Medicamentos contra a malária poderiam realmente ajudar no tratamento da COVID-19?

9 de abril de 2020

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há algumas evidências precoces de que medicações antimaláricas poderiam ser eficazes no controle de infecções por coronavírus.

Enquanto cientistas de todo o mundo lutam para desenvolver uma vacina que imunize as pessoas da COVID-19, um medicamento contra a malária de 85 anos, chamado cloroquina, e seu derivado menos tóxico, conhecido como hidroxicloroquina, emergiram como potenciais armas na linha de frente contra o coronavírus.

Durante coletiva de imprensa realizada na Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou que a cloroquina e a hidroxicloroquina estão entre uma série de medicações que a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), considera para a prevenção e tratamento da COVID-19.

“Estes medicamentos já são prescritos há muitos anos para as pessoas combaterem a malária, uma doença infecciosa que já causou diversos surtos de proporções epidêmicas em vários países do mundo. Esses remédios são realmente muito eficazes”, disse Trump. “Eu com certeza acho que devemos tentar.”

Embora promissora, a afirmação de que as medicações antimaláricas poderiam ajudar a proteger ou controlar a COVID-19 atualmente se baseia em evidências limitadas, alerta o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, que também é membro da Força-Tarefa do Coronavírus na Casa Branca.

“Estamos tentando encontrar um equilíbrio entre disponibilizar algo com potencial efeito para o povo, ao mesmo tempo em que o fazemos sob os auspícios de um protocolo que nos forneceria informações para determinar se é realmente seguro e verdadeiramente eficaz”, disse Fauci durante outra conferência à imprensa, apenas um dia depois da feita pelo presidente norte americano.

O que os pesquisadores descobriram até o momento?

Cientistas na França, liderados pelo médico, Dr. Didier Raoult, PhD, conduziram um pequeno estudo preliminar, publicado na Revista Internacional de Agentes Antimicrobianos (em inglês, International Journal of Antimicrobial Agents) periódico oficial da Sociedade Internacional de Quimioterapia Antimicrobiana, envolvendo 36 pacientes hospitalizados com COVID-19. Dessas pessoas, 14 receberam hidroxicloroquina, 6 foram medicadas com a hidroxicloroquina combinada com o antibiótico azitromicina e 16 pacientes tiveram o atendimento tradicional de suporte.

Cinco dias após o tratamento, 13 dos pacientes, ou 65% daqueles que tomaram apenas hidroxicloroquina, foram negativos para o vírus. Todos os 6 pacientes que receberam o tratamento duplo haviam eliminado o vírus, sugerindo que, quando combinado com azitromicina, os benefícios da hidroxicloroquina são ainda maiores. Os pesquisadores observaram ainda que apenas 3 dos 16 pacientes de controle que receberam tratamento de suporte padrão não estavam mais infectados.

A azitromicina é usada para cobrir a possibilidade de uma segunda infecção, ou superinfecção, mas a droga também pode ter alguns efeitos antivirais, apontaram os pesquisadores.

“Nossos resultados preliminares também sugerem um efeito sinérgico da combinação de hidroxicloroquina e azitromicina”, escreveram os autores do estudo, observando que a azitromicina demonstrou ser ativa em testes de laboratório contra os vírus Zika e Ebola e para ajudar a prevenir infecções graves do trato respiratório entre pacientes com infecções virais. No entanto, os pesquisadores observaram que são necessárias mais investigações sobre a eficácia da combinação de medicamentos, particularmente entre os casos graves de COVID-19.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) observou que a terapia com hidroxicloroquina e hidroxicloroquina em combinação com a azitromicina reduziu a detecção de COVID-19 em comparação com o grupo controle, mas o estudo não avaliou o benefício clínico desses tratamentos ou como eles afetaram os pacientes (sintomas, bem-estar e resultados gerais).

Embora o trabalho mostre evidências positivas, o estudo francês tem limitações, incluindo a pequena taxa amostral, a falta de acompanhamento dos resultados a longo prazo e a diferença existente nas doses de hidroxicloroquina utilizadas (o que dificulta a comparação de resultados). Suas descobertas, no entanto, são apoiadas por pesquisadores chineses que usaram testes de laboratório para mostrar que a hidroxicloroquina pode ajudar a impedir que o coronavírus entre nas células.

Com base nessas evidências, atualmente a cloroquina ou a hidroxicloroquina estão sendo utilizadas em alguns hospitais para tratar pacientes com COVID-19 internados e em estado grave. Isso está acontecendo em vários países, incluindo o Brasil.

