Dia mundial da luta contra a AIDS: ações para a saúde pública

1 de dezembro de 2021

Mais um dezembro chega, e esse mês se inicia com uma data muito importante: o Dia Mundial da luta contra a AIDS. A relevância desse tema é tão grande que o Ministério da Saúde criou a campanha do Dezembro Vermelho para promover ações que visam alertar a população para atitudes de prevenção e combate à AIDS.

A seguir, vamos relembrar a trajetória do combate à AIDS no Brasil e no mundo, assim como a importância das estratégias de prevenção e o tratamento dos pacientes. Abordaremos também algumas ações que os órgãos públicos podem realizar para ter bons resultados nessa campanha. Acompanhe!

O que é o Dia Mundial da luta contra a AIDS?

Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1988 como o Dia Mundial da luta contra a AIDS, o dia 1º de dezembro foi escolhido como uma data para impulsionar o combate e a prevenção a AIDS em todos os países. O objetivo é incentivar órgãos de saúde a intensificar campanhas de esclarecimento à população sobre essa doença.

Assim como outras doenças crônicas, a AIDS requer detecção precoce, tratamento contínuo e realização de acompanhamento médico. Por ser uma Síndrome de Imunodeficiência, ela facilita o desenvolvimento de doenças oportunistas que podem levar o paciente a óbito.

Atualmente, há mais de 43 milhões de infectados pelo HIV no mundo, e as mortes em decorrência de complicações associadas à AIDS ultrapassaram 1,5 milhão em 2020, segundo a OMS.

Se por um lado podemos comemorar que sua prevenção e controle se tornaram possíveis com o uso de medicamentos desenvolvidos nos últimos anos, por outro, há um aspecto negativo: o enorme preconceito contra os portadores do vírus HIV.

Esses aspectos tornam importante a criação de uma data que fomente as campanhas de apoio aos que desenvolveram a AIDS e de estímulo à compreensão de que o HIV é um problema de saúde pública global.

Qual é o contexto histórico da AIDS no mundo?

No final dos anos 1970, quando a AIDS surgiu, havia poucas informações a respeito do vírus, e um número enorme de casos e mortes ocorreram nos primeiros anos. Essa primeira fase originou vários preconceitos que, infelizmente, persistem até hoje.

Os grupos populacionais onde eclodiram os primeiros casos ficaram marcados como sendo os “grupos de risco” ou “5H — hookers (prostitutas, em inglês), homossexuais, heroinômanos (viciados em heroína), hemofílicos e haitianos”. Desse modo, entendia-se que contrair a AIDS era uma espécie de punição àquele “tipo de pessoa”.

Com o tempo e após muitos estudos, concluiu-se que não existem “grupos de risco”, e sim comportamentos de risco. Saber sob quais circunstâncias é possível contrair o HIV permite às pessoas não somente se prevenir, mas também não ter receio do contato com os portadores.

Em 2016, em um dos eventos paralelos à Assembleia Geral da ONU, os países se comprometeram com as metas 90-90-90. O objetivo é levar a testagem e o tratamento antirretroviral a pelo menos 90% dos portadores do HIV. Com essa cobertura, espera-se reduzir a carga viral em 90% desses pacientes a níveis indetectáveis. É importante ressaltar que carga viral em níveis indetectáveis diminui muito as chances de ocorrer a contaminação de outras pessoas.

Como tem sido o combate à AIDS no Brasil?

Desde que entrou em vigor a Lei n.º 9.313/1996, o Governo distribui gratuitamente para portadores de HIV os medicamentos para o tratamento antirretroviral. Além disso, a partir de 2016, foi criada uma rede nacional de laboratórios para monitoramento da carga viral com testes rápidos e gratuitos.

A implementação desses programas fez com que a epidemia de AIDS pudesse ser considerada estável em nível nacional. Quanto às metas 90-90-90, o Brasil também pode ser considerado um caso de sucesso. Dos portadores do HIV, 88% tem acompanhamento regular de sua carga viral, dos quais 78% seguem o tratamento. Desses, 94% apresentam níveis indetectáveis do vírus.

Por que a saúde pública deve investir em ações de prevenção e conscientização sobre a AIDS?

Até agora, a AIDS não tem cura. Os medicamentos permitem apenas o controle do quadro e uma possível vacina ainda está em desenvolvimento. Contudo, os portadores de HIV quando aderem ao tratamento têm uma sobrevida maior e com melhor qualidade.

Esses avanços fizeram com que nos últimos anos os jovens não dessem a devida importância aos cuidados preventivos, como uso de preservativos. Nos últimos anos, pôde-se observar um aumento considerável no número de casos na faixa-etária de 15 a 24 anos e uma prevalência na população masculina.

O diagnóstico tardio permite que a infecção viral evolua e a imunossupressão abra caminho para outras infecções oportunistas. O desenvolvimento dessas doenças prejudica a qualidade de vida do paciente e leva a infecções de outros indivíduos por esses outros patógenos.

Dentre essas, leishmaniose, herpes-zoster, tuberculose, candidíase esofágica, meningite criptocócica, neurotoxoplasmose, entre outras. Nesses casos, é crucial uma boa experiência do paciente, tanto na atenção primária quanto em eventuais internações.

Quais as ações mais importantes a serem adotadas na saúde pública para o Dia Mundial da luta contra a AIDS ?

Aqui vão algumas sugestões para a realização da campanha Dezembro Vermelho:

  • veiculação de campanhas publicitárias nos meios de comunicação e nas mídias sociais;
  • iluminação de prédios com luzes na cor vermelha;
  • distribuição de laços vermelhos aos trabalhadores da saúde, já que isso pode motivar uma conversa a respeito do tema;
  • criação de ações educativas em escolas de ensino médio, com linguagem voltada para o público jovem;
  • realização de eventos e palestras (uma solução interessante é a exibição gratuita de filmes em que os personagens são afetados pela AIDS, seguida de roda de conversa);
  • direcionamento de parte das ações para a saúde do homem, sem excluir o restante da população da campanha de conscientização.

O Dezembro Vermelho deve ter como objetivo oferecer informações claras que levem a população a procurar as unidades de saúde. É muito importante diminuir o preconceito das pessoas diante da possibilidade do diagnóstico.

Agora que você já sabe a relevância do Dia Mundial da luta contra a AIDS e tem várias sugestões para desenvolver o Dezembro Vermelho na sua secretaria, que tal se manter sempre bem informado conosco? Nos siga no LinkedIn agora mesmo!

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