O que fazer em uma emergência médica não relacionada a COVID-19?

By 19 de maio de 2020Covid 19

Especialistas afirmam que você ainda deve ligar para o 192 em casos de urgência. No entanto, para doenças menos graves, a orientação é entrar em contato com o seu profissional de saúde de referência para saber como proceder.

Consultar um médico para algo diferente de COVID-19 pode parecer assustador agora. E enquanto as pessoas têm se questionado sobre quão doentes realmente estão antes de irem para hospitais, dúvidas muito importantes estão surgindo como “Essa dor no peito é um sinal de ataque cardíaco ou algo mais simples como um refluxo? E aquele inchaço doloroso ao redor do dente? É possível ficar sem atendimento até tudo isso passar?”

Contudo é preciso saber que em casos como esses, o atendimento médico ainda está disponível e você pode (e deve) procurá-lo. “Não se preocupe se algo estiver realmente errado”, diz a Dra. Eileen Bulger, chefe de trauma do Harborview Medical Center, do Departamento de Medicina da Universidade de Washington.

Mesmo que não seja COVID-19, os riscos de não se consultar ainda podem ser altos. Afinal, existe uma chance de a dor no peito ser um ataque cardíaco e a de dente uma
infecção. Por isso, aqui está o que deve fazer se precisar procurar atendimento médico para uma emergência que não esteja relacionada ao coronavírus.

Se for uma urgência ligue para o 192

Se estiver com sintomas que te levariam a ligar para a emergência (coisas como uma lesão grave ou dor no peito) não hesite em fazê-lo agora. Essa é a atitude mais segura que pode tomar.

No entanto, é muito importante que saiba que os protocolos de atendimento e recebimento de pacientes mudaram durante esse período de pandemia. Os visitantes serão estritamente limitados ou banidos enquanto você será provavelmente rastreado para COVID-19. Essa medida é apenas para garantir que não é um portador assintomático, por isso não se preocupe. Outra norma será o uso de máscara.

Muitos hospitais em todo o país viram uma queda nas admissões por AVC durante o surto. O Hospital Yale New Haven, por exemplo, registrou uma queda de 60 a 80%, e isso não é diferente com as demais instituições de saúde.

Também não quer dizer que menos pessoas estejam sofrendo derrames, mas pode indicar que os pacientes estão com medo de ir aos hospitais. Especialistas dizem que é melhor acabar com esse e quaisquer outros temores.

“Os hospitais têm protocolos rígidos”, observa a Dra. Bulger. “É possível cuidar das pessoas com segurança caso tenham necessidades médicas.”

Embora algumas cirurgias eletivas ainda estejam em espera em muitos estados, as de emergência estão acontecendo. “Se entrar em um hospital com risco de vida e precisar ser operado, isso irá acontecer”, acrescenta Bulger.

Se não for algo urgente, ligue para o seu médico

Agora, se sua doença não exigir serviços de emergência imediatos, entre em contato com seu médico ou outro profissional de saúde que te atenda regularmente. Essas são as pessoas mais indicadas para realizar a avaliação do tipo de acolhimento que precisa.

“A maioria dos médicos de atenção primária estão realizando consultas via chat ou videoconferências. É a chamada Telemedicina. Essa medida é muito importante para ajudar a reduzir o risco de pacientes infectados espalharem o vírus ou aqueles livres da doença, não o pegarem. Nesta nova modalidade de atendimento os médicos podem analisar seu caso e dar conselhos de como proceder.”

Mas se você não tiver um profissional de referência à disposição, entre em contato com sua seguradora. Ela entregará uma rede credenciada que estará apta para atendê-lo. Em muitos casos, o próprio aplicativo da operadora já traz essa informação, além de disponibilizar atendimento via telemedicina, dentre os serviços lá ofertados.

Contudo, se consultas por videoconferência não estiverem cobertas pelo seu plano ou não tiver como pagar, procure na internet instituições que ofereçam atendimentos virtuais gratuitamente. Agora, caso esteja receoso em utilizar o serviço, não fique. Desde o início do surto, essa modalidade já registrou um aumento de até 2.000%.

Ligue para o seu dentista

Se está com dor de dente, entre em contato com seu dentista para ter certeza que não se trata de nada grave. Confira com ele os tipos de serviços que estão realizando atualmente ou até se deve procurar tratamento neste momento.

Alguns atendimentos como visitas de rotina, limpeza, exames regulares, clareamento dos dentes e tratamento de cáries não dolorosas foram adiados, mas existem outros
que são considerados casos urgentes e estão funcionando normalmente. Veja a lista abaixo:

Sangramento que não para;
Inchaço doloroso na boca ou ao redor;
Dor no dente, múltiplos dentes ou no maxilar;
Infecção gengival com dor ou inchaço;
Tratamento pós-cirúrgico (troca de curativos, remoção de pontos);
Dente quebrado;
Ajuste de prótese para pessoas que recebem radiação ou outro tratamento para câncer;
Biópsia de tecido anormal.

Assim como um médico de cuidados primários pode avaliar os próximos passos por telefone ou vídeo, os dentistas também estão consultando virtualmente seus pacientes e somente em casos de urgência indicam a ida ao consultório.

Revisado clinicamente em Maio de 2020.

Fontes:
Kevin Sheth. Washington Post. 9 de abril de 2020. “As internações por acidente vascular cerebral parecem ter caído, diz um médico, um possível sinal de que as pessoas têm medo de procurar ajuda crítica”.
Matthew Finnegan. Mundo de computador. 27 de abril de 2020. “A telessaúde cresce em meio à crise da COVID-19; o cuidado virtual chegou para ficar”.
Universidade de Washington. 13 de abril de 2020. “Novas admissões de pacientes para se submeter ao teste COVID-19”.
American College of Radiology. 1 de maio de 2020. “Estados com orientação de procedimentos médicos eletivos em vigor”.
American Dental Association. “Consultas odontológicas e COVID-19.”