Como conversar com as crianças sobre a COVID-19

1 de abril de 2020

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Aprenda como iniciar essa conversa e ajude as crianças a lidar com as preocupações relacionadas ao coronavírus.

Se a reclusão em casa, a corrida aos mercados para estocar suprimentos e o aumento de preços em itens médicos e outros produtos como álcool em gel são qualquer indicação de como os adultos estão lidando com o surto de COVID-19, é importante lembrar que todo esse medo e incerteza também podem pesar na mente das crianças.

Os pequenos não estão imunes a preocupações com infecções ou doenças, principalmente em um mundo em que os relatos da mídia e as interações das redes sociais estão a um clique de distância. Em muitos casos, os jovens também podem captar a ansiedade dos adultos em que confiam, portanto se você está preocupado, é seguro supor que seus filhos também estejam.

“As crianças estão recebendo mensagens sobre o coronavírus de tantas fontes, algumas provavelmente menos seguras que outras”, diz o Dr. Michael S. Mitchell, diretor médico do departamento de emergência pediátrica do Brenner Children’s Hospital e professor assistente de medicina de emergência na Wake Forest Baptist Health, na Carolina do Norte, Estados Unidos. “Eu recomendaria fortemente que os pais iniciassem uma conversa apropriada com seus filhos”.

Mas como é possível tranquilizar os jovens sem saber o quanto dizer a eles? Ou como abrir esse canal de comunicação em meio a tantas incógnitas com as quais ainda estamos lidando? Dar o primeiro passo pode realmente parecer difícil, mas aqui estão algumas dicas da psicóloga Linda Nicolotti, PhD, chefe da seção de psicologia pediátrica e saúde comportamental da Wake Forest Baptist Health:

Iniciando a conversa

“Deixe as crianças orientarem a discussão abordando o que ouviram ou viram, seus sentimentos e questionamentos”, diz Nicolotti.

“Perguntar a elas sobre o que estão escutando da doença te dá a oportunidade de dissipar quaisquer mitos que possam estar incitando suas preocupações”, acrescenta o Dr. Mitchell.

Ao determinar quantos detalhes os pequenos devem ouvir sobre a pandemia, leve suas idades em consideração. Isso significa que uma conversa que você tem com um adolescente pode ser muito diferente do bate-papo que terá com uma criança mais nova.

“Apresente informações que sejam apropriadas ao desenvolvimento de uma maneira calma”, diz Nicolotti. Por exemplo, fale com crianças mais novas ao nível dos olhos com uma voz suave, usando palavras simples que elas possam entender. Os mais velhos, por outro lado, podem precisar de mais fatos e garantias para ajudá-los a recuperar o senso de controle.

Como ajudar os pequenos a se sentirem seguros

As crianças reagem de maneira diferente à ansiedade e ao estresse do que os adultos. Em alguns casos, elas podem esconder seus sentimentos ou não responder imediatamente, tornando ainda mais difícil saber se estão preocupadas ou chateadas. Ao conversar com seus filhos sobre o coronavírus, as estratégias a seguir podem ajudar não apenas a aliviar suas apreensões, mas também a capacitá-los sobre como devem se proteger.

Eduque-se primeiro

O melhor antídoto para o medo do desconhecido é a informação. “Os fatos podem ser tranquilizadores”, explica Nicolotti.

Antes de poder ser aberto e honesto com seus filhos, você precisa se informar. A maioria dos casos de COVID-19 é leve. As estimativas atuais sugerem que cerca de 16% dos casos apenas, resultem em doenças e complicações graves. Menos ainda, cerca de 5%, desenvolverão problemas muito sérios. Isso significa que dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo já se recuperaram da infecção, superando em muito o número de mortes confirmadas.

E embora as crianças não sejam imunes à COVID-19, pesquisadores que investigam os efeitos do coronavírus no corpo descobriram que os jovens que são infectados tendem a desenvolver casos leves. Além disso, relatos de complicações graves entre crianças são bem raros, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

“Estudos preliminares sugerem que as crianças têm menos gravidade do que os adultos com o coronavírus”, diz Mitchell. “No entanto, o motivo desse novo vírus em particular não causar reações graves nos mais jovens ainda é desconhecido.”

Mitchell também observa que os efeitos desse vírus nas crianças ainda estão sob investigação e os pais devem ficar de olho e estar cientes de quaisquer sintomas, como tosse, febre, falta de ar, fadiga, dor de garganta, dor de cabeça e diarreia. Se você acredita que seu filho possa ter sido exposto à COVID-19, ligue para o pediatra, relate tudo o que está acontecendo, inclusive o que ele está sentindo e receba instruções sobre o que fazer em seguida.

Não descarte ou desconsidere suas preocupações

“Os sentimentos das crianças em relação à COVID-19 devem ser validados, não deixados de lado”, diz Nicolotti. Mesmo que suas intenções sejam boas, dizer às crianças ansiosas que não se preocupem não é uma abordagem eficaz.

