Número de pessoas com diabetes tende a aumentar e operadoras de saúde precisam agir

3 de maio de 2022

A diabetes é uma doença que afeta a produção (ou a utilização) da insulina no corpo, hormônio responsável por controlar a quantidade de glicose no sangue. Segundo dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF), divulgados pelo Ministério da Saúde, 16,8 milhões de pessoas sofrem com esse mal no Brasil.

Esse número, considerando uma população de 212 milhões, indica que aproximadamente 8% dos brasileiros são acometidos pela diabetes. E a tendência é aumentar!

Ainda segundo dados da IDF, presentes na 10ª edição do Atlas da Diabetes, no Brasil, o número de casos aumentou em 61,8% entre os anos de 2008 e 2018. Para o futuro, a IDF estipulou que, até 2045 , haverá um aumento de 62% de casos na América Latina, alcançando a marca de 42 milhões de pessoas acometidas pela patologia.

Diante dessas perspectivas, as operadoras de planos de saúde precisam traçar planos para conter a situação e diminuir os gastos relacionados à saúde das pessoas com diabetes.

Pensando nisso, preparamos este texto para mostrar um panorama da diabetes no Brasil, falar quais são as perspectivas para o futuro e explicar como as operadoras de planos de saúde podem atuar para melhorar esse cenário. Confira!

Qual é o panorama da diabetes no Brasil?

O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking de países com o maior número de casos de diabetes, ficando atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, do total de 13 milhões de brasileiros que sofrem com a doença, estima-se que:

  • 7% sejam dependente de insulina;
  • 41% façam uso de medicamentos;
  • 29% apenas cuidem da saúde por meio de dieta;
  • 23% não fazem nenhum tipo de tratamento.

As perspectivas da doença no Brasil e na América Latina levantam um sinal de alerta para as instituições de saúde: a projeção realizada pela IDF, que estipulou um aumento de 62% dos casos nos países latinos em 25 anos, parece concordar com o levantamento feito pela OMS, que computou um aumento de 61,8% no número de casos entre 2008 e 2018.

Segundo um estudo feito pela Universidade Britânica King’s College London, os gastos relacionados à diabetes no Brasil, em 2015, foram em torno de US$ 57,7 bilhões. A perspectiva é um aumento de mais de 50% até o fim da década, em 2030. O cenário menos otimista projeta um total de US$ 123 bilhões. Já a IDF estipula que até 2045 os gastos aumentem em torno de 30%.

Sobre a mortalidade, o mesmo estudo realizado pela IDF revelou que, em 2017, 4 milhões de pessoas morreram devido à diabetes no mundo. Apenas na América Latina, a federação estipula que 11% de todas as mortes estejam relacionadas a diabetes. Dessas, aproximadamente 45% correspondem a pessoas jovens, com menos de 60 anos. Além disso, também é preciso levar em conta os casos não diagnosticados.

Por que a quantidade de pessoas com diabetes tende a aumentar?

A diabetes tipo 1, em geral, acontece devido a fatores genéticos e acomete principalmente crianças. Já a diabetes tipo 2 está relacionada ao envelhecimento e a um estilo de vida sedentário. Diversos estudos indicam que há uma relação de causa e efeito entre os dois quadros, mostrando que o sobrepeso está diretamente relacionado ao aumento da quantidade de pessoas com diabetes.

O alto índice de casos e as projeções vertiginosas estão relacionadas ao estilo de vida do brasileiro. Confira a seguir.

Aumento da expectativa de vida

Estamos vivendo uma era de forte envelhecimento populacional. Segundo uma projeção feita pelo IBGE, em duas décadas, o número de idosos vai superar o número de crianças e adolescentes no Brasil.

Em 40 anos, a tendência é que a proporção de 1 pessoa com mais de 65 anos para cada 10 habitantes aumente para 1 pessoa com mais de 65 anos para cada 4 habitantes. Isso aumenta a população mais provável a desenvolver a doença.

Hábitos alimentares não saudáveis

Diretamente ligada ao estilo de vida moderno, a comida ultraprocessada, rápida e prática, mas com pouco valor nutricional, acaba sendo diversas vezes a opção dos brasileiros.

O consumo excessivo de gorduras ou carboidratos simples, além da alta ingestão de alimentos ou bebidas açucaradas, também aumentam a probabilidade do indivíduo, no futuro, desenvolver diabetes do tipo 2.

Tabagismo e/ou consumo excessivo de bebida alcoólica

O fumo está associado ao aumento da probabilidade de desenvolver diabetes porque as substâncias do tabaco atrapalham que a glicose entre nas células, aumentando a produção de insulina no organismo.

