8 maneiras de passar pela pandemia com seu relacionamento intacto

By 19 de junho de 2020Covid 19

O estresse que muitos casais estão enfrentando neste momento é real. Mas existem maneiras de fazer o relacionamento funcionar mesmo neste período difícil. Veja aqui como.

Se você está em casa com o seu parceiro (e possivelmente seus filhos) durante essas 13 semanas de confinamento, é provável que tenha experimentado alguma tensão.

“Atualmente, estamos convivendo com a nossa família como talvez nunca tenhamos antes”, diz Kory Floyd, PhD, professor de comunicação da Universidade do Arizona. “Embora nos preocupemos com nossos entes queridos, estar perto deles 24 por dia, 7 dias por semana, não deixa de ter seus problemas.”

Ainda que alguns casais estejam passando pela quarentena e todas as alterações de rotina que a COVID-19 trouxe com bastante facilidade, muitos outros estão aprendendo a lidar com o novo normal. Por isso, se você percebeu que sua empatia com os demais moradores da casa está esgotada, tente estas dicas para voltar a se comunicar efetivamente com eles.

Entenda o que está acontecendo

“Esta é uma nova realidade para todos nós e é natural que se crie um estresse agudo, e até crônico, diante de um cenário tão incerto”, diz Amy Nitza, PhD, diretora do Instituto de Saúde Mental em Desastres da Universidade Estadual de Nova York. “Ainda mais alarmante é saber que, diferente de outras catástrofes, não sabemos quando a pandemia irá terminar”.

Na maioria dos desastres, explica Nitza, geralmente está claro quem são os sobreviventes e quem são aqueles que prestam auxílio. “Mas nesta situação, todo mundo é potencialmente uma vítima da doença ou da ordem de isolamento, e muitos de nós, ao mesmo tempo, também assistimos aqueles que precisam de ajuda”. Esses múltiplos papeis são difíceis de desempenhar porque exigem uma prontidão constante. E estar em alerta o tempo todo, além de ser muito estressante, pode afetar o sistema nervoso.

“Quando estamos no modo de luta ou fuga, é como se nosso córtex pré-frontal ficasse offline“, diz ela. Essa é a parte lógica do cérebro responsável pela memória, concentração e pensamento das consequências de nossas ações. Contudo, quando a ênfase muda para a parte emocional de nosso cérebro, operamos de maneira impulsiva e é neste momento que os temperamentos surgem. Palavras duras são trocadas e confrontos parecem ser inevitáveis.

Estas são reações instintivas, mas que podem ser combatidas. O primeiro passo a ser dado quando suas capacidades emocionais estiverem sobrecarregadas é justamente lembrar-se da situação sem precedentes com a qual estamos passando. Dê uma folga, para os outros e para si mesmo e procure trazer leveza aos assuntos que surgirem.

Foque na habilidade mais importante de todos os relacionamentos

União exige paciência e, provavelmente, a pandemia está testando a sua. “Todos estamos mais estressados que o normal”, observa Floyd. “E conviver tão próximo dos demais entes da família pode diminuir rapidamente o limiar de muitas pessoas. Agora, quanto aborrecimento é preciso aguentar até que a situação avance na direção de um conflito? A verdade é que não muito.”

O fato é que nossa persistência também está sendo colocada à prova. E exatamente por isso, precisamos nos lembrar regularmente de sermos pacientes com aqueles com quem estamos compartilhando espaço.

Se perceber que está ficando fora de controle mais vezes do que o habitual, primeiro preste atenção aos sentimentos e sensações que precedem a perda de paciência. Seu coração está acelerado ou sua mandíbula está apertando?

Em seguida, lembre-se de que, mesmo que as ações de seu parceiro ou familiar o tenham tirado do sério, você é capaz de controlar sua reação. “É sempre sua responsabilidade determinar como reage”, diz Floyd.

Por fim, respire fundo algumas vezes para acalmar suas emoções e pause a conversa que está tendo. Pode ser que precise até sair do ambiente por alguns instantes antes de retomar o assunto. “Quando voltar a ele”, aconselha Floyd, “traga sugestões focadas em soluções para o problema, em vez de discutir de quem é a culpa”.

Faça uma análise diária do seu humor

Um dia você se sente bem e capaz de gerenciar o que precisa ser feito, mas no outro parece que tudo o que pode fazer é deitar no sofá e assistir TV? Soa familiar?

“Ninguém é positivo e otimista o tempo todo”, enfatiza Floyd. “Às vezes precisamos nos dar permissão para extravasar as angústias e incertezas, mesmo que isso signifique ter um dia ruim.”

Os sentimentos mudam rapidamente durante essa crise. Esteja você acompanhando o número de mortes diárias ou ouvindo resultados encorajadores sobre um possível tratamento, essas e outras informações podem afetar, não só o seu humor, mas o de todos ao seu redor.

Assim sendo, é preciso estabelecer momentos de comunicação com os habitantes da casa para que todos saibam o que está passando na cabeça de cada um e consigam agir de acordo. Esse alinhamento é essencial para evitar conflitos.

