sobre a necessidade de realizar a avaliação das situações de trabalho, informando que fica a cargo do empregador realizar uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), avaliando as “características psicofisiológicas dos trabalhadores” e abordando as condições do local.

Além disso, a norma traz regras bastante técnicas para a redução de riscos ergonômicos, incluindo aspectos sobre:

  • a organização do trabalho;
  • o levantamento, transporte e descarga individual de cargas;
  • o mobiliário dos postos de trabalho;
  • as atividades com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais;
  • as condições de conforto no ambiente de trabalho.

Consequência do descumprimento

O descumprimento da NR 17 é prejudicial tanto para o empregador quanto para o funcionário. No caso do primeiro, a lei prevê que a empresa seja notificada, recebendo o prazo de até 60 dias para corrigir as irregularidades.

Em caso de não cumprimento da determinação, a companhia recebe uma multa. Se o problema persiste, ela tem que responder judicialmente. Já para o trabalhador, o não cumprimento da NR 17 gera até mesmo demissão por justa causa.

Por isso, é importante não apenas que a empresa cumpra as diretrizes da norma, mas também que implemente ações para mobilizar os trabalhadores em torno disso, especialmente quando não há supervisão direta. Um exemplo são os programas de conscientização sobre a importância da ergonomia no home office.

Além disso, é importante implementar estratégias mais amplas para promover o engajamento em torno de uma cultura organizacional mais voltada para o bem-estar, a vida saudável e o autocuidado.

Como fazer uma análise ergonômica na empresa?

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é um documento muito importante para a implantação de medidas para melhorar a ergonomia na área da saúde e do trabalho. Por meio dele, são identificadas todas as inadequações do ambiente de trabalho em relação às atividades que são desempenhadas pelos colaboradores.

Os parâmetros da AET estão definidos na NR 17, mas a norma não determina quais são os profissionais aptos a realizá-la. Em geral, porém, o documento é elaborado pelas equipes multidisciplinares de saúde e segurança no trabalho, preferencialmente por profissionais com especialização na área de ergonomia.

De acordo com a norma, a análise deve conter:

  • descrição das características dos postos de trabalho (mobiliário, ferramentas, espaço físico e condições de movimentação);
  • avaliação da organização do trabalho, incluindo o tempo alocado para tarefas, as variações diárias, semanais e mensais da carga de trabalho, a ocorrência de pausas entre ciclos produtivos, entre outros aspectos;
  • relatórios de satisfação no trabalho e clima organizacional;
  • registro de impressões e de sugestões dos trabalhadores em relação às condições de trabalho;
  • planos ergonômicos claros para corrigir as inadequações identificadas.

Ainda, a NR 17 indica que a avaliação ergonômica deve se integrar às medidas mais amplas de saúde e segurança do trabalho. Portanto, os riscos identificados na AET precisam estar associadas às ações e princípios do dos seguintes programas:

  • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA);
  • Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Quais são os riscos ergonômicos?

São considerados riscos ergonômicos todos os fatores que podem afetar a integridade física ou mental dos trabalhadores, provocando lesões, doenças ou desconfortos. Entre eles, estão:

  • esforço físico excessivo;
  • postura inadequada;
  • jornadas de trabalho prolongadas;
  • atividades monótonas e repetitivas;
  • controle rígido de produtividade;
  • situações de estresse.

Abaixo estão algumas das principais doenças ocupacionais relacionadas aos riscos ergonômicos não controlados.

Lesão por Esforço Repetitivo (LER)

A LER corresponde a problemas no sistema muscuesquelético relacionados ao trabalho. Dependendo da gravidade, pode até mesmo levar à aposentadoria por invalidez. E é importante ressaltar que a LER se estende para além do escritório. Trabalhadores industriais, que permanecem fazendo o mesmo movimento por muito tempo, também estão sujeitos a sofrer desse tipo de mal.

Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs)

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a sigla DORT foi introduzida para substituir a LER, já que os problemas muscuesqueléticos que surgem em função do trabalho nem sempre têm evidências de lesões. Geralmente, estão associados à má postura e ao trabalho repetitivo ou exaustivo. Essa categoria engloba complicações como tendinites e dor crônica nas costas (dorsalgia).

A dor nas costas, inclusive, é o principal motivo de afastamento no trabalho. E as perspectivas em relação a isso são preocupantes: a Organização Mundial da Saúde estima que 80% da população sofrerá com esse tipo de dor pelo menos uma vez ao longo da vida.

Doenças psicossociais

Silenciosas, as doenças psicossociais podem desencadear ansiedade e depressão, dois grandes problemas da contemporaneidade. Porém, além disso, a influência do estresse na saúde pode levar a problemas psicossomáticos, como desordens cardiovasculares e transtornos alimentares.