Felizmente, segundo a OMS, o número de fumantes vem diminuindo. No entanto, a Organização Mundial da Saúde também divulgou que o consumo de álcool, também associado à diabetes, aumentou em 43,5% na última década no Brasil.

Estilo de vida sedentário

Por fim, o estilo de vida sedentário também é responsável pelo aumento de casos de pessoas com diabetes no Brasil. Trabalhar horas na frente do computador, bem como utilizar diariamente os meios de transporte modernos, acaba contribuindo para que o indivíduo se movimente pouco no dia a dia.

O estresse da vida contemporânea e a rotina de trabalho também são fatores que devem ser levados em conta.

Qual pode ser o impacto financeiro para as operadoras de planos de saúde?

Manter o equilíbrio financeiro é um grande desafio para as operadoras. Além de lidar com as normas da saúde, as instituições de saúde suplementar também são muito suscetíveis a fatores externos, que podem aumentar ou diminuir a quantidade de beneficiários do plano, sem necessariamente reduzir o valor gasto com custos assistenciais.

Por isso, é importante equilibrar o número de beneficiários, bem como a frequência de utilização do plano, com o valor dos prêmios. Caso contrário, o aumento da população diabética pode trazer grandes prejuízos, aumentando os custos e também aumentando a taxa de sinistralidade do plano de saúde.

Além dos gastos ligados diretamente à patologia, vale ressaltar que a diabetes é um fator de risco para diversas outras complicações, como doenças cardiovasculares, doenças renais, cegueira (retinopatia diabética), amputação e pé diabético. Também está associada a episódios de derrame, infarto e até mesmo ao surgimento de câncer. O risco de um paciente diabético sofrer um infarto chega a até 50% em homens.

Desse modo, os cuidados com a diabetes extrapolam a condição, englobando também a prevenção e o tratamento de doenças associadas. Além dos custos em saúde diretamente relacionados — o custo mensal para o tratamento de uma pessoa que precisa da injeção de insulina fica em torno de R$ 500 a R$ 800 reais por mês — também é preciso levar em conta cuidados adjacentes.

Como as operadoras de saúde devem se portar?

Embora o histórico familiar e a idade também sejam fatores de risco, a diabetes tipo 2 está associada à obesidade e ao sobrepeso. Assim, uma vez que fatores como sedentarismo, hipertensão, tabagismo e alto consumo de álcool contribuem para aumentar as chances de desenvolver a doença, grande parte dos casos de diabetes tipo 2 podem ser evitados por meio de uma vida mais saudável.

Investir em esforços primários, na base do problema, é a melhor solução para reduzir o número de pessoas com diabetes no futuro. Em médio e em longo prazo, isso significa economia para a operadora de planos de saúde, reduzindo a população diabética e consequentemente diminuindo os gastos que seriam direcionados a ela.

Dar atenção à qualidade de vida do paciente que já é diabético também é vantajoso para a operadora do ponto de vista econômico. Isso reduz as chances de o paciente desenvolver complicações adjacentes, relacionadas à doença. Vale lembrar que o paciente com diabetes tipo 1 também pode desenvolver complicações mais graves. Ações do plano de saúde, no sentido da manutenção da qualidade de vida, também devem ser direcionadas a esse tipo de paciente.

Desse modo, as operadoras de planos de saúde devem estimular programas que incentivem a alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, além de investir em tecnologias que visem a manutenção do bem-estar e qualidade de vida dos pacientes.

No entanto, é preciso ter em mente que adotar medidas genéricas ou ações fragmentadas, como campanhas generalizadas sobre a importância da qualidade de vida, não surte muito efeito e não costuma engajar a população-alvo.

Para adotar medidas eficientes e alcançar resultados certeiros, a operadora deve fazer uma análise populacional, identificando as necessidades e as características-chave da população à qual ela deseja implementar ações de saúde. Só assim é possível conduzir um programa eficiente.

Também é muito importante estabelecer quais são os indicadores de desempenho e como o gestor obterá resultados mensuráveis para as ações.

No que diz respeito à obtenção e análise de dados, a tecnologia é uma grande aliada, atuando de forma automatizada e ajudando o gestor de planos de saúde a tomar decisões acertadas. Ela também pode auxiliar no tratamento personalizado, ajudando no engajamento do paciente e na adoção das medidas propostas.

Quais medidas as operadoras podem tomar para diminuir o número de pessoas com diabetes no futuro?

Confira algumas das práticas que as operadoras de saúde podem adotar para contribuir com o controle da diabetes no Brasil!

Rastreamento de doenças crônicas

Em geral, a população brasileira recorre a exames apenas quando há a presença de algum sintoma, em vez de procurar a medicina como forma de prevenção. Isso é um grande problema quando falamos da diabetes, uma vez que ela é uma patologia silenciosa, cujos sintomas, muitas vezes, se manifestam apenas quando o quadro já está mais agravado — o que gera um grande transtorno para o paciente e para o plano de saúde.

