Transtornos de aprendizagem e desafios no mercado de trabalho

14 de março de 2022

Cada vez mais, nos preocupamos com a inclusão no ambiente de trabalho. Isso ocorre não apenas devido a legislações na área: de acordo com a Forbes, empresas com maior diversidade ganham quase 20% mais do que as outras. Nesse cenário, inserir os transtornos de aprendizagem tem se tornado um desafio para as empresas.

Afinal, não são apenas deficiências físicas que causam preconceitos ou isolamento no ambiente de trabalho. Especialmente quando lidamos com profissionais da área administrativa, os transtornos de aprendizagem podem se tornar um obstáculo para a inclusão.

Nesse artigo, abordaremos o que são os transtornos de aprendizagem e quais os seus desafios no ambiente de trabalho. Continue com a leitura para saber mais!

O que são transtornos de aprendizagem?

A aprendizagem possui diversos conceitos, mas podemos resumi-la como a capacidade de internalizar e repetir processos padronizados. Estamos aprendendo a todo momento, desde bebês até quando fazemos o treinamento com um novo software, por exemplo.

Algumas pessoas, no entanto, têm uma maior dificuldade com esse processo. É o caso, por exemplo, do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Embora ele seja classicamente diagnosticado em crianças, ele também atinge adultos e pode dificultar a inclusão em empresas.

Também existem transtornos específicos de alguma atividade, como a dislexia, a disgrafia e a discalculia — que correspondem, respectivamente, às dificuldades de ler, escrever e calcular. Ao conjunto de doenças e condições que dificultam a aprendizagem, damos o nome de “transtornos de aprendizagem”.

Quais são os desafios das pessoas com transtornos de aprendizagem no mercado de trabalho?

O primeiro desafio está no diagnóstico e acompanhamento dessas pessoas: estudos recentes apontam que os transtornos de aprendizagem podem estar sendo subdiagnosticados — ou seja, os profissionais de saúde podem estar passando por eles diariamente sem dar a devida atenção e cuidado.

Em segundo lugar, está o desafio de inclusão dessas pessoas no ambiente de trabalho. A dificuldade de aprendizagem pode aumentar a pressão em determinadas áreas e até levar ao que chamamos de presenteísmo. Vale ressaltar que, para fazer alguma atividade nova, esses colegas podem precisar de mais esforço e dedicação do que os demais.

Isso leva a um quadro delicado, em que a empresa despende recursos adicionais no treinamento de funcionários com transtorno de aprendizagem — ou, pior, desperdiçam recursos e não conseguem treiná-los corretamente. A própria capacitação desses pacientes para o trabalho, portanto, se torna um desafio para as empresas.

Além disso, caso não haja um acompanhamento estreito da gestão (incluindo o setor de saúde), pode haver o isolamento desses funcionários. Isso pode contribuir negativamente para a própria doença de base e levar a transtornos emocionais no trabalho. Em alguns casos, eles podem ser alvo de piadas ou apelidos degradantes, que podem passar desapercebidos e prejudicar o ambiente de trabalho.

Por fim, cabe lembrar que, muitas vezes, esses funcionários são excluídos de processos seletivos específicos — como aqueles voltados a pessoas com deficiência (PCD) —, seja pela falta de diagnóstico ou por não saberem que, em alguns casos, se enquadram como tal. Por isso, um dos desafios vem até mesmo antes da entrada dos pacientes no mercado de trabalho.

Como garantir a inclusão na empresa?

O primeiro passo é identificar as pessoas que possam ter transtornos de aprendizagem, mapeando os casos na empresa. Isso pode ser feito com um trabalho conjunto dos recursos humanos e a gestão de saúde, para os casos já conhecidos.

Para os quadros ainda não conhecidos, pode-se utilizar a busca ativa como método de detecção. Isso envolve, por exemplo, questionários voltados para a dificuldade na aprendizagem ou entrevistas com colegas no modelo de “avaliação de pares”.

Em seguida, é preciso fazer uma análise retrospectiva e verificar se esses funcionários já sofreram ou sofrem os desafios que mencionamos no tópico anterior. É o caso, por exemplo, de pacientes com discalculia que trabalham com atividades que requerem contas: eles seriam muito mais bem aproveitados se fossem remanejados de função, por exemplo.

Além disso, vale lembrar que muitas vezes pacientes com transtornos de aprendizagem são excluídos da vida social no trabalho. Por isso, em alguns casos recém-descobertos, é interessante conversar com o colaborador e verificar se ele está satisfeito com sua equipe. Isso pode fazer toda a diferença em sua produtividade e satisfação com o trabalho.

Por fim, é preciso educar os demais funcionários sobre a importância da colaboração, inclusão e cuidado com quem possui transtornos de aprendizagem. Isso pode ser obtido com palestras, campanhas de conscientização ou seminários — e traz benefícios, como colaboradores mais felizes e integrados uns com os outros.

Qual é a importância de contar com acompanhamento especializado?

Como mencionamos, por não se tratar de uma deficiência física, muitas vezes os transtornos de aprendizagem podem ser negligenciados ou minimizados. Por isso, é importante focarmos um tópico no acompanhamento especializado desses colaboradores (que também são, afinal, pacientes).

Embora seja possível melhorar a inclusão deles no ambiente de trabalho, é fundamental que eles sejam acompanhados por profissionais especializados. Isso ocorre porque, afinal, muitas vezes não sabemos como lidar com esse tipo de transtorno: quais atividades eles podem ou não realizar? Há alguma atividade que está proscrita? Como lidar com casos recentemente diagnosticados?

Para responder a essas perguntas, é preciso acompanhamento especializado e contato estreito com a medicina do trabalho. Dessa forma, fica mais fácil manejar corretamente os funcionários e saber como inseri-los no ambiente de trabalho sem prejudicar a doença de base e, com direcionamento, até ajudar em seu tratamento.

Além disso, cabe lembrar que a inclusão vem sendo cada vez mais valorizada, incentivada e procurada. Empresas que cuidam melhor de seus funcionários contam com o chamado “employer marketing” — ou seja, são mais bem avaliadas e buscadas por funcionários competentes e qualificados.

Os transtornos de aprendizagem podem trazer desafios inéditos para a administração empresarial, especificamente para a gestão em saúde. Nesse cenário, promover um ambiente acolhedor e oferecer acompanhamento especializado são atitudes fundamentais para garantir a inclusão.

Se você gostou de conhecer mais sobre esses casos, certamente seus colegas também se beneficiarão. Por que não aproveita e compartilha este post nas redes sociais? Ajude a disseminar conteúdo de qualidade!

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