No entanto, o fato da hidroxicloroquina ser um medicamento de prateleira, acrescenta um risco para os testes no país. Isso porque, após a divulgação desses estudos, centenas de pessoas estocaram a medicação em suas casas, sem prescrição ou orientação médica.  Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula o setor no Brasil, não recomenda o uso da cloroquina. Ela inclusive restringiu sua compra através de receitas controladas com o objetivo de limitar a aquisição indiscriminada.

As possíveis desvantagens

O FDA e o CDC apontam que são necessários ensaios clínicos maiores para avaliar a eficácia do medicamento contra o coronavírus. Nos EUA, vários ensaios clínicos de hidroxicloroquina para prevenção ou tratamento da infecção por COVID-19 estão sendo planejados. Um estudo focado no tratamento após a exposição à COVID-19, envolvendo 1.500 pessoas, já está em andamento na Universidade de Minnesota.

Embora não existam medicamentos aprovados pelo FDA para tratar, curar ou prevenir a COVID-19, o órgão reconhece que há vários fármacos aprovados para outras condições que podem ajudar a aliviar os sintomas do coronavírus. “Entendemos e reconhecemos a urgência com a qual todos estamos buscando opções de prevenção e tratamento”, disse o médico e comissário da FDA Dr. Stephen Hahn em um comunicado.

Hahn acrescentou, no entanto, que é fundamental garantir que essas medicações sejam realmente eficazes contra a COVID-19,”caso contrário, corremos o risco de tratar pacientes com um produto que pode não funcionar, utilizando assim um tempo precioso que poderia ter sido melhor aproveitado com outros tratamentos mais apropriados”.

A hidroxicloroquina também pode ter efeitos colaterais como dores de cabeça, náusea, vômito e diarreia. Ela pode ainda interferir no metabolismo do fígado e, em doses elevadas, provocar lesões na retina ocular. Raramente, o comportamento suicida também pode estar associado a este medicamento. A hidroxicloroquina pode levar a um ritmo cardíaco irregular, chamado prolongamento do intervalo QT, entre pacientes com doenças crônicas, incluindo doença renal. Também pode causar reações adversas com algumas outras medicações.

Prevenção ainda é a melhor proteção

Atualmente, a maneira mais eficaz de ajudar a conter a disseminação da COVID-19 é evitar a exposição ao coronavírus. Lavar as mãos frequentemente com sabão e água por pelo menos 40 segundos é outro método recomendado. Se você não tiver acesso a esses itens, use álcool em gel 70%. Basta utilizá-lo com frequência e corretamente.

Certifique-se ainda de que suas mãos estejam limpas antes de comer ou tocar em seus olhos, boca ou nariz, depois de usar o banheiro e enquanto estiver trabalhando na cozinha.

Outras precauções incluem distanciamento social, evitar aglomerações e ficar a pelo menos um metro e meio de distância de outros, cobrir tosses ou espirros e desinfetar objetos e superfícies comumente usados com os quais você entra em contato diariamente.

Revisado clinicamente em março de 2020.

Fontes:

Coletiva de imprensa da Casa Branca. 19.03. 2020. “Palavras do presidente Trump, vice-presidente Pence e membros da Força-Tarefa do Coronavírus”.

Coletiva de imprensa da Casa Branca. 20.03. 2020. “Palavras do presidente Trump, vice-presidente Pence e membros da Força-Tarefa do Coronavírus”.

Philippe Gautreta, Jean-Christophe Lagiera, Philippe Parolaa. “Hidroxicloroquina e azitromicina como tratamento do COVID-19: resultados de um ensaio clínico não randomizado de rótulo aberto”, International Journal of Antimicrobial Agents. Março 2020.

  1. Liu, R. Cao, M. Xu et ai. “A hidroxicloroquina, um derivado menos tóxico da cloroquina, é eficaz na inibição da infecção por SARS-CoV-2 in vitro.” Descoberta Celular. 6, 16 (2020).

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Informações para médicos sobre opções terapêuticas para pacientes com COVID-19″.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Publicação oficial 21.03.2020. “Hidroxicloroquina: orientação aos pacientes e farmácias”

Universidade de Minnesota. “Lançamento do ensaio clínico COVID-19”.

Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA). “Atualização do coronavírus (COVID-19): o FDA continua a facilitar o desenvolvimento de tratamentos.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).”Medicamentos para a prevenção da malária hidroxicloroquina (Plaquenil).”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]