Indicadores de qualidade hospitalar: conheça os principais

2 de julho de 2021

Na área da saúde, os indicadores de qualidade hospitalar são utilizados para medir a efetividade, a eficiência e a segurança dos processos realizados nessas instituições.

Nesse sentido, estão envolvidos procedimentos, condutas, recursos — estruturais ou não — e outras operações que fazem parte da rotina de um hospital. Os resultados obtidos por esses cálculos contribuem para que os gestores possam tomar as melhores decisões em relação à gestão da instituição, melhorando sua imagem, a qualidade dos serviços prestados e seu faturamento.

Conheça quais são os indicadores mais utilizados pela administração hospitalar e veja como melhorar os processos nos hospitais da sua operadora.

Taxa de ocupação

A taxa de ocupação é o indicador responsável por revelar a média de pacientes atendidos diariamente, pela quantidade de leitos de observação, berçário, pré-parto e recuperação de anestesias disponíveis daquele dia, durante um período pré-determinado.

Dito isso, a fórmula que deve ser aplicada é:

Taxa de ocupação hospitalar = (número de pacientes por dia / número de leitos por dia) x 100

Com esse indicador, é possível conhecer o tipo de leito mais usado, a faixa etária desses usuários, características do seu perfil — como sexo e endereço, se os pacientes são particulares ou vêm por algum convênio e qual o convênio predominante.

Contudo, o principal objetivo da taxa de ocupação é administrar a estrutura do hospital. Percentuais altos por longos períodos são fortes indicativos de que chegou a hora de o conselho administrativo pensar na expansão.

Os leitos bloqueados para manutenção ou por conta de isolamentos — como acontece com pacientes infectados pela Covid-19 — não entram nesse cálculo.

Tempo médio de permanência

Se a taxa de ocupação é o indicador de qualidade hospitalar que revela se a estrutura do hospital comporta a demanda de pacientes, o tempo médio de permanência evidencia a rotatividade dos leitos.

O resultado desse cálculo mostra o total de pacientes que passaram pelo hospital, ocuparam os leitos e foram liberados — seja porque receberam alta hospitalar, foram transferidos ou vieram a óbito durante o período calculado.

A fórmula de cálculo depende do porte da instituição e do perfil de internações. Em hospitais que, no geral, trabalham com internações de curta permanência, a fórmula mais indicada é:

Tempo médio de permanência = (pacientes que deram entrada por dia, em determinado período / saídas nesse mesmo período) x 100

Já para hospitais de longa permanência, usa-se:

Tempo médio de permanência = soma dos dias de internação de cada paciente no período / número de pacientes no mesmo período

Para que os cálculos expressem a realidade, é fundamental que o período escolhido seja maior que os dias de internação. Por exemplo, se o hospital tem pacientes internados há 2 meses, deve-se escolher um intervalo superior a esse tempo.

Além disso, na hora de interpretar os resultados, é preciso considerar o tipo de procedimento realizado e o perfil do paciente. Afinal, algumas situações podem exigir um tempo de internação maior do que o habitual.

Os resultados obtidos por meio dessa métrica podem indicar várias situações que prejudicam a qualidade do serviço oferecido, como o tempo médio de espera para a realização de um exame, um número recorrente de infecções hospitalares ou complicações pós-cirúrgicas.

Satisfação do paciente

De acordo com o programa CQH – Compromisso com a Qualidade Hospitalar, nos Estados Unidos, a satisfação do paciente é um dos mais importantes indicadores utilizados por centros médicos e planos de saúde.

A partir dos resultados, é possível melhorar os processos de tomada de decisão e garantir vantagem competitiva, pois a tendência é que os serviços prestados estejam mais alinhados às expectativas e ao perfil de usuários e pacientes.

Quando uma pessoa procura um serviço de saúde, ela não está apenas interessada em resolver o seu problema. A maneira como essa pessoa é atendida e acolhida é um ponto crucial para que ela avalie o atendimento de maneira positiva, indique a instituição e utilize seus serviços novamente se preciso.

O índice de satisfação pode ser medido por meio de um questionário padrão com perguntas simples, como “você indicaria nossa instituição?” ou “você nos escolheria para realizar outros procedimentos?”.

Após a aplicação do questionário, utiliza-se a fórmula:

Satisfação do paciente = (Número de questionários com respostas afirmativas à pergunta / Número de questionários respondidos) x 100

Faturamento

O cálculo do faturamento serve para que as instituições descubram as origens da sua rentabilidade. Por meio desse cálculo, conseguem determinar quantos por cento do seu atendimento vêm de convênios, quanto recebe por procedimento, entre outros parâmetros.

Essas informações são de extrema importância na hora de renovar contratos, estabelecer parcerias, adotar ações de relacionamentos, investir nos setores do hospital e em novas contratações.

A fórmula aplicada depende do critério utilizado. Por exemplo, para descobrir os convênios mais atendidos, é usado:

Faturamento por convênio = (Faturamento gerado por determinado convênio / Faturamento total) x 100

Outra situação possível: a instituição quer se tornar referência em algumas especialidades, reforçando aquelas que já são responsáveis pelas maiores fatias do faturamento, investindo em novas soluções em saúde nessas áreas.

Nessa situação, deve-se aplicar a seguinte fórmula para cada especialidade atendida:

Faturamento por especialidade = (Faturamento gerado por determinada especialidade / Faturamento total) x 100

Retorno sobre o Investimento

Por último, mas não menos importante, temos uma pergunta: Você já ouviu falar no ROI? A sigla, do inglês Return on Investiment, ou Retorno sobre o Investimento em português, representa o quanto o hospital arrecadou em relação ao que foi investido.

Todos esses indicadores de qualidade hospitalar contribuem para que esse saldo fique positivo. Por exemplo, quando as taxas de ocupação estão com altos percentuais e a instituição recebe investimento para aumentar a estrutura, é fundamental calcular o ROI e descobrir se a expansão valeu a pena.

Dentro de um hospital, o ROI pode ser calculados de várias maneiras, como:

  • atendimentos a convênios;
  • atendimentos feitos por novos médicos;
  • atendimentos por especialistas;
  • avaliação de setores;
  • internações;
  • por procedimento.

Em todos esses casos, a fórmula é a mesma:

ROI = (Faturamento – Investimento Inicial) / Investimento Inicial

Dados coletados em diferentes áreas e situações de um hospital, quando reunidos, se transformam em uma poderosa ferramenta de gestão de saúde, simplificando a relação entre as operadores e seus hospitais próprios. Os indicadores de qualidade hospitalar são um dos pilares de crescimento e sustentabilidade das instituições.

Aproveite que está aqui, conheça os indicadores de bem-estar no trabalho e saiba mais sobre o cuidado com a saúde corporativa.

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