Uso abusivo de medicamentos: entenda as consequências para a saúde

1 de agosto de 2022

Dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontam que, atualmente, cerca de 77% dos brasileiros praticam a automedicação. Os remédios são consumidos sem orientação profissional, com base apenas em opiniões populares ou nas suposições do próprio indivíduo. Esse hábito é reproduzido com grande frequência no dia a dia, sendo fundamental discutir o uso abusivo de medicamentos.

Essa é uma ação extremamente perigosa que, segundo entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), será responsável por cerca de 10 milhões de mortes até 2050. Para entender como se dá esse cenário, é só continuar a leitura!

Quais as consequências do uso abusivo de medicamentos?

Os remédios são recursos auxiliares para os tratamentos médicos, devendo estar alinhados às orientações de profissionais da saúde. Para que sejam realmente eficientes, as substâncias têm que ser administradas conforme os detalhes clínicos de cada caso e o histórico do paciente. Assim, não basta se basear na leitura da bula, na opinião de amigos ou em situações vivenciadas anteriormente.

Os mesmos sintomas podem indicar várias doenças. Por mais que você suponha qual seja a origem de uma dor de cabeça, por exemplo, não é possível ter certeza sem os exames adequados. Se forem tomados medicamentos que, na realidade, não eram ideais para o seu quadro atual, as consequências podem ser graves, por mais que haja alívio a curto prazo.

Os remédios podem acabar disfarçando os sintomas e camuflando o verdadeiro problema, que só será percebido quando atingir níveis extremos. Por outro lado, mesmo que você saiba qual é a questão e já tenha se consultado, consumir mais medicamentos do que foi orientado ou mantê-los por um tempo mais longo na rotina também traz seus riscos

As doenças tratadas podem ganhar resistência, já que os agentes responsáveis — como os vírus e bactérias — vão ficando cada vez mais fortes contra as fórmulas consumidas. O quadro pode ficar tão grave a ponto de se tornar não tratável. Assim, quando os sintomas de um problema persistirem, a solução ideal é procurar ajuda profissional novamente. 

O uso em excesso de medicamentos também compromete os órgãos e os sobrecarrega. Por fim, vale lembrar que, com o passar do tempo, os remédios se degradam, perdem seus efeitos e liberam substâncias tóxicas. Assim, consumir tais produtos guardados por longo período pode nos contaminar ou simplesmente não cumprir com o desejado.

A automedicação e o uso abusivo de medicamentos pode levar a quadros fatais. Esse hábito, aparentemente inofensivo, aos poucos vai degradando nosso organismo, mesmo que de forma imperceptível, por muitos anos. Evitar essa atitude é uma forma de prevenção da saúde e de valorização da vida.

Quais doenças podem ser causadas com o uso abusivo de medicamentos?

A automedicação e o uso abusivo de remédios pode agravar os quadros já existentes ou gerar novos problemas, como explicamos no tópico acima. Além das consequências já mencionadas, existem três grandes riscos dessa prática que valem a pena ser ressaltados. São eles:

  • Dependências: quando são consumidas doses incorretas ou o remédio é usado por mais tempo que o recomendado;
  • Intoxicações e overdoses: mais uma vez, devido à dosagem inadequada;
  • Reação alérgica: quando o organismo tem ou desenvolve reações a algum componente do medicamento. Esse é um risco grande, em especial, quando a pessoa não fez exames, não conhece seu histórico ou não tem bons conhecimentos sobre a fórmula.

Esses quadros podem nos afetar de diversas maneiras. Os sintomas variam conforme o medicamento e a reação desencadeada no corpo, mas os efeitos podem ser físicos — incluindo vômito, taquicardia e diarreia — ou comportamentais, como alterações de humor e alucinações.

Quais são os medicamentos mais utilizados?

A automedicação e o uso abusivo de medicamentos podem ocorrer com os mais variados remédios. É importante reforçar, portanto, que os riscos se aplicam a todo tipo de substância, inclusive a aquelas mais fáceis de adquirir, anunciadas na televisão e comercializadas sem receita.

O uso excessivo no Brasil se dá, principalmente, com remédios como: 

  • Antibióticos;
  • Antivirais;
  • Antifúngicos;
  • Antiprotozoários;
  • Analgésicos;
  • Antitérmicos;
  • Anti-inflamatórios;
  • Relaxantes musculares;
  • Descongestionantes nasais.

Vale lembrar que, com a pandemia de Covid-19, a automedicação cresceu ainda mais no país, devido ao medo de sair de casa para procurar um médico e até às tentativas de se proteger contra o vírus. As pessoas começaram a consumir diversos remédios, por exemplo, sem indicação específica e se baseando em fontes que não têm a devida comprovação científica.

Isso apenas reforça a necessidade de conscientização sobre a automedicação. Quanto aos riscos de exposição, vale lembrar que, agora, as pessoas podem ter mais segurança a partir da telemedicina.

Por que evitar o uso excessivo de medicamentos?

Os medicamentos são necessários em situações específicas, não devendo ser enxergados como “soluções rápidas” ou terem seus efeitos subestimados. É importante se conscientizar sobre os riscos dos hábitos adotados atualmente, pois o estilo de vida predominante, com a automedicação e a falta de prevenção, é um problema para o bem-estar, a saúde física e a saúde mental

Para promover realmente a qualidade de vida, é preciso dar mais atenção à alimentação, à prática de atividades físicas e a um acompanhamento mais regular com profissionais, antes de os quadros surgirem ou se agravarem. Ao ampliarmos as perspectivas nesse sentido, vários desafios serão reduzidos, inclusive para a Saúde Pública e as operadoras de plano de saúde

O número de casos graves diminuirá, assim como as despesas dos serviços. O uso abusivo de remédios e a automedicação, portanto, são questões que afetam não apenas os indivíduos separadamente, mas também as instituições públicas e privadas. Os temas devem ser abordados nas políticas e ações desenvolvidas pela área da saúde como um todo, como parte das estratégias de melhoria e otimização.

Agora você sabe mais sobre o uso abusivo de medicamentos e a amplitude das suas consequências. Esperamos que o conteúdo tenha contribuído para seu estilo de vida e seu olhar profissional.

A atenção ao panorama da saúde no Brasil se mostra fundamental. Para continuar se aprofundando nesse tema, confira agora nosso artigo sobre o aumento de ocorrências das doenças primárias!