Costumam acontecer devido a ambientes de trabalho hostis, nos quais há alta demanda, cobrança excessiva, jornada exaustiva e/ou má gestão. As doenças psicossociais também são responsáveis por grande parte dos afastamentos e denotam ainda mais a importância da ergonomia no ambiente de trabalho.

Qual é a importância da ergonomia no trabalho?

Além de evitar problemas judiciais, adotar a ergonomia é essencial para a empresa no que se refere à produtividade e ao engajamento de seus colaboradores. Entenda abaixo os motivos.

Valorização do trabalho da equipe

Embora se fale muito da “postura profissional”, é difícil separar o produto do trabalho do indivíduo. A saúde do colaborador e o seu bem-estar emocional impactam diretamente a produtividade da empresa.

Dessa forma, quando a empresa investe no bem-estar do colaborador, ela demonstra que se importa com o indivíduo, e não apenas com o papel desempenhado por ele ou com os resultados alcançados.

Ou seja, aplicar a ergonomia no trabalho é uma forma de dizer ao empregado que a empresa se importa com ele. Essa relação saudável ajuda a promover um ambiente mais colaborativo e simplesmente torna as pessoas mais satisfeitas.

Prevenção de doenças ocupacionais

A ergonomia é a melhor forma de prevenir essas doenças e zelar pela saúde dos trabalhadores. Além das doenças ocupacionais mencionadas — que se referem especificamente aos riscos ergonômicos —, há também aquelas relacionadas aos outros riscos ambientais que prejudicam a relação saudável do indivíduo com o seu trabalho. Eles podem ser mecânicos, físicos, biológicos ou químicos.

Pensando na ergonomia na área da saúde e da segurança no trabalho de forma mais ampla, os cuidados preventivos ajudam a evitar males que surgem do contato do trabalhador com esses agentes nocivos. Um exemplo é a surdez, que pode acontecer mediante a exposição prolongada a um ambiente com muito barulho. Temos também a silicose, comum em fábricas de vidro e cerâmica.

Otimização dos custos em saúde

Ainda sobre a importância da ergonomia, podemos apontar o impacto econômico para as companhias. Hoje, já se sabe que os custos com saúde nas empresas perdem apenas para os valores da folha de pagamento. Nesse contexto, a ergonomia se mostra como uma importante estratégia de prevenção.

Ela ajuda, por exemplo, a diminuir a taxa de acionamento do plano de saúde, o que indiretamente reduz a taxa de sinistralidade dos planos. Assim, além de atuar na saúde e na prevenção de doenças ocupacionais, investir em ergonomia é uma maneira de manter a saúde financeira do negócio. A seguir, apresentamos mais algumas vantagens de investir em ergonomia no trabalho.

Quais são os benefícios da ergonomia para as empresas?

Além de melhorar a economia da empresa, a ergonomia traz diversos outros benefícios para o ambiente de trabalho. Confira abaixo quais são eles.

Melhora a qualidade de vida dos colaboradores

Em curto prazo, a melhora na qualidade de vida promovida pela ergonomia aumenta a produtividade e auxilia no clima organizacional. A longo prazo, ela é responsável por prevenir doenças e aumentar o tempo de atividade do trabalhador, reduzindo as chances de uma aposentadoria por invalidez.

Redução de absenteísmo

O absenteísmo consiste na ausência do funcionário, seja devido a faltas, atrasos ou saídas antecipadas. Ele está diretamente ligado à queda de produtividade e pode atrapalhar o fluxo de operações da empresa, abalando o clima organizacional e trazendo prejuízos financeiros. Quando há uma alta taxa de absenteísmo, a instituição deve acender um sinal de alerta e começar a investigar.

Nesse sentido, a ergonomia é benéfica porque atua propondo uma cultura de cuidado e qualidade de vida. A lógica é simples: se o funcionário se sente bem na empresa, e se percebe que os gestores atuam para propiciar um ambiente que minimize os problemas de saúde, ele naturalmente faltará menos.

Redução de atestados

A promoção da ergonomia está diretamente relacionada à redução do número de afastamentos médicos. Em geral, as causas mais comuns que levam à ausência no trabalho são doenças ocupacionais, doenças comuns — como gripes e resfriados —, assim como estresse e sobrecarga.

Em relação às doenças ocupacionais, além dos males citados, é bom lembrar que elas também podem desencadear uma série de outras consequências. Mesmo em curto prazo, um ambiente hostil pode contribuir para diminuir a imunidade, deixando o funcionário propenso a pegar gripes e resfriados.

A promoção de bem-estar e qualidade de vida, por meio de ações de ergonomia, previne o surgimento de doenças, minimizando os fatores de risco e aumentando a produtividade, como veremos adiante.

