Identificado medicamento antiparasitário que poderia ajudar no combate à COVID-19?

By 12 de agosto de 2020Covid 19

Como um medicamento utilizado para tratar giardíase e gastroenterites virais poderia ajudar na proteção das células humanas contra o SARS-CoV-2? Confira aqui.

Cientistas de todo o mundo estão trabalhando arduamente para produzir uma vacina segura e eficaz que proteja a população da COVID-19. Existem pelo menos 165 iniciativas experimentais em vários estágios de desenvolvimento, espalhadas por todo o globo. Algumas das pesquisas já estão em fase final de testes, avançando em direção à linha de chegada, enquanto outras ainda se encontram em estudos iniciais.

Mas e se houvesse uma alternativa que pudesse impedir que o SARS-CoV-2 se desenvolvesse? Enquanto muitos pesquisadores estão focados em encontrar uma vacina, outros estão explorando a possibilidade de que certos medicamentos já existentes (quando utilizados ​​sozinhos ou em combinação) poderiam prevenir a infecção por coronavírus. E uma das drogas sob investigação é a nitazoxanida, uma medicação antiparasitária amplamente conhecida no Brasil.

O candidato da vez.

A nitazoxanida é um medicamento sintético de amplo espectro, indicado no tratamento de diversas infecções gastrointestinais causadas por vírus, bactérias ou parasitas como gastroenterites por rotavírus ou norovírus, amebíase, giardíase, entre outros. O vermífugo, um dos mais comercializados aqui no país, é seguro e seus efeitos colaterais mais comuns são náusea, dor de estômago, dor de cabeça e urina descolorida.

Por ter ação efetiva contra protozoários e alguns tipos de vírus intestinais, a droga foi selecionada para experimentos e vem sendo estudada há algum tempo para o tratamento de outras doenças de etiologia viral, incluindo aquelas ligadas ao sistema respiratório.

Sinais de atividade antiviral.

Já existem claras evidências da eficácia da nitazoxanida contra infecções respiratórias virais, incluindo rinovírus, vírus parainfluenza, RSV e gripe.

Um estudo de 2014 publicado na revista The Lancet envolvendo 624 adultos e adolescentes diagnosticados com gripe, apontou que o tratamento com nitazoxanida (600 miligramas duas vezes ao dia por 5 dias) aliviou seus sintomas, ajudando-os a se recuperar mais brevemente.

Em testes de laboratório, esse medicamento também mostrou atividade antiviral contra os coronavírus, incluindo o SARS-CoV-2. Embora atualmente não haja resultados publicados sobre sua segurança ou eficácia como tratamento para a COVID-19.

Como esta medicação pode ajudar?

De modo geral, a atividade antiviral da nitazoxanida está relacionada ao modo em que ela intervém nas células humanas que os parasitas sequestram para prosperar.

Ao contrário destes organismos unicelulares, os vírus são essencialmente DNA ou RNA envolvidos em proteínas, mas há uma característica comum entre eles: a necessidade de um hospedeiro para replicar.

Os cientistas teorizam que a nitazoxanida pode ajudar a acelerar as defesas celulares que interferem na capacidade de proliferação de certos vírus, incluindo o SARS-CoV-2, interferindo assim em sua capacidade de fazer novas cópias de si mesmos dentro de uma célula hospedeira.

Pesquisas em andamento.

Uma empresa farmacêutica com sede em Tampa, na Flórida, investiga as possibilidades antivirais da nitazoxanida há quase uma década. Atualmente, eles realizam dois estudos distintos sobre o uso do fármaco na prevenção da COVID-19 e outras doenças respiratórias virais com dois grupos de alto risco: idosos que vivem em instalações de cuidados prolongados e profissionais de saúde de primeira linha.

“A prevenção é uma estratégia importante no controle de doenças infecciosas e pode ser especialmente valiosa no contexto da pandemia”, afirma o diretor médico e científico da empresa, o Dr. Jean-François Rossignol.

A Romark, farmacêutica que roda os testes, planeja realizar um terceiro ensaio clínico explorando o uso de nitazoxanida no tratamento precoce da COVID-19 e outras doenças respiratórias de cunho viral.

Cientistas envolvidos com estudos do fármaco sugerem que a combinação da nitazoxanida com o antibiótico azitromicina poderia ser potencialmente eficaz contra o coronavírus. A azitromicina é utilizada para cobrir a possibilidade de uma segunda infecção ou superinfecção, mas a droga também tem alguns efeitos antivirais.

No entanto, diante da ausência de evidências que comprovem a eficácia e segurança da nitazoxanida para a prevenção e tratamento da COVID-19, é preciso aguardar que essas novas pesquisas sejam finalizadas.

Revisado clinicamente em Agosto de 2020.

Fontes:

The New York Times. Julho de 2020. “Monitoramento de medicamentos e vacinas contra coronavírus”.

Escola de Medicina da Universidade de Michigan. 2017. “Nitazoxanida”.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Julho de 2015. “Parasitas – Giardia”, “Cryptosporidium (Crypto) e água potável de poços particulares”.

Haffizulla J, Hartman A, Hoppers M, et al. The Lancet. 2014. “Efeito da nitazoxanida em adultos e adolescentes com influenza aguda não complicada: um estudo de fase 2b / 3, duplo-cego, randomizado, controlado por placebo”.

Şimşek Yavuz S, Ünal S. Revista Turca de Ciências Médicas. 2020. “Tratamento antiviral de COVID-19”.

Romark. Abril 2020. “Romark inicia fase ensaios clínicos para COVID-19”.

Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde. Julho 2020. “Avaliação de evidências para tratamentos relacionados ao COVID-19”.

Kelleni MT. Elsevier Science Direct. Pesquisa Farmacológica. 2020. “Combinação nitazoxanida / azitromicina para COVID-19: um novo protocolo para tratamento precoce”.