Como a COVID-19 afeta a pressão arterial?

8 de maio de 2020

Nos últimos meses, ficou claro que além do grupo de risco, outras pessoas estão desenvolvendo complicações graves como consequência da infecção por coronavírus.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), aqueles com maior predisposição a agravantes são pessoas com 65 anos ou mais, indivíduos que apresentam um sistema imunológico enfraquecido e doentes crônicos, como portadores de diabetes, asma, cardiopatias, entre outros.  Mas há uma outra condição que não está listada e que, segundos estudos, pode ser vinculada a casos mais complexos da COVID-19. É a pressão alta.

O que é pressão alta?

A pressão arterial nada mais é do que força exercida pelo fluxo sanguíneo, quando bombeado pelo coração, contra a parede das artérias. Essa pressão precisa ser vigorosa o suficiente para alcançar a circulação periférica, mas não a ponto de lesar os vasos. A medição considerada normal em adultos é de cerca de 120/80. No entanto, quando o número superior é consistentemente maior que 129 e o inferior é regularmente maior que 80, segundo classificação, essa situação já pode ser considerada como hipertensão leve, ou ainda hipertensão, dependendo de quão altos esses resultados forem.

Qual a ligação existente entre a pressão alta e o coronavírus?

Tendo como base pesquisas realizadas na China, 30% dos pacientes hospitalizados com COVID-19 tinham pressão alta. Além disso, outro estudo constatou que 27,4% dos pacientes com uma certa complicação pulmonar relacionada ao coronavírus eram hipertensos. Isso levou alguns estudiosos a pensar se a condição não estaria aumentando o risco de infecção pelo SARS-CoV-2.

No momento, não há evidências suficientes para apoiar essa ideia. Embora seja verdade que muitos pacientes com sintomas graves também sejam hipertensos, isso não necessariamente significa que um causa o outro. Contudo, pode haver um terceiro fator associado. Nesse caso, os pesquisadores pensam que a idade pode estar relacionada com as complicações.

Como sabemos, indivíduos acima de 64 anos correm maior risco de desenvolver quadros graves de coronavírus. Paralelamente, também há uma associação direta e linear entre o envelhecimento e prevalência da hipertensão. Portanto, a idade é provavelmente o motivo pelo qual muitos pacientes têm pressão alta e doenças graves e não porque a pressão alta em si aumente o risco de COVID-19.

Medicamentos para pressão arterial

Outro ponto que surgiu nos últimos meses não tem a ver com a pressão alta em si, mas com os medicamentos utilizados para controlar a condição.

Dois dos fármacos mais usados ​​para tratar quadros de pressão alta são os IECAs (inibidores da enzima conversora de angiotensina) e os BRAs (bloqueadores de receptores da angiotensina). Os IECAs mais comuns são o captopril, enalapril e lisinopril. Já no caso dos BRAs, os princípios ativos popularmente conhecidos são a losartana e valsartana.

Os IECAs e os BRAs aumentam a quantidade de uma enzima chamada ACE2 no organismo. Como se vê, o vírus que causa a COVID-19 usa o ACE2 para entrar nas células do corpo. Por esse motivo, quando o coronavírus começou a se espalhar, havia alguma preocupação de que utilizar a medicação prescrita para controlar a hipertensão poderia trazer um risco adicional de contaminação pelo SARS-CoV-2. Por outro lado, pesquisas não tão recentes demonstraram que o ACE2 pode realmente ajudar a proteger os pulmões, tanto que alguns cientistas sugeriram o uso de BRA para tratar a COVID-19.

No geral, não há evidências suficientes para dizer exatamente quais são os efeitos das IECAs e dos BRAs em relação ao coronavírus. No entanto, sabemos que a pressão alta é perigosa o suficiente e que é importante controlá-la. A condição, quando não tratada, aumenta o risco de problemas como doenças cardíacas, renais e derrames.

Em março de 2020, a Associação Americana do Coração, o Colégio Americano de Cardiologia e a Sociedade de Insuficiência Cardíaca da América divulgaram uma declaração conjunta afirmando que as pessoas com COVID-19 devem continuar tomando inibidores da ECA e BRA, a menos que sejam instruídas a parar pelo seu médico. As instituições também pediram que mais pesquisas sejam feitas na área e  que atualizariam suas recomendações à medida que mais informações fossem disponibilizadas.

E o que isso tudo significa?

Se você tem pressão alta, deve fazer o possível para controlá-la. Não necessariamente porque aumenta o risco de COVID-19, mas por conta de outras consequências negativas para a saúde. Você também deve continuar tomando todos os seus medicamentos conforme prescrição, mesmo que eles sejam inibidores da ECA ou BRA. Caso esteja pensando em interromper a medicação, converse com seu médico

Revisado clinicamente em Maio de 2020.

Fontes:

Up to Date. 30 de Abril de 2020. “Coronavírus 2019 (COVID-19): epidemiologia, virologia, características clínicas, diagnóstico e prevenção.”

Drauziovarella.uol.com.br. Doenças e Sintomas. Hipertensão (pressão-alta).”

Ncbi.nlm.nih.gov. “Curso clínico e fatores de risco para mortalidade de pacientes adultos internados com COVID-19 em Wuhan, China: um estudo retrospectivo.”

Jamanetwork.com. 13 de Março de 2020. “Fatores de risco associados à síndrome do desconforto respiratório agudo e morte em pacientes com doença com coronavírus 2019 em Wuhan, China.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Centro Nacional de Estatísticas da Saúde. “ Prevalência e controle da hipertensão entre adultos: Estados Unidos, 2015–2016″

Revista acadêmica American Journal of Hypertension (AJH). “Hipertensão e COVID-19.”

Biblioteca online John Wiley & Sons. “Bloqueadores do receptor de angiotensina como alternativa terapêutica provisória contra SARSCoV2.”

Associação Americana do Coração (AHA). Sala da redação. “Pacientes em uso de IECA e BRA que contraíram COVID-19 devem continuar o tratamento, a menos que seja indicado pelo médico.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]