Vacina de Oxford ainda está em fase de testes, mas já é promessa.

By 11 de agosto de 2020Covid 19

Pesquisadores anunciam resultados bastante animadores de acordo com os testes realizados até o momento. Descubra o que acontece a seguir.

Existem mais de 165 vacinas experimentais contra a COVID-19 em desenvolvimento no mundo todo, mas uma delas, em particular, tornou-se uma das principais concorrentes na corrida global para impedir a propagação do coronavírus.

Desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, a vacina chamada AZD1222 desencadeou “respostas imunológicas robustas” entre os participantes dos ensaios clínicos em estágio inicial. As primeiras descobertas, publicadas em 20 de Julho de 2020 na revista científica The Lancet, revelaram que a vacina originou um aumento na produção de anticorpos (proteínas no sangue que ajudam a combater infecções) e uma resposta das células T, que auxiliam o corpo a se proteger de doenças.

O estudo randomizado de Fase I e II incluiu 1.077 adultos saudáveis ​​entre 18 e 55 anos. Os cientistas deram a vacina experimental a 543 pessoas. Destes, 533 receberam dose única e 10 duas doses da AZD1222 com um mês de intervalo.

A eficácia da vacina experimental foi avaliada contra uma vacina conjugada meningocócica que serviu como controle. Somente os pesquisadores sabiam qual tratamento os participantes recebiam.

Os ensaios mostraram que 91% dos participantes estudados tiveram resposta de anticorpos neutralizantes com uma dose da vacina. 100% daqueles que receberam a dose de reforço apresentaram contrapartidas imunológicas. Também foi induzida uma resposta das células T em todos os membros monitorados, que foi mantida dois meses após a injeção.

Como a vacina funciona?

A vacina de Oxford usa um tipo inofensivo de vírus para fornecer instruções biológicas para o corpo sobre como combater a COVID-19.

O vetor viral utilizado é baseado em uma versão enfraquecida de um adenovírus, conhecido por causar um resfriado comum em chimpanzés e que contém o material genético utilizado pelo SARS-CoV-2 para invadir as células.

As vacinas de vetores recombinantes, como o AZD1222, agem como uma infecção natural, o que significa que podem ser particularmente eficazes no ensino do sistema imunológico sobre como combater microrganismos. Após a imunização, a proteína utilizada pelo SARS-CoV-2 para se proliferar é produzida, o que estimula o sistema imune a atacar a COVID-19 caso algum dia o contágio aconteça.

A vacina é segura?

O vírus que causa o resfriado comum nos chimpanzés foi geneticamente modificado para se “parecer” mais com o SARS-CoV-2. Essas alterações, no entanto, não são capazes de ocasionar infecções em humanos.

Os resultados iniciais do estudo mostraram que o AZD1222 apresenta efeitos colaterais leves a moderados, incluindo dor, sensação de febre, calafrios, dor muscular, dor de cabeça e mal-estar. Contudo, essas reações foram amenizadas com acetaminofeno. Não foram relatados efeitos negativos graves.

Quais os próximos passos?

Embora esses resultados sejam promissores e mostrem que a vacina induziu uma reação no organismo, ainda são necessários estudos muito maiores da Fase III para determinar se o AZD1222 realmente fornece imunidade contra a COVID-19.

Tais ensaios já estão em andamento no Reino Unido, Estados Unidos, Brasil e África do Sul.

A AstraZeneca anunciou, entretanto, que já concluiu acordos para a produção de pelo menos 400 milhões de doses de AZD1222 e tem capacidade para fabricar um bilhão. A empresa diz que espera começar as primeiras entregas até o final de 2020.

Em 06 de Agosto, o presidente Jair Bolsonaro assinou, em cerimônia no Palácio do Planalto, uma medida provisória que libera R$ 1,9 bilhão para viabilizar a produção de 100 milhões de doses da vacina experimental.

A abertura desse crédito segue agora para análise do Congresso Nacional, que terá até 120 dias para aprová-lo. Por se tratar de uma medida provisória, o dinheiro será liberado apenas após publicação no Diário Oficial da União.

A intenção do governo com a medida é iniciar uma campanha de vacinação ainda no primeiro trimestre de 2021 caso a eficácia seja comprovada.

Revisado clinicamente em Agosto de 2020.

Fontes:

The New York Times. Julho de 2020. “Monitoramento de medicamentos e vacinas contra coronavírus”.

Pedro M. Folegatti, MSc; Katie J. Ewer, PhD; Parvinder K. Aley, PhD, et al. The Lancet. Julho de 2020. “Segurança e imunogenicidade da vacina AZD1222 (ChAdOx1 nCoV-19) contra o SARS-CoV-2: um relatório preliminar de um estudo controlado de fase 1/2, único cego, randomizado”.

AstraZeneca. “A vacina contra a COVID-19 AZD1222 mostrou respostas imunes robustas em todos os participantes do estudo de Fase I / II”.

Organização Mundial de Saúde. “Imunologia vacinal”.

AstraZeneca. “A AstraZeneca avança na resposta ao desafio global contra a COVID-19 ao receber os primeiros compromissos para a potencial nova vacina de Oxford”.

Universidade de Oxford. “O teste da vacina de Oxford começa no Brasil.”

AstraZeneca. “A AstraZeneca fornecerá à Europa até 400 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 sem lucro”.

Congresso em Foco. 06 de Agosto de 2020. “Governo libera R$ 1,9 bilhão para produção de vacina contra COVID-19 “.