Como a ergonomia pode contribuir para aumentar a produtividade dos colaboradores?

Agora que você sabe a importância e os benefícios da ergonomia, entenda como ela pode ser útil para melhorar a produtividade da empresa.

Estimula um ambiente adequado

Um lugar sem organização, desconfortável ou repleto de conflitos desvia a atenção e impede que as pessoas se concentrem no que é realmente importante. Por isso, é fundamental que as empresas providenciem um ambiente adequado.

Isso é de suma importância para o bem-estar e impacta diretamente o rendimento do trabalho. Nesse sentido, a ergonomia estimula um ambiente onde o colaborador se sente seguro e confortável — por essa razão ela é tão importante para melhorar a produtividade.

Quanto à condição do espaço, algumas orientações ergonômicas são:

  • investir em cadeiras confortáveis, com assentos ajustáveis, sobretudo se o trabalho exigir que o colaborador fique sentado por um longo período;
  • adquirir suportes para computador ou notebook que permitam deixar o monitor na altura dos olhos, sem prejudicar a postura. Teclados via USB também ajudam a manter a postura ao digitar;
  • adotar o uso de Èquipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) quando for necessário.

Reduz o cansaço do colaborador

A produtividade está diretamente relacionada à disposição física e mental. Por isso, é papel da empresa respeitar a carga horária e agir para que os funcionários não se tornem pessoas doentes e com baixa saúde mental.

Estabelecer metas inalcançáveis, sobrecarregar o time e contar com um número insuficiente de colaboradores também pode gerar esgotamento e até desencadear quadros de ansiedade e depressão.

Nesse sentido, ao criar uma política de saúde e qualidade de vida, a ergonomia também contribui para o aumento da disposição do trabalhador. Isso melhora o rendimento da empresa, diminuindo erros, aumentando a produção e elevando a qualidade dos serviços prestados.

Uma boa opção complementar à ergonomia quando se trata do bem-estar emocional dos colaboradores é oferecer apoio por meio da linha de cuidado de saúde mental da Sharecare, que atua avaliando as condições emocionais da população, identificando a gravidade do quadro e oferecendo, de forma individualizada, apoio no enfrentamento do problema.

Instrui os funcionários a respeito das recomendações de saúde

A conscientização também é fundamental para melhorar a produtividade da empresa, pois quando os funcionários adotam no dia a dia recomendações de saúde e segurança no trabalho, eles reduzem os riscos e otimizam a efetividade do serviço.

Além disso, ao alterar os fatores ligados ao ambiente e ao comportamento individual dos colaboradores, a ergonomia também cria uma mentalidade de saúde e prevenção na empresa.

Isso significa que, em vez de esperar os problemas acontecerem e tratar suas consequências, os colaboradores estarão mais propensos a adotar medidas que previnam o surgimento da doença, aumentando o engajamento em ações de saúde promovidas pela empresa.

A medicina preventiva trata exatamente desse conceito. A especialidade se baseia no princípio de que o diagnóstico precoce aumenta a efetividade do tratamento e previne complicações, bem como na máxima de que “prevenir é o melhor remédio”. Dessa forma, essa modalidade médica foca seus esforços na qualidade de vida da população, identificando e minimizando fatores de risco.

Do ponto de vista econômico, a medicina preventiva é bastante vantajosa, pois reduz os gastos em saúde, diminuindo o uso do serviço de emergência e as complicações que podem surgir em um diagnóstico tardio.

Ainda em relação à produtividade, uma forma de avaliar quantitativamente o benefício da ergonomia é por meio do Employee Lifetime Value (ELTV). Na prática, ele mensura o quanto de “valor” o funcionário oferece à empresa em um determinado período e está diretamente ligado à produtividade da equipe.

Como implantar ações de ergonomia?

Agora que você viu como a ergonomia pode ajudar a aumentar a produtividade da empresa, confira abaixo como implementá-la!

Criação de comitê

A participação dos colaboradores em relação às práticas ergonômicas é essencial para a eficiência das ações. Sem o engajamento do público-alvo, por mais que a empresa invista em equipamentos, as ações de ergonomia simplesmente não funcionarão.

Desse modo, um dos objetivos do comitê, além de elaborar um plano de ação, é orientar a população empresarial quanto às práticas ergonômicas. A formação do comitê acontece primeiro com a eleição dos membros. Estes, funcionários da empresa, podem ser escolhidos independentemente da função que exercem. O ideal é que cada setor tenha um representante.