Escute seus filhos. Pergunte se eles têm alguma dúvida e informe que não há problema em ficar triste ou preocupado e expressar esses sentimentos. As crianças que hesitam em falar sobre como estão se sentindo podem ficar mais à vontade desenhando ou colocando seus pensamentos no papel.

Ajude-os a se protegerem

Ensinar as crianças como elas podem reduzir o risco de infecção lhes dará uma sensação de controle sobre a situação à medida que ela se desenvolve.

“Podemos apoiá-los, educando-os sobre como ajudar a prevenir a disseminação desta doença, promovendo uma boa higiene das mãos, espirrando em seu braço e não compartilhando alimentos e bebidas com os amigos”, aconselha Mitchell. “Essas recomendações ainda permanecem como nossa melhor defesa.”

Lavar bem as mãos com água e sabão por pelo menos 40 segundos é uma das maneiras mais eficazes de se proteger contra a COVID-19. As crianças devem ser instruídas ainda a evitar tocar em qualquer parte do rosto, incluindo olhos, nariz ou boca com as mãos não higienizadas.

Os adultos podem ter problemas para não tocar no rosto com as mãos potencialmente contaminadas. Portanto, lembrar as crianças de fazer o mesmo provavelmente exigirá esforço constante. Mitchell observa que os mais velhos também podem andar com uma embalagem de álcool em gel 70% e utiliza-lo frequentemente quando não tiverem acesso imediato a água e sabão.

Mude o foco para os aspectos positivos

Em meio ao fluxo constante de manchetes e reportagens ameaçadoras, também é importante ressaltar que médicos e cientistas de todo o mundo estão trabalhando duro para manter todos em segurança. Se seu filho parece estar muito preocupado com a COVID-19, fale com seu pediatra e procure ajuda-lo a aliviar esse estresse. Algumas crianças podem se beneficiar do apoio adicional de um psicólogo ou terapeuta.

Considere impor limites para os noticiários e mídias sociais.

“Estar bem informado sobre o coronavírus e como ajudar a conter sua disseminação é importante, mas o consumo excessivo de informações pode sobrecarregar as crianças”, aconselha Nicolotti. Elas precisam de algum tempo longe de lembretes sobre o surto.

“A exibição repetida de informações e imagens angustiantes pode exacerbar a ansiedade”, diz Nicolotti. “Para crianças maiores e adolescentes com acesso às mídias sociais, discuta um meio de limitar a exposição às notícias sobre o coronavírus e explique o porquê isso é importante. ”

No lugar, tente introduzir atividades em conjunto com a família como brincadeiras, leituras de livros e outras coisas que fujam desse tema. Atualmente a maioria das escolas tem enviado atividade e tarefas. Busque estabelecer uma rotina diária para elas. Crianças precisam sentir que há uma ordenação em seu dia para recuperar o senso de controle.

Também é válido ter atenção ao que elas ouvem em casa ou no carro. E não deixe que as discussões sobre o coronavírus ocupem completamente o tempo da família.

Dê um bom exemplo

Para ajudar as crianças a entender e gerenciar suas preocupações com a COVID-19, é essencial tomar medidas para gerenciar sua própria ansiedade (e não apenas fingir que está tudo bem). Nicolotti ressalta que os filhos adotam as dicas de seus pais, portanto não deixe de seguir uma rotina saudável, fazer refeições equilibradas, dormir o suficiente e se exercitar regularmente. Fazer isso não apenas ajudará a aliviar o estresse, mas também manterá seu sistema imunológico em dia.

Atenha-se à rotina o máximo possível.

Ainda não está claro o quão perturbador o surto será. A quarentena pode se estender por tempo indeterminado, hospitais e centros de urgência podem ficar sobrecarregados com um grande volume de pacientes que precisam de atendimento ao mesmo tempo, escolas e creches podem permanecer fechadas. À medida que os eventos se desenrolam, tente manter a rotina mais próxima possível do normal.  Durma e acorde no mesmo horário, faça suas tarefas e atividades diárias, brinque com os pequenos, almoce e jante em família.

“Lembre-se de que, ao conversar com as crianças sobre a COVID-19, as informações devem ser retransmitidas em doses administráveis”, acrescenta Nicolotti. E mantenha as linhas de comunicação abertas à medida que a situação se desenvolve.

Revisado clinicamente em março de 2020.

Fontes:

Associação Nacional de Psicólogos Escolares dos Estados Unidos. “Conversando com crianças sobre a COVID-19 (Coronavírus): um recurso para os pais”.

Administração de Serviços de Abuso de Substâncias e Saúde Mental dos Estados Unidos. “Conversando com crianças: dicas para cuidadores, pais e professores durante surtos de doenças infecciosas”.

David J. Schonfeld, Thomas Demaria , Conselho Consultivo de Preparação para Desastres e Comitê de Aspectos Psicossociais da Saúde da Criança e da Família. “Fornecendo apoio psicossocial a crianças e famílias após consequências de desastres e crises”. Outubro de 2015.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Perguntas e respostas frequentes: Doença Coronavírus-2019 (COVID-19) e crianças.”

Academia Americana de Pediatria. “Novo coronavírus 2019 (COVID-19).[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]