Por Hospitalar

Em 2012, quando o Brasil vivia o boom dos smartphones, o médico Bruno Lagoeiro e dois colegas começaram a desenvolver um aplicativo para monitoramento acadêmico. Oitenta alunos foram avisados da novidade e, um mês depois, mil downloads haviam sido feitos.

“Percebemos, então, a grande oportunidade que havia ali, com cada vez mais pessoas tendo acesso a smartphones e sempre ávidas por informações”, destacou ele, hoje CEO da PEBMED, durante a palestra “De médico a CEO – como eu fugi da manada para impactar a tomada de decisão médica” do Healthcare Innovation Show 2018.

Programando nas horas vagas e depois de desenvolver vários aplicativos de saúde, em 2015 Lagoeiro e os sócios criaram o White Book, ferramenta de apoio médico que já tem mais de 300 mil profissionais e estudantes cadastrados. “Alcançamos até mesmo regiões distantes e com acesso precário à Internet, pois o aplicativo funciona offline”.

O conteúdo do White Book é produzido por especialistas que se baseiam em livros de referência e nos principais guidelines. Tem mais de 5 mil tópicos atualizados mensalmente sobre modelos de prescrição, doenças, medicamentos e manejo clínico nas mais diversas áreas, como clínica médica, pediatria, cirurgia, ginecologia e obstetrícia.

As startups e seus potenciais diagnósticos para o segmento de saúde brasileiro também foram apresentadas de outras maneiras no Healthcare Innovation Show, inclusive com um Startup Lounge do qual participaram pelo hub de inovação Cubo, apoiado pela Dasa, a Guiando, N.E.O, Kludo by Talent Matching, Docway, Cuco Health e Cerensa. Além da Victory – Excelência em Gestão de Saúde, Brasil Telemedicina, KDCARE, Solvis, TV Doutor, GesSaúde – Consultoria e Gestão, Rocket Studio, O-trek e Doc Line.

Sistema para monitorar pacientes reduz risco à saúde

Diante do ritmo acelerado que muitas pessoas têm, seja no trabalho ou em casa, ter tempo para ir ao médico tem se tornado uma “missão” quase impossível. Isso tem impacto direto no aumento de casos de infarto, AVC e até câncer que poderiam ser evitados com o diagnóstico preventivo. Pensando nisso, o Grupo Santa Celina criou o programa Gestão Saúde 360º, um modelo de gestão que organiza, integra e coordena os cuidados e serviços de saúde nas empresas.

O programa foi tema do painel “Gestão Saúde 360º – pessoas cuidando de pessoas”, apresentado por Rogério Silicani Ribeiro, superintendente médico técnico, e Ana Elisa Siqueira, sócia presidente do Grupo Santa Celina, no último dia do HIS. “Por meio da nossa Rede Cuidar, composta por uma equipe multidisciplinar entre médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, as pessoas são rastreadas, conforme o seu perfil de risco”, explicou Ribeiro.

A partir do compartilhamento do prontuário eletrônico com a equipe médica, é possível ter acesso ao histórico do paciente e da continuidade do tratamento. “Assim, temos condições de monitorá-lo”, afirma Ribeiro. Na prática, a pessoa recebe uma ligação de um consultor do Grupo Santa Celina, que irá orientá-lo sobre os exames necessários. Outra facilidade do sistema é a geolocalização das clínicas mais próximas, reduzindo bastante o tempo para agendar a consulta.

Transformações causadas pela tecnologia vão humanizar a saúde

A evolução tecnológica vai causar uma grande transformação na medicina daqui a no máximo 15 anos, e essas mudanças vão ajudar a humanizar a saúde. É o que prevê Fabrício Doré, VP Design da Mckinsey, que participou do painel “TED: Evolução Tecnológica e Inovação”, nesta quinta-feira (20), durante o Healthcare Innovation Show 2018.

Doré apontou três grandes tendências do setor no mundo. A primeira delas é o avanço tecnológico. “Os avanços em tecnologia médica estão causando uma mudança na percepção de healthcare, que se aproxima mais da indústria do consumo”, afirmou. “Cada vez mais há uma conexão entre o digital e o físico.”

A segunda tendência é a mudança nos pacientes, cada vez mais abertos a usar tecnologia e a participar ativamente de seu tratamento, fenômeno que atinge toda a população, inclusive a mais idosa. “Com o acesso à informação, há um maior desejo de entendermos sobre nossa saúde. As pessoas estão cada vez mais donas de sua própria saúde.”

Por fim, a transformação dos provedores de saúde é outra tendência. Para Doré, no mundo inteiro a saúde está sob uma pressão muito grande, e a tecnologia vai cada vez mais ajudar os provedores não só a reduzir custos, como também a salvar vidas.

“Acreditamos que nos próximos 5 a 15 anos vai haver uma explosão, uma transformação muito grande. O modelo deve sair dos hospitais, clínicas, e passará a ser mais focado no cliente, em uma visão mais da saúde, e não só da doença”, afirma o especialista. “O que é certo é que a saúde será mais personalizada, mais baseada em dados, e vai ser muito mais humana.”