Depois acontece a capacitação, por meio de palestras, workshops e treinamentos. É importante que o comitê entenda aspectos como:

  • histórico, benefícios e importância da ergonomia na empresa;
  • norma regulamentadora NR 17;
  • doenças ocupacionais e por que elas acontecem;
  • fatores de risco das doenças ocupacionais, como posturas benéficas e maléficas.

Antes de dar início ao plano de ação, o comitê faz uma análise ergonômica do trabalho, estudando carências e identificando onde é preciso agir.

Vale ressaltar que a ergonomia é um campo bastante multidisciplinar, que engloba a interação entre profissionais da segurança do trabalho e de várias áreas da saúde. Por isso, mesmo com a capacitação do comitê, é importante identificar os pontos-chave e elaborar um plano de ação com a orientação de especialistas em ergonomia no trabalho.

Plano de ação

Adotar um plano de ação é o segundo passo para implementar melhorias no ambiente de trabalho. Nessa etapa, é estabelecido como e onde o comitê deve atuar, buscando melhorar as falhas identificadas durante a análise ergonômica.

O 5W3H é uma ferramenta administrativa que auxilia na construção de planos de ação. A metodologia consiste em elaborar uma tabela que mapeia as questões referentes à atividade que o gestor deseja adotar.

O nome, do inglês, significa uma série de perguntas: What, Why, Where, When, Who, How, How much e How many (respectivamente: o que, por que, onde, quando, quem, como, quanto, no sentido de custo, e quantos, no sentido de quantidade de elementos e periodicidade).

Na prática, para os planos de ação voltados à ergonomia, podemos aplicar o 5W3H respondendo às perguntas a seguir.

  • O que é a solução de ergonomia proposta? Qual carência exatamente ela busca solucionar?
  • Por que essa ação é uma boa ideia?
  • Onde a ação será implementada? Em qual setor da empresa?
  • Quando será implementada?
  • Quem será responsável pela implementação? Qual grupo está envolvido?
  • Como essa ação será colocada em prática?
  • Quanto custará para a empresa?
  • Quantos elementos estão envolvidos no processo? Por exemplo, quantas cadeiras deverão ser substituídas por assentos ergonômicos? Ou ainda, quantos profissionais de saúde estarão envolvidos nas ações? Com qual frequência?

No entanto, é importante destacar que apenas aplicar a ergonomia, mesmo dentro do plano de ação, não garante que as medidas sejam bem-sucedidas. Isso porque ações fragmentadas, que não estão dentro de um planejamento maior, não costumam surtir efeito.

Gestão de saúde

Para alcançar, de fato, uma política de saúde na empresa e melhorar a segurança do trabalho, é necessário investir em iniciativas integradas. As estratégias de gestão de saúde devem ser adequadas para a população-alvo — para isso, é necessário incorporar soluções que façam sentido em médio e longo prazo.

Por exemplo, a linha de cuidado de ortopedia, da Sharecare, promove cuidados para pessoas com dor nos ombros, joelhos e coluna vertebral a partir de uma visão integral, englobando fatores que vão além dos sintomas descritos pelo paciente. O programa busca unir o atendimento humanizado à tecnologia, oferecendo um cuidado muito além de apenas remediar o problema.

O número de colaboradores engajados também é um fator determinante para o sucesso das ações de ergonomia. Desse modo, incorporar soluções que zelem pelo bem-estar é o melhor caminho para obter a aprovação dos funcionários.

Nesse sentido, a Sharecare é uma excelente opção de parceira na implementação de ações de saúde. Assim, é possível incentivar a melhoria da qualidade de vida do trabalhador, eliminando fatores de risco, estimulando o autocuidado e dando suporte para que o colaborador alcance bem-estar dentro e fora da empresa.

É importante tratar de itens como:

  • controle de estresse e prevenção da depressão;
  • alimentação saudável;
  • prática de atividade física;
  • controle de peso;
  • prevenção de doenças crônicas.

Diante desta leitura, você entendeu o que é ergonomia e como ela tem uma importância central, tanto para o colaborador quanto para a empresa, não é? Vimos que os seus benefícios, como redução do absenteísmo e melhora na qualidade de vida, contribuem de forma positiva para a produtividade da empresa.

Além disso, a ergonomia se relaciona diretamente à gestão de saúde. Afinal, as condições físicas, organizacionais e cognitivas interferem na saúde física e mental dos trabalhadores. Assim, os cuidados com esse aspecto podem até mesmo ajudar a melhorar a sustentatibilidade operacional-financeira na gestão de saúde da empresa.

Você também aprendeu como implementar ações de ergonomia na área da saúde e da segurança no trabalho. A criação de um comitê e a análise ergonômica são etapas importantes, mas sozinhas não operam milagres. Para o sucesso da implementação, é necessário incorporar as ações iniciativas de gestão de saúde que integrem as estratégias.

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