Como monitorar a COVID-19 de casa, se os sintomas não forem graves o suficiente para ir ao hospital?

14 de abril de 2020

Se você está doente e apresenta sinais de complicação como febre alta ou falta de ar, não hesite em procurar atendimento médico imediatamente. No entanto, caso os sintomas sejam leves, veja como pode tratá-los em casa.

Desde que a COVID-19 se espalhou pelo Brasil, muitas veiculações locais na mídia e na internet frisaram a necessidade de “achatar a curva” e fazer todo o possível para garantir que o sistema de saúde não ficasse sobrecarregado.

Essa é uma ótima e muito necessária estratégia. Reduzir a carga sobre o sistema é uma maneira de garantir que as pessoas que realmente precisam de atendimento possam recebê-lo quando necessário. É por isso que muitos hospitais estão tomando medidas para liberar recursos, como o cancelamento de cirurgias eletivas.

Mas se você acha que está doente demais para se cuidar em casa, não deve seguir essas indicações. A razão pela qual todo mundo está trabalhando para “achatar a curva” é justamente deixar os pronto atendimentos disponíveis para pessoas como você.

No entanto, se tiver dúvidas da gravidade de seus sintomas e não souber se deve ou não ser avaliado pessoalmente, o primeiro passo é se informar. Entre em contato com seu médico ou, se for beneficiário de algum programa de orientação médica telefônica, chame este profissional e solicite orientações. Ao interagir com um clínico geral ou um enfermeiro licenciado, você poderá entender melhor o seu risco, o nível de atendimento mais adequado, além de receber dicas de como cuidar de si mesmo.

Se após as orientações à distância sua conclusão for a de se tratar em casa, há várias coisas que você pode fazer para melhorar. Muitas delas, inclusive, você deve estar familiarizado, já que os sintomas leves da COVID-19 se sobrepõem aos de uma gripe.

Há algo que possa ser feito para reduzir a duração da doença?

Atualmente, não existe cura ou tratamento específico conhecido para a COVID-19 (embora alguns medicamentos estejam sob investigação). Os antibióticos não são úteis nestes casos porque eles só são eficazes no tratamento de infecções causadas por bactérias.

Os suplementos de zinco, se tomados nas primeiras 24 horas dos sintomas, podem diminuir a duração de um resfriado comum. Existem ainda evidências de que a vitamina C pode ajudar no tratamento contra a gripe, mas não há dados que sustentem a hipótese de que essas medidas também possam surtir efeitos contra o coronavírus.

Se não posso reduzir a duração da doença, o que devo fazer?

Se você tiver dores no corpo ou febre, convém tomar um analgésico, como um paracetamol. No entanto, existe alguma incerteza sobre os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) e sua contraindicação em casos de COVID-19. Estão entre os mais comuns o Ibuprofeno, Naproxeno e a Aspirina. Por este motivo, se puder evitá-los, é uma precaução extra.

Se estiver congestionado ou com tosse, existem vários medicamentos sem receita que pode experimentar. Ao escolher o que levar, leia os rótulos cuidadosamente. Se tem congestão no peito e deseja tossir a fleuma, um expectorante pode ser melhor para você. Como alternativa, se você está tentando dormir à noite toda e não quer se incomodar com a tosse, um mucolítico é recomendado. Tente combinar os sintomas mais incômodos com as descrições na caixa. Além disso, verifique se você não está “dobrando” os ingredientes ativos. Por exemplo, se o remédio para tosse já tem ação analgésica, não é preciso também comprar essa classe de medicamento.

No mais, as orientações são as de manter-se confortável. Isso pode ser tão simples quanto ficar na cama, descansar bastante, comer alimentos saudáveis e ingerir líquidos como chá, suco natural e água.

E as outras pessoas em minha casa?

Parte do cuidado residencial envolve a prevenção da propagação da doença para outras pessoas. Mas isso pode parecer bastante difícil, especialmente se você divide a moradia com muitos outros ou se tem um cuidador. No entanto, algumas atitudes simples podem ser facilmente adotadas como:

  • Ficar em uma sala separada (se possível);
  • Garantir um bom fluxo de ar em espaços compartilhados abrindo as janelas;
  • Procurar tossir e espirrar em um papel não utilizado e depois descarta-lo;
  • Praticar uma boa higiene das mãos;
  • Evitar o compartilhamento de itens (como utensílios);
  • Desinfetar frequentemente superfícies comuns;
  • Não receber visitas;
  • Não sair de casa, a menos que seja absolutamente necessário.

Faça com que os indivíduos saudáveis que morem em sua residência cuidem dos animais de estimação. Embora atualmente não haja evidências de que eles possam contrair COVID-19, podem carregar partículas de vírus em seus corpos se estiverem entre indivíduos doentes e não doentes.

Há mais alguma coisa que possa ser feita?

Primeiro, verifique se você está monitorando de perto seus sintomas. Se alguma coisa mudar ou sentir piora, procure atendimento médico imediatamente.

Segundo, não presuma que, quando você começar a se sentir melhor, é seguro estar perto de outras pessoas imediatamente. Ainda não sabemos muito sobre a COVID-19. Não compreendemos se você pode espalhar o vírus após os sintomas desaparecerem. E ainda não sabemos se é possível obter a COVID-19 mais de uma vez.

Atualmente, os pesquisadores estão tentando encontrar respostas para essas perguntas. Mas até que possamos lidar melhor com essa pandemia, a melhor coisa que você pode fazer é agir como se ainda estivesse infeccioso. Embora possa parecer difícil, continue seguindo as recomendações de saúde existentes.

Revisado clinicamente em março de 2020.

Fontes:

Anthony S. Fauci, MD, H. Clifford Lane, MD, e Robert R. Redfield, MD. New England Journal of Medicine. Fevereiro de 2020. “Covid-19 – Navegando no desconhecido. ”

Healthchildren.org. “Infecções por rinovírus.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Sintomas e complicações da gripe.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Fatos importantes sobre a gripe.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).”Transcrição de telebriefing para o COVID-19. “

Organização Mundial da Saúde (OMS). “Atualizações contínuas sobre o COVID-19.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Precauções recomendadas para membros da família, parceiros íntimos e prestadores de cuidados em um ambiente não-médico. “[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]