Modelo preditivo de cuidado exige esforço em análise de dados e foco em paciente

A análise de dados e o uso das informações com foco no paciente são alguns dos principais caminhos para hospitais, clínicas e outros provedores de saúde se adaptarem aos novos desafios no cuidado médico. O assunto foi debatido na tarde de hoje (20/9) no painel “Mudança de paradigma no cuidado: de reativo a preditivo”, durante o Healthcare Innovation Show 2018.

O painel contou com a participação da irmã Monique Bourget, diretora técnica do Hospital Santa Marcelina e diretora da Atenção Primária à Saúde; José Augusto Ferreira, diretor de Provimento de Saúde, Unimed BH; e René Parente, líder para a área de saúde da Accenture, que foi o moderador.

Na discussão, os participantes abordaram diversas dificuldades enfrentadas no modelo atual de cuidado, como o sistema baseado no faturamento (que privilegia quantidade, e não qualidade) e a dificuldade na obtenção interpretação de dados dos pacientes.

Para os gestores, não adianta apenas ter os dados em mãos (cuidado reativo), mas usá-los para prever como será o cuidado de futuros pacientes (preditivo).  “Hoje temos um novo cliente, o paciente da era digital, acostumado com produtos e serviços que proporcionam economia de tempo e dinheiro, e oferecem segurança. É o mesmo cliente que vai para o nosso hospital”, afirmou Ferreira. “Por isso, temos que cuidar da assistência, que é o motivo que faz com que as pessoas procurem o serviço.”

As mudanças passam pela valorização do paciente no sistema e pela análise mais qualitativa de atendimento, diz Bourget. “As cobranças são por número de consultas, atendimentos, internações. Não se é cobrado em cima dos resultados, o que não provoca mudança no dia a dia. É preciso uma mudança de reflexão de como a gente atende. Precisamos repensar as nossas instituições.”

Tecnologia não é solução, é um grande suporte ao médico

Expectativas não realistas em relação à aplicação da tecnologia no segmento de saúde não ajudam o mercado, pois por si só ela não corrige processos de gestão, apenas dá um grande suporte ao médico dentro do ambiente da organização no qual ele atua. Este posicionamento foi tomado por Gustavo Gusso, diretor médico da Amparo, durante o painel “Qual o papel da tecnologia na decisão clínica?” do Healthcare Innovation Show 2018.

Os demais participantes Robert Nieves, VP of Health Informatics da Elsevier, Vitor Muniz, General Manager da Abbott Diagnostics Division – Brazil, e Marcos Cunho, superintendente executivo de Negócios da AC Camargo, além da moderadora Mariana Perroni, Medical Leader da IBM, prontamente concordaram. “Desde 2010, a literatura médica dobra a cada dois anos! E um paciente oncológico pode gerar 1 terabyte de dados num único dia. Só trabalho duro e boas intenções não garantem mais um atendimento de excelência na tomada de decisão – aí que entra o apoio tecnológico”, afirmou ela.

Robert Nieves complementou destacando que a ferramenta diagnóstica mais importante é o histórico do paciente. “Estudos demonstram que as pessoas são interrompidas a cada 18 segundos quando explicam seus sintomas ao médico, o que faz com que percam informações importantes. A tecnologia precisa apoiar um histórico vivo do paciente, que deve continuar expandindo a cada visita para aumentar as chances de diagnóstico assertivo mais rápido”.

Outros tópicos discutidos pelo grupo em relação ao papel da tecnologia no suporte clínico foram a possibilidade de personalizar mais o atendimento de acordo com dados registrados no sistema, trazer à luz intervenções menos comuns do que as do dia a dia e facilitar o acesso a predições diagnósticas em poucos cliques, entre outros.

 Healthcare Innovation Show 2018 premia empresas de destaque do setor em diversas categorias

 O Healthcare Innovation Show 2018 realizou as premiações “Referências da Saúde” e “GPTW – Saúde” para reconhecer as empresas de destaque do setor.

A “Referências da Saúde”, patrocinada pela Hermes Pardini, foi baseada em estudo realizado em parceria com a PwC que teve como objetivo retratar e destacar o grau de maturidade da gestão de negócios entre as instituições prestadoras de serviços e fontes pagadoras.