Estima-se que, dos 13 milhões de brasileiros diabéticos, 50% não sabem que têm a doença. Também é interessante destacar que o número de pessoas que não pratica atividade física é de 1,4 bilhão e que 47% da população brasileira é sedentária.

O rastreamento de doenças crônicas é uma forma de prever e tentar evitar a patologia ainda nos primeiros estágios. O rastreamento acontece, por exemplo, por meio da medicina preventiva. A modalidade trabalha a fim de evitar o desenvolvimento da doença, em vez de procurar formas de tratá-la quando o paciente já está acometido. Em muitos casos, o diagnóstico precoce ajuda a reverter a patologia.

A solução de Modelagem Preditiva da Sharecare atua calculando a probabilidade de determinado evento acontecer. A análise opera a partir de dados atuais da instituição, tratando estes sinais por meio de modelos matemáticos, técnicas de machine learning e algoritmos estatísticos, antecipando resultados e comportamentos e permitindo que a operadora adote estratégias mais eficientes.

Mapear doenças preexistentes, bem como observar a frequência do uso de serviços em saúde também são formas de rastrear doenças crônicas. Esse levantamento de dados é essencial para identificar grupos de risco, diagnosticando doenças rapidamente e ajudando a implementar medidas mais eficientes, por meio de ações adequadas a cada grupo.

Nesse campo, a tecnologia é uma grande aliada, atuando no recolhimento de informações sobre os pacientes e cruzando essas informações no próprio banco de dados, a fim de nortear as ações que o plano de saúde deve tomar — essas ações, podem incluir, por exemplo, a inserção do paciente no programa de crônicos.

Programa de Crônicos

O Programa de Crônicos é um programa da Sharecare que opera estimulando a população a buscar um estilo de vida mais saudável, lutando contra os fatores de riscos associados a doenças crônicas, incluindo a diabetes. O objetivo é, além de melhorar a qualidade de vida, prevenir doenças, incentivar o uso correto do plano de saúde e — consequentemente — contribuir na redução de custos para operadoras e empresas.

O programa atua com uma equipe multidisciplinar em saúde, capaz de oferecer um direcionamento individual ao beneficiário, o que é um fator chave para melhorar o engajamento nas ações, alcançado resultados de fato.

Qual é a importância do combate à desinformação sobre a diabetes?

Apesar de ser uma doença com tantos casos no país, é comum que haja muita desinformação em torno dela. Esse é um problema, já que a educação das pessoas em relação às formas de prevenção e tratamento da diabetes é fundamental para o controle da doença e do número de pacientes acometidos por ela.

Afinal, como vimos, não há tratamento que elimine o problema, mas sim medidas que ajudam a manter os níveis glicêmicos controlados — tanto para evitar o surgimento da doença, quanto o seu agravamento. Então, é uma questão de educação, mais do que da aplicação de fármacos ou outras práticas corretivas.

Quais são os principais mitos sobre a diabetes?

Abaixo, veja os principais mitos relacionados à diabetes!

Somente pessoas com obesidade têm diabetes

Apesar de a diabetes tipo 2 ter a obesidade como fator de risco, é um mito que pessoas magras não possam ter a doença. Afinal, existem muitos fatores associados ao seu desenvolvimento, além do excesso de peso. Como você viu, estão entre eles o tabagismo e o sedentarismo, além da propensão genética, em muitos casos.

Por isso, mesmo entre as pessoas que estão na faixa de peso considerada saudável — por exemplo, com o Índice de Massa Corporal (IMC) adequado para a altura —, os cuidados preventivos também devem ser observados.

Pessoas com diabetes não podem comer certos alimentos

Como a diabetes se relaciona à metabolização de glicose, é verdade que os portadores de diabetes precisam restringir sua dieta. Não há um cardápio específico para esses casos, porém, é indicado que o tratamento seja integrado às recomendações nutricionais para evitar o aumento nas taxas de glicemia.

Então, os açúcares e carboidratos devem ser consumidos com cautela. Por exemplo, pães e massas, por serem ricos em carboidratos — que se transformam em glicose no organismo —, precisam ser bem dosados.

Uma dúvida comum é se diabéticos podem comer frutas, e a resposta é sim. Sobretudo as cítricas, com índices menores de frutose, são muito bem-vindas. As demais podem ser consumidas com moderação. Enfim, tudo depende do plano alimentar individualizado para cada paciente, que é desenvolvido por médicos e nutricionistas.