A comunicação é importante, mas a empatia com os sentimentos do outro é essencial

“Não espere que seu parceiro sinta o mesmo que você”, adverte Floyd. “Isso pode ser uma armadilha para o relacionamento, principalmente se pensar que enquanto estiverem na mesma página tudo estará bem.”

Essa é uma suposição perigosa, especialmente no momento em que os todos estamos sob muita pressão. Não podemos ignorar que cada um de nós lida com o estresse de maneira diferente.

E saber como a outra pessoa está se sentindo é um importante ponto de partida. Isso lhe dá a chance de responder ao que eles precisam, o que pode significar mais espaço,  tranquilidade ou pedir menos deles no momento.

Saia pela tangente (mais ou menos)

“Quando estou prestes a explodir com alguém, tento ir para algum lugar calmo para lidar com a minha frustração. Isso é muito importante”, diz Floyd.

Durante situações estressantes é natural buscar um refúgio para esfriar a cabeça, mas com as restrições impostas pela pandemia, esse já não é um hábito livre de riscos. No entanto, dá para adaptar. Se não pode sair de casa, tente encontrar um espaço de calmaria e reflexão lá mesmo.

“É possível inclusive fazer da mente esse local, ocultando distrações, focando no seu eu interior e encontrando algo que traga alegria ou paz”, diz ele. Para isso, busque meditar, ouvir música, fazer exercícios, ler um livro ou simplesmente prestar atenção na sua respiração. Essas técnicas costumam ser efetivas.

Aprecie as oportunidades que a pandemia tem proporcionado

Não devemos minimizar os desafios impostos pela disseminação da COVID-19, mas também não podemos deixar de notar que o novo normal trouxe consigo algumas coisas boas. “O que precisamos neste momento é buscar esses pequenos presentes. Tipo, agora eu tenho tempo para preparar o jantar, o que geralmente não acontecia antes”, afirma Amy Nitza.

Floyd relata que em suas pesquisas também notou algo peculiar. Segundo ele, há uma maior redução do estresse quando expressamos amor e carinho do que quando o recebemos. Com essa descoberta em mente ele sugere considerar os gestos que pode fazer, mesmo que não sejam verbais, e que seu cônjuge interpretará como expressões de afeição e cuidado. “Quando você decide que vai lavar toda a roupa ou fazer compras no supermercado, seu parceiro reconhecerá que fez isso com ele em mente e procurará retribuir, o que impactará num ambiente mais harmônico”.

Procure ajuda se precisar

“Assim como você não pode negligenciar sua saúde física (mesmo com a pandemia, é necessário que continue a fazer uso de seus medicamentos ou ir ao pronto-socorro se estiver doente) é igualmente importante reconhecer quando precisa de ajuda”, diz Floyd. O aconselhamento de um terapeuta, por exemplo, é extremamente útil, ainda mais quando os dois parceiros reconhecem que é necessário e estão dispostos a trabalhar no relacionamento.

“Ter um lugar para descarregar e processar as coisas com um terceiro que não está inserido no sistema familiar pode ser muito benéfico”, acrescenta Nitza.

Atualmente, vários médicos e psicólogos estão realizando consultas via telemedicina. Para encontrar um profissional qualificado que possa atendê-lo, consulte a rede referenciada de seu plano de saúde e entre em contato com os selecionados. Eles irão informá-lo se estão trabalhando com consultas online. Se o acesso for difícil, existem plataformas gratuitas que também prestam esse serviço.

Lembre-se de que tudo isso passará.

Podemos não saber quando ou como exatamente as coisas voltarão ao que eram. Mas um novo normal acabará por se instalar. E embora o momento atual seja incerto, não há mal algum em se planejar. Por isso, comece a pensar no que vem a seguir.

Isso pode significar criar um roteiro para sua próxima viagem, falar sobre o que quer fazer de diferente em sua vida ou relacionamento a partir de agora ou elaborar atividades pós-pandemia. “Converse sobre o futuro e inclua seus entes queridos neste diálogo”, aconselha Floyd. “Essa perspectiva é terapêutica por si só.”

Revisado clinicamente em Junho de 2020.

Fontes:

Universidade Estadual de Nova York. Instituto de Saúde Mental em Desastres. “Dicas para membros da comunidade COVID-19: Gerenciando relacionamentos sob ordens de permanência em casa”.

Aliança Nacional sobre Doenças Mentais. “Existem recursos online para grupos de terapia / apoio ou aplicativos de saúde mental?”

Michael Pollak. New York Times. 27 de novembro de 2009. “As origens daquela famosa piada de Carnegie Hall.”

D Djernis, I Lerstrup, D Poulsen, et al. Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública. Setembro de 2019. “Uma revisão sistemática e meta-análise da atenção plena à natureza.”

L Keniger, K Gaston, K Irvine, R Fuller. Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública. Outubro 2013. “Quais são os benefícios de interagir com a natureza?”