VENCEDORES

 Gestão Administrativo-Financeira

Sistema de Engenharia Clínica Hospitalar com Inteligência Artificial – Genesis

Gestão de Recursos Humanos

Telepsicologia para reduzir Sinistro Saúde, CID-F e SAT – Psicologia Viva

Gestão de Tecnologia da Informação

Tecnologia e Inteligência para Prevenção de Sequelas Neurológicas em Recém-Nascidos de Alto Risco – PBSF – Protecting Brains & Saving Futures

Governança Corporativa

PROETICA – Fleury

Qualidade Assistencial e Segurança do Paciente

Detecção de sangramento intracraniano em Tomografias de Crânio através da utilização de algoritmo de Inteligência Artificial em um Hospital Público de São Paulo –

FIDI

Engajamento e Experiência do Paciente

Desenvolvimento de uma aplicação móvel (aplicativo) para melhorar os sintomas pós tratamento quimioterápico e adesão à medicação em pacientes com câncer – Grupo Oncoclínicas

Em seguida, foram premiadas as melhores empresas para trabalhar no “GPTW – Saúde”. A premiação, patrocinada pelo Sesc, foi uma parceria da UBM Brazil com a Great Place to Work e, neste ano, as 90 melhores empresas foram divididas em sete categorias.

VENCEDORES

Clínicas

1º – Crool – Centro Odontológico

2º – Upa Palmeira dos Índios

3º – Instituto Sorrir para Vida

4º – Hiperbárica Hospitalar

5º – Hospital Humberto Castro Lima

6º – ISAC – UPA Trapiche da Barra

7º – COT – Centro Oncológico do Triângulo

8º – ISO Olhos

Farmácias e distribuidoras

1º – Comunicare Aparelhos Auditivos

2º – Supera RX

3º – Acripel Farma

4º – Grupo Elfa

5º – Clamed

6º – Farmácias Pague Menos

7º – Dental Cremer

8º – United Medical

9o – Artesanal

10º – A Nossa Drogaria

Indústria e serviços

1º – Roche Diagnóstica Brasil

2º – BSF

3º – H. Strattner e Cia Ltda

4º – Stryker

5 º – Locmed Hospitalar

6º – BD

7 º – Confiance Medical

8º – MAIS SEG – Saúde e Segurança Ocupacional

9º – Shift Consultoria e Sistemas

10º – Sharecare

11º – Funcional Health Management

12 º – Interne Home Care

Farmacêuticas

1º – Novartis

2º – Novo Nordisk

3º – Eurofarma Laboratórios

4º – Roche Farmacêutica

5º – Momenta Farmacêutica

6º – Zambon Laboratórios Farmacêuticos

7º – Novo Nordisk Produção Farmacêutica

8º – Bristol-Myers Squibb

9º – AstraZeneca

10º – Aspen Pharma

11º – Takeda

12º – AbbVie

13º – Zodiac Produtos Farmacêuticos

14º – Daiichi-Sankyo

15º – Abbott Laboratórios do Brasil

16º – Natulab Laboratório Farmacêutico

17º – Baxter Hospitalar

18º – Libbs

19º – Astellas Farma Brasil Importação e Distribuição de Medicamentos

20º – Janssen

Medicina diagnóstica

1º – Laboratório Sabin

2º – Laboratório de Análises Clínicas Vicente Lemos

3º – Grupo Infinita

4º – Centroimagem

5º – IMEB

6º – Laboratório Antonello

7º – Laboratório Bioanálise

8º – Laboratório Pretti

Planos de saúde

1º – Unimed Ceará

2º – Unimed Federação Minas

3º – Unimed Rio

4º – Unimed Litoral Sul/RS

5º – São Francisco Sistema de Saúde

6º – Unimed Sobral

7º – Unimed Fortaleza

8º – Unimed Missões/RS

9º – Unimed do Cariri

10º – Unimed Campinas

11º – Unimed Paraná

12º – Unimed de Jaboticabal

13º – São Francisco Odontologia

14º – Unimed Maceió

15º – Uniodonto Maceió-Cooperativa Odontológica

16º – Clinipam

17º – PASA

Hospitais

1º – Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos

2º – Hospital do Coração de Alagoas

3º – Hospital Israelita Albert Einstein

4º – Hospital Santa Catarina

5º – Santa Casa de Fortaleza

6º – Hospital Adventista de Manaus

7º – GRAACC

8º – Santa Casa de Rio Claro

9º – Hospital Memorial Jaboatão

10º – Hospital Regional do Cariri

11º – Hospital Norte

12º – Hospital Unimed de Santa Bárbara D’Oeste e Americana

13º – Hospital Anchieta

14º – Santa Casa de Misericórdia de Araraquara

15º – Hospital Previsão

Sobre o HIS

O HIS – Healthcare Innovation Show é o primeiro trade show de tecnologia e inovação em um espaço de mais de 4.000 m² voltado ao mercado de saúde na América Latina. São seis arenas simultâneas onde acontecem mais de 10 congressos, cada qual especialmente organizado para oferecer conteúdo de qualidade para os diferentes cargos e funções das organizações de saúde.

O evento deverá contar este ano com números que ultrapassam 3 mil participantes, 200 palestrantes e 75 empresas expositoras, além de premiações de reconhecimento das experiências inovadoras do setor.

Além das discussões executivas e estratégicas, o HIS é ponto de encontro das maiores lideranças do setor e grandes empresas e startups apresentam o que há de mais inovador e tecnológico no mercado.