Quais são as doenças ocupacionais mais comuns e como preveni-las?

3 de agosto de 2021
Doenças ocupacionais

De acordo com a Lei nº 8.213, de 1991, as doenças ocupacionais são aquelas adquiridas pelo profissional por conta das condições de trabalho a que foi submetido ao longo de sua carreira ou da profissão escolhida.

Isso significa que, em alguns casos, elas podem aparecer quando a empresa não cumpre com as normas regulamentadoras – por exemplo, de ergonomia em escritórios. Em outros, mesmo tomando todos os cuidados, a própria ocupação pode trazer problemas ao longo do tempo. É o caso dos trabalhadores de minas de carvão, que estão suscetíveis a doenças pulmonares devido aos agentes insalubres presentes no ambiente laboral.

Neste material, vamos listar as principais doenças ocupacionais e como elas podem ser prevenidas. Acompanhe!

Covid-19

Em setembro de 2020, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 2.309/20, em que a Covid-19 foi incluída como doença ocupacional.

No entanto, para que a Covid-19 seja considerada uma doença ocupacional, é necessário que a perícia do INSS faça essa conclusão.

Antes da perícia, os colaboradores devem ser imediatamente afastados caso apresentem algum dos sintomas, procurando ajuda médica. Aqueles que sabem que tiveram contato com algum positivado devem avisar imediatamente a empresa e receber a licença de 10 dias, ainda que não apresentem sintomas.

De acordo com os veículos de imprensa, o Brasil está a meses batendo recordes no número de casos positivos e falecimentos. Para evitar o problema, as empresas devem ter como base as orientações do Ministério da Saúde:

  • garantir a limpeza e ventilação do ambiente;
  • garantir que não falte água, sabão e toalhas descartáveis no banheiro; 
  • disponibilizar álcool em gel 70% em vários pontos do estabelecimento;
  • manter sempre higienizados objetos de uso coletivo como telefones;
  • organizar o espaço para que as pessoas consigam manter a distância mínima de 1 metro entre elas;
  • tornar obrigatório o uso de máscara de proteção em todos os ambientes.

Lesão por Esforço Repetitivo (LER)

Um levantamento feito pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) considerando dados do IBGE constatou que mais de 22 mil trabalhadores foram afastados de seus postos de trabalho com o diagnóstico de lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares (LER/Dort).

Esse número indica que mais de 11% dos benefícios concedidos pelo INSS no ano de 2017 foram resultados do problema. Indivíduos diagnosticados com LER sofrem da deterioração de nervos, músculos e tendões, provocados pelo movimento e esforço contínuos.

O mesmo levantamento aponta, ainda, os problemas mais comuns classificados como LER:

  • inflamação em uma articulação;
  • inflamação ou infecção no tecido que cobre o tendão;
  • lesões no ombro;
  • Síndrome do Túnel do Carpo.

A orientação para evitar o problema dentro da empresa é fazer avaliações ergonômicas regulares no ambiente de trabalho, corrigindo os problemas e seguindo à risca as orientações da Norma Regulamentadora 17.

Além disso, submeter os colaboradores a avaliações médicas específicas e periódicas é fundamental para identificar o problema ainda no início. A adoção de pausas durante o expediente e a prática da ginástica laboral complementam os programas preventivos, mas lembre-se que é importante fazer avaliações individuais e encontrar soluções personalizadas para cada colaborador.

Estresse no trabalho

Os transtornos mentais têm sido apontados como uma das principais doenças ocupacionais há alguns anos. Dados de 2017, do Ministério da Saúde, atribuem 9% de todos os auxílios concedidos pelo INSS ao problema. Uma reportagem de 2019 mostra que 44% dos trabalhadores afirmam ter sofrido da Síndrome de Burnout – esgotamento mental motivado pelo estresse no trabalho.

O problema é tão sério que, a partir de 2022, vai fazer parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que relaciona o problema ao trabalho ou ao desemprego.

Os transtornos emocionais acontecem quando o profissional é exposto a situações de extremo estresse, desgaste e pressão, resultando em traumas psicológicos. A estafa mental, além de trazer problemas à saúde do trabalhador, aumenta o absenteísmo no trabalho e influencia na produtividade. Quando a mente não está saudável, fica difícil ser engajado e produtivo.

As empresas devem cuidar dos seus colaboradores, proporcionando ambientes de trabalho saudáveis, um organograma completo para que não fiquem sobrecarregados e implementando políticas em que os funcionários possam ouvir depoimentos de colegas e ser ouvidos.

O Ministério da Saúde ainda faz o alerta sobre as principais condições que podem resultar na Síndrome de Burnout. Veja quais são elas:

  • assédio psicológico, sexual ou moral, seja por parte de gestores, seja por parte de colegas de trabalho;
  • cargas de trabalho excessivas, que podem ser contornadas com o controle de horas extras;
  • exclusão do funcionário dos processos de tomada de decisão, problema solucionado com estabelecimento de lideranças participativas;
  • falta de comunicação interna;
  • pedidos contraditórios ou falta de definição de funções, situações fáceis de serem resolvidas com um organograma bem delineado e descrições detalhadas de cargos e salários.

Transtornos auditivos

O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pontua os transtornos auditivos como uma das principais doenças dos trabalhadores da indústria, de aeroportos e outros locais em que o ambiente concentra muitas máquinas, com barulho constante e elevado.

A perda auditiva por exposição ao ruído acontece gradualmente e lentamente. Embora não leve à surdez total, provoca uma redução significativa e irreversível da capacidade auditiva dos profissionais.

Para proteger a audição dos colaboradores, é fundamental que as empresas disponibilizem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), cujo objetivo é reduzir o impacto dos ruídos prejudiciais ao ouvido do trabalhador. 

A importância da prevenção e do cuidado integral

Uma questão em comum entre todas as doenças ocupacionais apresentadas é que a prevenção pode minimizar a incidência dos problemas ou torna possível identificá-los ainda no início, facilitando a recuperação e evitando o agravamento do quadro.

Adotar um modelo de gestão de saúde na empresa pode otimizar esse cuidado, como é o caso das soluções oferecidas pela Sharecare – empresa que conta com o apoio da tecnologia para oferecer atenção completa em todos os níveis de saúde.

Por meio da APS digital, é possível contar com a medicina preventiva para prevenir as doenças ocupacionais – incluindo as relacionadas à saúde mental – e trabalhar nos problemas de alta complexidade. Ofereça mais saúde e qualidade de vida a seus colaboradores!