Como gerenciar a saúde mental, o luto e a dependência durante a COVID-19

By 21 de maio de 2020Covid 19

A pandemia mudou rapidamente a vida como a conhecemos. Agora, a maioria dos brasileiros está em casa, respeitando os decretos emitidos em diversos estados, ajudando assim a reduzir a disseminação do vírus, e apoiando o movimento massivo pró distanciamento social. Essas novas diretrizes trouxeram choque e isolamento ao nosso dia a dia e à medida que o vírus e a incerteza continuam a se espalhar, muitos estão tendo dificuldade em lidar com a saúde mental, a dor e até o vício durante esse período difícil.

Para ajudar, o Dr. Mehmet Oz conversou com a psicóloga e doutora, Juhee Jhalani, para descobrir como passar por essa situação com o mínimo de traumas e o máximo de equilíbrio possível.

Controle o que você pode

As restrições impostas devido a proliferação da COVID-19 à vida cotidiana podem ter causado uma dura e profunda ruptura em sua rotina. Mas a Dra. Jhalani diz que manter alguns hábitos é essencial para passar por esse momento.

Como a estrutura com a qual estava acostumado se perdeu, é importante criar uma nova rotina. Mantenha a higiene pessoal, vista-se para o trabalho (mesmo de casa), coma de modo saudável e lembre-se de beber bastante água. Você também deve dar continuidade a atividade física durante o dia e manter a hora de dormir e acordar como se fosse para o escritório. Todas essas coisas podem tornar seus dias um pouco mais normais, apesar de tudo ao redor estar diferente. Além disso, o cotidiano regrado é benéfico, tanto para o seu bem-estar físico quanto para a saúde emocional.

Gerencie seus pensamentos e sentimentos

Quarenta e cinco por cento dos adultos dizem que a COVID-19 impactou negativamente sua saúde mental, de acordo com uma pesquisa recente da Kaiser Family Foundation. Essa estatística parece fazer sentido em relação a quarentena ordenada pelos governos locais para interromper a disseminação do vírus.

“Existem sérios efeitos colaterais físicos e mentais relacionados ao isolamento social”, diz a Dra. Jhalani. Isso inclui um aumento no risco de desenvolvimento e evolução de quadros depressivos, ansiedade, pressão alta, obesidade, declínio cognitivo e até mesmo um sistema imunológico comprometido. Embora não haja motivo imediato para alarme, existem ferramentas para ajudar a aliviar a tensão do distanciamento e para que se sinta mais próximo de pessoas que não pode ver fisicamente.

“Encare o isolamento social de frente, mantendo-se socialmente conectado, seja por e-mail, telefone, texto, bate-papo online e aplicativos. Reserve um tempo todos os dias em sua programação para esta conexão”, recomenda a Dra. Jhalani.

Se você acha que a terapia pode ser o que precisa para superar as aflições impostas por este período, obtenha a ajuda de que precisa virtualmente. Se já tem um terapeuta, converse com ele sobre sessões contínuas por chat ou vídeo. Se não tiver um profissional que o acompanhe, ligue para sua companhia de seguros e peça referências.

Caso não possa pagar, a Dra. Jhalani diz que conversar com alguém em quem confia pode ser uma outra maneira de enxergar as coisas por um prisma diferente. Também é recomendado entrar em contato com o Centro de Valorização à Vida, no número 188. A instituição oferece apoio emocional atendendo gratuitamente todas as pessoas que querem ou precisam se comunicar, sob total sigilo. Além disso, muitas universidades e organizações religiosas realizam atendimento voluntário de psicoterapia. Confira se durante o surto sessões online estão acontecendo.

Ademais, algumas atitudes simples como manter um diário e registrar suas mudanças de humor e rotina, realizar tarefas diárias e trabalhar para tornar a vida o mais normal possível, incluindo fazer uso de qualquer medicamento prescrito, são igualmente importantes para manter o equilíbrio.

Como lamentar quando nada parece certo

Em um momento em que o mundo parece desconectado, pode ser difícil processar seus sentimentos. Muitos eventos especiais, como casamentos e formaturas, foram cancelados. Funerais estão sendo realizados sem a presença de familiares. Mesmo as gestantes, em alguns hospitais, foram proibidas de ter pessoas com elas na sala de parto. Sem nenhum alívio definido à vista, como você deve processar todas essas mudanças?

É importante se colocar em primeiro lugar e reconhecer o que está sentindo. “Pratique a autocompaixão neste momento. Não há problema em identificar emoções negativas. Permita-se lamentar. Isso só não pode te impedir de seguir em frente” diz a Dra. Jhalani. Ela também recomenda parar de revestir seus sentimentos com açúcar. “Admita a si mesmo e aos outros o que perdeu e continue conversando com amigos, familiares e terapeutas, se necessário, para processar tudo isso”.

Mesmo se o problema não estiver relacionado a uma morte ou a suspensão de um momento significativo em sua vida, todo mundo está agora sem a liberdade que uma vez tinha como garantida, e isso também pode ser difícil. “Agora, você está desempenhando seu papel cívico, retardando a propagação do vírus e protegendo os mais vulneráveis”, diz a Dra. Jhalani. “Mas isso não deve te impedir de encontrar o conforto e força de que precisa para ir à diante”.

Mantendo o vício sob controle durante o isolamento

Para aqueles que lutam contra algum vício, é extremamente importante não abandonar sua rotina de recuperação e dar andamento a ela da melhor maneira possível. A Dra. Jhalani diz que um ótimo jeito de fazer isso é dar continuidade aos contatos com seu médico por meio da telemedicina.

Se você estava participando de terapia de grupo, como os Alcoólicos Anônimos (AA), converse com seu médico ou orientador e continue procurando apoio nas plataformas online. O próprio AA oferece reuniões virtuais para suporte contínuo durante o distanciamento social. Além disso, redes de atendimento em saúde mental como o CAPS, permanecem atuantes durante a pandemia, realizando plantões e acolhimentos.  A orientação é que se priorize os contatos a distância, por telefone ou redes sociais, mas, quem necessitar de consulta presencial, deve entrar em contato com uma das unidades e verificar a possibilidade.

Este é um momento difícil para todos. Por isso, faça questão de manter contato com seus entes queridos, dê continuidade à sua rotina da melhor maneira possível e procure ajuda profissional se achar necessário.

Revisado clinicamente em Abril de 2020.

Fontes:

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Doença Coronavírus 2019 (COVID_19). “Estresse e enfrentamento.”

Ashley Kirzinger, Audrey Kearney, Liz Hamel e Mollyann Brodie. KFF. org. 02 e Abril de 2020. “Resultados da pesquisa: o impacto do coronavírus na vida na América. “

Erwin Tan. AARP.org. 16 de Março de 2020. “Como combater o isolamento social causado pelo coronavírus. “

Amanda Pope. Global News. 26 de março de 2020. “Os melhores aplicativos de vídeo chamada para grandes reuniões e festas durante o surto de coronavírus”.

CVV.org.br. “Comunicação pública sobre a situação do CVV durante a pandemia da COVID-19. “

Saude.gov.br. “O que é a Política Nacional de Saúde Mental? “