Gastos com doenças não acompanhadas no SUS: entenda os dados

4 de outubro de 2021
doenças não acompanhadas no SUS

Gastos com doenças não acompanhadas no SUS causam alguns prejuízos muito difíceis de mensurar, pois implicam sofrimento humano e são subjetivos. Assim, prejudicam o atendimento humanizado, a qualidade de vida e a saúde da população.

Ao mesmo tempo, é possível avaliar com precisão os custos assistenciais e os gastos com atendimentos de urgência que poderiam ser evitados. Esses indicadores oferecem uma medida do potencial de otimização no aproveitamento de recursos, o que é essencial para melhoria de desempenho do sistema.

Nesse post, você vai ter uma noção mais precisa sobre os gastos envolvidos com algumas doenças não companhadas. Confira!

Os gastos relacionados ao diagnóstico tardio e às intercorrências não acompanhadas

Para facilitar o entendimento, separamos os dados que levantamos de acordo com algumas das principais doenças a serem acompanhadas.

Doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares estão entre as que mais matam no Brasil e no mundo, o que foi agravado pela pandemia. Segundo um estudo realizado pelas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Minas Gerais (UFMG), os índices aumentaram principalmente em localidades menos desenvolvidas. A principal suspeita de causa do agravamento é conhecida: diminuição da procura por atendimento.

Outro estudo, mais específico, afirma que 28% das mortes são causadas por doenças cardiovasculares no Brasil. Além disso, aponta para um crescimento de 17% nos custos dessas patologias, entre 2010 e 2015, alcançando, no último ano do estudo, R$ 37,1 bilhões.

A Organização Panamericana de Saúde, afirma que:

“[…] pessoas de países de baixa e média renda muitas vezes não têm o benefício dos programas integrados de atenção primária para a detecção e tratamento precoce dos indivíduos expostos aos fatores de risco.”

Essa constatação pode explicar o porquê, no levantamento efetuado pelas universidades, as regiões menos favorecidas apresentam mais mortes.

Muitas delas poderiam ser evitadas com a adoção de cuidados preventivos simples, mudança de comportamento e uso de medicamentos. Além disso, essas medidas têm efeito na diminuição de gastos, pela redução de internações de urgência, sinistralidades e custos assistenciais.

Diabetes, hipertensão e obesidade

Outro estudo de 2018 obteve, por meio dos sistemas de informação disponíveis no SUS, dados sobre os custos de atendimento para diabetes, hipertensão e obesidade. Essas condições também podem ser controladas por iniciativas de atenção primária. 

No total, foram gastos R$ 3,45 bilhões durante aquele ano, sendo:

  • 59% para tratamento da hipertensão;
  • 30% do diabetes;
  • 11% da obesidade

A faixa etária que mais contribuiu para esses gastos (72%), tinha entre 30 e 69 anos. Quanto ao gênero, as mulheres foram as mais atingidas, com 56%. Só a obesidade foi responsável por 41% dos custos totais. Novamente, há o indicativo de que políticas preventivas podem otimizar a aplicação dos recursos.

Câncer diagnosticado tardiamente

Com uma abordagem mais abrangente, um estudo divulgado pela BBC levantou o impacto do câncer na economia, considerando a diminuição da produtividade causada pela perda de vidas. Na parte do custo humano e dos tratamentos, o prejuízo anual chega a R$ 15 bilhões. A publicação também afirma que:

 “Mais de dois terços dos 8,2 milhões de mortes anuais por câncer no mundo ocorrem em países de renda média e baixa — só os Brics concentram 42% desse total, ou seja, quatro em cada dez casos. Os prejuízos às economias desses países somam US$ 46,3 bilhões (aproximadamente R$ 150 bilhões) por ano, segundo os parâmetros da pesquisa.”

Outra reportagem, dessa vez da Revista IstoÉ, divulgou um estudo feito pelo Observatório de Oncologia e pelo Instituto Avon, que apontou aumento da demora no diagnóstico de câncer entre 2017 e 2018. Específico sobre o câncer de mama, o levantamento registrou crescimento anual de 10,3%, no intervalo de tempo necessário para o diagnóstico.

Com relação aos gastos, foram registrados R$ 3,1 bilhões entre 2015 e 2019, e 61% desse total era direcionado para casos em estágio avançado, ou seja, com diagnóstico tardio. Apenas 23% dos pacientes conseguiram diagnósticos precoces, com uma participação proporcionalmente inferior nos custos, representando 15% das despesas.

A importância do investimento em ações preventivas e Atenção Primária à Saúde (APS)

Boas práticas, políticas e estratégias de gestão de saúde podem diminuir significativamente os custos humanos e financeiros da falta de atenção primária. O oposto disso — muito comum em várias regiões do país, especialmente nas menos favorecidas, como apontado pelo estudo da Organização Panamericana de Saúde —, gera aumento do estresse na saúde e compromete fortemente os recursos.

A lógica elementar de aplicação de medidas preventivas parte da simples constatação de que faltam recursos, o que limita a assistência. Por isso, o melhor aproveitamento da estrutura disponível pode salvar vidas.

Além disso, o atendimento pode ser humanizado. Em resumo, o melhor aproveitamento dos investimentos em saúde se traduz ou em melhora da qualidade de vida, de sobrevida e, em contextos mais graves, especialmente em meio à pandemia da Covid-19, na diminuição de óbitos.

A relação entre essa problemática e as soluções da Sharecare

Nossas soluções são voltadas para a gestão de saúde populacional. Elas permitem e facilitam a identificação de riscos, propondo ações específicas de acordo com as características e demandas da população atendida.

Desse modo, é possível melhorar a qualidade de vida do grupo, ao mesmo tempo que os gastos são reduzidos. É viável, por exemplo, cruzar dados sobre a utilização dos serviços de saúde para a implantação de programas clínicos de gerenciamento, como:

  • gestão de pacientes crônicos;
  • envelhecimento saudável;
  • saúde mental;
  • gestão de internados;
  • Ligue Saúde.

Por atuar nesses dois pontos-chave — melhoria do atendimento e redução de gastos —, integrando o atendimento digital (high tech) e a saúde humanizada (high touch), otimizamos os recursos disponíveis para o máximo aproveitamento, o que é fundamental para a promoção da saúde no Brasil.

Para mensurar esses resultados, desenvolvemos uma metodologia própria de cálculo de retorno de investimento em parceria com a Universidade de Harvard. Um rigoroso controle de variáveis minimiza significativamente os desvios de resultado.

Além disso, nossas soluções permitem a identificação de usuários com comportamentos prejudiciais, seja para a sua saúde, seja em contribuição para o aumento dos custos. Essa informação é levantada com base na observação de gastos acima do normal.

Desse modo, os problemas causados pelas doenças não acompanhadas no SUS podem ser minimizados com o suporte de dados. No lugar de definir estratégias com base na tentativa e erro, os gestores podem focar os problemas de maior impacto, atuando de acordo com a prioridade, que é levantada por meio de uma metodologia comprovadamente eficaz.

Entre em contato com a Sharecare e saiba qual é o retorno possível de obter na sua gestão!

Panorama sobre os custos da obesidade para o sistema de saúde brasileiro