A COVID-19 afeta a amamentação? O que as novas mães devem saber.

By 1 de setembro de 2020Covid 19

Em Agosto foi comemorado o mês do Aleitamento Materno no Brasil. Esta é uma iniciativa instituída em lei pelo Governo Federal para intensificar ações de conscientização e esclarecimentos sobre o incentivo à amamentação. Também é um ótimo momento para aprender quais são suas opções se você for uma mãe pela primeira vez.

Amamentar é muito prazeroso, mas até que tudo se acerte, pode ser exaustivo. E fazê-lo em plena pandemia possivelmente traz um fator de estresse a mais para a mamãe. Por isso, é importante entender como a COVID-19 pode afetar suas opções de amamentação.

Para saber mais sobre o assunto, nosso fundador, o cirurgião cardíaco Dr. Mehmet Oz, conversou com a consultora Jennifer Ritchie, profissional especializada no manejo clínico da amamentação e lactação humana, certificada pelo International Board Certified Lactation Consultant – IBCLC (em português, Conselho Internacional de Examinadores Consultores em Lactação).

Se você já teve COVID-19, tem atualmente ou tem medo de que possa pegá-lo, há algumas coisas importantes que deve saber. Além disso, se não pode amamentar (ou não quer), descubra neste bate papo quais são as melhores alternativas ao leite materno para seu bebê. Aqui estão as principais recomendações de Ritchie para as novas mamães.

Noções básicas sobre o leite materno

Os médicos incentivam a amamentação por pelo menos seis meses, porque ajuda a fortalecer o sistema imunológico do bebê. “Cada gota de leite materno contém um milhão de glóbulos brancos”, diz Ritchie. “Estas são as células que matam bactérias, lutam contra infecções, resistem a doenças e destroem suas pares que já estão velhas ou danificadas no corpo.” O leite materno contém anticorpos como a imunoglobulina A (IgA), que se ligam a microrganismos e os mantêm longe dos tecidos do corpo. Além disso, de acordo com a American Pregnancy Association, o leite materno também é fonte do ácido docosaexaenoico (DHA), um ácido graxo ômega-3 que traz diversos benefícios à saúde do bebê. O DHA é essencial para garantir o desenvolvimento ideal do cérebro, dos olhos, do sistema imunológico e do sistema nervoso fetal.

Amamentação e COVID-19

Uma das perguntas que Ritchie recebe com maior frequência desde o início da pandemia é de mulheres se questionando se a COVID-19 pode ser transmitida para uma criança através da amamentação. “Em estudos limitados em mulheres com Sars-CoV-2 o vírus não foi detectado no leite materno. No entanto, ainda não sabemos se a transmissão pode ou não ocorrer através do aleitamento”, diz Ritchie. Por isso, se você estiver preocupada, converse com seu médico.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – CDC observa que somente em raras exceções a amamentação ou alimentação com leite materno ordenhado não é recomendada. Dadas as baixas taxas de transmissão de vírus respiratórios através do aleitamento, tanto o CDC quanto a Organização Mundial da Saúde afirmam que mães com COVID-19 podem amamentar. Esta declaração também se aplica a mulheres que tiveram coronavírus e | ou apresentaram teste positivo para anticorpos IgG.

Contudo, o CDC também indica que uma mãe com COVID-19 confirmado seja aconselhada a tomar precauções para evitar a propagação do vírus para seu bebê, incluindo lavar as mãos e usar uma cobertura de pano no rosto”. Contudo, se a preocupação ainda é grande, não deixe de dividir essa aflição com meu médico.

Que fórmula procurar se você não pode ou optou por não amamentar

A amamentação é uma escolha pessoal e as novas mães devem sempre fazer o que funciona melhor para elas, mesmo que isso signifique a utilização de outros meios para alimentar o bebê.

Ritchie sabe que escolher uma fórmula infantil é uma tarefa árdua e recomenda optar por uma alternativa que seja nutricionalmente mais próxima do leite materno. “Você pode precisar fazer modificações no tipo de produto que escolher com base na situação em que se encontra”, diz ela. “Por exemplo, se o seu bebê nasceu prematuro ou tem um problema de saúde, você pode utilizar uma fórmula especializada. Minha recomendação de maneira geral é selecionar produtos que não utilizem sacarose (ou açúcar de mesa) como fonte de carboidrato e que contenham 0,32% de DHA como padrão”.

Se o seu bebê tem alergia grave ao leite de vaca, Ritchie indica que procure o pediatra. Ele saberá informar a fórmula infantil mais adequada para o seu filho.

O que os especialistas em amamentação querem que todos saibam

Ritchie diz que as primeiras duas semanas de aleitamento podem ser as mais difíceis, sendo a fase de maior risco de abandono do leite humano. “Seu primeiro objetivo deve ser passar por este período. Com certeza, tudo ficará muito mais fácil após”, diz ela.

“Se você não pode ou não quer amamentar, não deixe ninguém fazer você se sentir mal com essa decisão. É importante que se cerque de pessoas que te apoiem sem julgamentos”. Ritchie diz que o objetivo final de todas as novas mães deve ser marcar e comparecer as consultas mensais agendadas com o pediatra para acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança, aderir ao plano de cuidado proposto por ele, amar seu filho e escolher alimentá-lo da melhor maneira possível. “Isso para mim já é incrível”, diz ela.

Revisado clinicamente em Agosto de 2020.

Fontes:

Organização Mundial da Saúde (OMS). 23 de Junho de 2020. Amamentação e COVID-19”.

Verywell Family. Amamentação. 28 de Maio de 2020. “Imunoglobulinas no leite materno”.

American Pregnancy Association. 19 de janeiro de 2013. “Os ômega-3 são bons para o meu bebê?”

Sistema acadêmico de saúde da universidade da Califórnia (UC San Diego Health). 26 de Março de 2020. “Novos estudos investigam como COVID-19 pode impactar o leite materno e a gravidez”.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). 14 de Dezembro de 2019. “Contraindicações para amamentar ou dar leite materno para bebês”.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). 04 de Junho de 2020. “Coronavírus (COVID-19) e Amamentação”.