Exames em excesso: como reduzir em operadoras de saúde?

9 de agosto de 2021
Exames em excesso

Mais que inflar custos para o plano de saúde, o crescimento do uso indevido do plano de saúde e seus serviços — como a realização de exames em excesso — pode fazer mal para a saúde do usuário.

Esse é um problema conhecido há muitos anos. Em 2012, o portal gaúcho Click RBS trouxe uma matéria do gigante The New York Times explicando por que o aumento no número de pedidos de tomografia representava, também, um aumento de 10% no número de norte-americanos expostos a doses altíssimas de radiação.

Consequentemente, 1,5% dos casos de câncer dos Estados Unidos estavam relacionados a esse fato. A matéria ainda alertava sobre a importância de reconhecer esse perigo na hora de prescrever exames, destacando que um raio-x traz menos danos que a tomografia, e pode ser utilizado na maioria dos casos.

Pensando nisso, reunimos, neste material, mais informações sobre o assunto e dicas para que as operadoras de saúde possam driblar essa dificuldade. Acompanhe!

A questão do uso inadequado do plano de saúde

A Companhia Energética de Minas Gerais tem um blog destinado a informar a população sobre diversos assuntos e trouxe um dado que ilustra como os exames em excesso podem ser um problema para a saúde pública e suplementar e, até mesmo, para os pacientes.

O artigo expõe um histórico sobre o rastreio do câncer de mama em mulheres:

  • na década de 1990, a Inglaterra diminuiu a idade do programa de rastreamento de 40 para 30 anos;
  • em 2001, um estudo avaliativo sobre a redução da mortalidade não foi capaz de concluir se a mortalidade das mulheres do país diminuiu após essa mudança;
  • o mesmo estudo, embora inconclusivo em relação às taxas de mortalidade, descobriu que esse tipo de intervenção precoce levou a uma piora dos quadros clínicos.

Ou seja, além de não diminuir o número de mortes, a saúde pública continuou experimentando o aumento de custos e uso de recursos, que tiveram que ser empregados para o tratamento dos casos de piora.

Segundo a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, uma pessoa assintomática submetida a exames invasivos pode receber um diagnóstico incorreto ou ser submetida a um tratamento dispensável, o que também acontece com os cânceres de próstata e tireoide.

Para as operadoras de saúde, o uso inadequado dos seus recursos, além de aumentar a sinistralidade dos planos, pode interferir na qualidade do atendimento. Afinal, o fluxo de pacientes aumenta a fila de espera por exames, fazendo com que os usuários fiquem insatisfeitos.

3 problemas causados por exames em excesso

Além dos problemas que mencionamos até agora, separamos outros reflexos negativos que a prescrição desbragada de exames pode causar aos planos de saúde:

1. Radiação excessiva

Um dos maiores problemas de realizar exames em excesso é a exposição a agentes de radiação.

Exames de raios x e tomografia computadorizada emitem elementos radioativos para capturar imagens de alta qualidade. Quando realizados com parcimônia, não provocam danos. O problema está justamente no excesso.

Por isso, o ideal é que os médicos solicitem esses exames apenas em casos de necessidade, quando estão em busca de um diagnóstico específico ou para o tratamento e acompanhamento de doenças que exijam tais procedimentos. 

2. Aumento de custos

Os exames realizados pelo plano de saúde não são gratuitos. Demandam tempo, mão de obra, uso de equipamentos e infraestrutura, além de utilizarem insumos básicos, como energia elétrica.

Não há dúvidas de que o excesso de exames aumenta todos os custos envolvidos nessa cadeia, dificultando a gestão de saúde. Para os usuários cujos contratos são de coparticipação, a fatura vem mais alta. No caso dos clientes de plano corporativo, a situação acaba impactando a sinistralidade. Ou seja, há um desequilíbrio econômico em todas as esferas.

3. Superdiagnóstico

O Ministério da Saúde, o INCA, e outras instituições federais que trabalham no controle e auxílio de tratamento de doenças, têm recomendações precisas em relação à periodicidade de exames, considerando o perfil do paciente, seu histórico e outras condições. 

Aumentar a frequência de exames, quando não há indicações para tal, pode levar ao superdiagnóstico, cujo conceito é a realização de exames além do que é necessário. A prática afeta o sistema, gera mais custos e afeta o relacionamento da operadora com o beneficiário.

Como reduzir a solicitação de exames

A medicina trabalha com 4 tipos de medida de proteção para a saúde:

  • primária — evita ou extingue a causa de um problema de saúde antes que ele aconteça;
  • secundária — trabalha a prevenção e o desenvolvimento dos problemas de saúde em estágios iniciais;
  • terciária — está focada em reduzir os efeitos de uma doença;
  • quaternária — busca proteger o paciente de intervenções desnecessárias, excessivamente invasivas ou antiéticas.

Para que haja uma redução na solicitação de exames, é necessário que a saúde suplementar invista na educação de todos aqueles que fazem parte do seu sistema — ou seja, médicos, estabelecimentos de saúde e pacientes. 

Dessa forma, torna-se possível garantir que seja aplicada a prevenção quaternária quando os indivíduos chegam até o consultório médico sem queixas, apenas para fazer seus exames de rotina, por exemplo.

A investigação deve ser feita a partir do momento em que são verificadas alterações em exames mais simples, como o hemograma. Exames completos devem seguir as orientações do Ministério da Saúde, que estabelece a frequência adequada de exames preventivos de acordo com sexo, idade e histórico de cada indivíduo.

As ações de prevenção primária e até mesmo secundária não envolvem necessariamente a prescrição de exames. Alimentação e atividades físicas são requisitos básicos para uma vida mais saudável e longe de enfermidades e, por isso, são bons exemplos de medidas primárias.

Vale destacar que investir em tecnologia é um dos grandes aliados para o atendimento ao beneficiário, por permitir o aumento da eficiência na resolução de problemas de saúde e evitar os exames em excesso em várias esferas.

Recursos como teleconsultas, orientação médica com foco no atendimento primário e programas de coaching preventivo contribuem para promover a qualidade de vida dos usuários, que, ao adoecer menos, passam a ter menor necessidade de realizar exames.

Pensando na melhor utilização dos recursos em saúde, a Sharecare desenvolveu a APS digital.