Alguns alimentos auxiliam no controle da glicose

Da mesma forma como alguns alimentos desencadeiam problemas no controle glicêmico, outros o favorecem. Então, existem sim alimentos específicos que favorecem o tratamento de pessoas com diabetes, na medida em que contribuem com a regulação glicêmica.

Esse é o caso das fibras alimentares, presentes em carboidratos integrais, legumes e vegetais. Isso ocorre porque elas têm a capacidade de se ligar às moléculas de açúcar, contribuindo com a sua eliminação.

Comer muito doce pode levar ao desenvolvimento de diabetes

Ao pé da letra, esse é um mito. Afinal, como vimos, a diabetes é uma doença complexa e que surge devido à combinação de muitos fatores. Porém, a ingestão exagerada de açúcar pode sim contribuir com o seu desenvolvimento, sobretudo por sua ligação com o ganho de peso.

Além disso, o excesso de açúcar no organismo também pode sobrecarregar o pâncreas e, assim, levar a problemas na produção de insulina. Desse modo, isso também pode contribuir com o surgimento da diabetes tipo 2. Enfim, comer muito doce pode se relacionar com a doença, mas sempre tendo em vista uma combinação de fatores.

A diabetes pode causar outras doenças

Como citamos, isso é verdade! O controle da glicemia é fundamental para o bom funcionamento do organismo de modo geral. Quando há episódios frequentes e prolongados de hiperglicemia, o indivíduo pode sofrer complicações amplas, abrindo espaço para neuropatias, problemas arteriais, insuficiência renal, entre outros.

Uma das complicações mais sérias da diabetes é a retinopatia diabética, uma doença que, uma vez instalada, leva a perda progressiva da visão, caso não seja diagnosticada e controlada.

É possível parar com a insulina cortando açúcares e carboidratos

Esse é um mito. Os pacientes que precisam de aplicações diárias de insulina podem sim suspendê-la em alguns casos, por exemplo, quando há uma grande melhoria no estilo de vida, emagrecimento e contenção de outros fatores, levando a uma regulagem maior dos índices glicêmicos no organismo. Isso, é claro, conforme as orientações médicas.

Agora, eliminar o consumo de açúcares e carboidratos no dia a dia não significa que a insulina pode ser suspensa por conta própria. Sobretudo no caso da diabetes tipo 1, em que o pâncreas não produz esse hormônio, a aplicação é necessária mesmo com o controle alimentar.

O paciente deve ser sempre acompanhado por uma equipe multidisciplinar, que avaliará o tipo da doença, a gravidade, os níveis glicêmicos e muito mais antes de tomar decisões.

É possível curar a diabetes com tratamentos adequados

O acompanhamento da diabetes é fundamental para controlar os sintomas e evitar complicações, o que garante qualidade de vida aos pacientes. Porém, ainda não há nenhuma confirmação científica de que a doença possa ser superada. A comunidade médica costuma concordar que ainda não há cura.

Pessoas com diabetes podem ter uma vida saudável

A diabetes não é uma doença contagiosa nem degenerativa. Com os cuidados adequados para a sua contenção — o que inclui, muitas vezes, a aplicação diária de insulina — é possível manter uma vida saudável. Então, apesar de exigir atenção frequente, essa doença não traz limitações que impeçam o bem-estar e a qualidade de vida.

Como apoiar o combate à desinformação entre os beneficiários?

Da mesma forma como as operadoras de saúde têm resultados positivos em ao focar na medicina preventiva — com práticas como o rastreamento de pacientes crônicos, programas de promoção de saúde e engajamento do autocuidado —, a desinformação também pode ser combatida por meio de esforços preventivos.

É possível incluir campanhas educativas com relação a diabetes no planejamento de saúde. Por meio da parceria com especialistas para elucidar as diferenças de cada tipo, comentar sobre as principais medidas para prevenção da doença e desmistificar o dia a dia de um diabético, seja em conteúdos exclusivos para os beneficiários, seja em iniciativas de parceria com empresas, entre outras possibilidades

Quanto mais as informações corretas sobre a doença são difundidas, maior é a prevenção, o reconhecimento de sintomas e o tratamento adequado. Desse modo, a educação é uma das bases para a redução no número de pacientes e no acompanhamento precoce de casos.

Neste artigo, mostramos que o Brasil é um país com um grande número de pessoas com diabetes e que, no futuro, a tendência é que a quantidade de casos cresça em torno de 60%.

A perspectiva é preocupante para as operadoras de planos de saúde e pode ter um impacto negativo para a gestão. Por isso, é necessário adotar medidas que diminuam os fatores de risco da população. Vimos também que a adoção de medidas genéricas não é eficiente e que, nesse cenário, a tecnologia é uma grande aliada da operadora.

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