Ele corre quatro vezes por semana. Faz musculação outras três. Alimenta-se com ovo cozido e batata doce como muitos jovens preocupados com o corpo. Em sua rotina, costuma alcançar a marca de 36 km aos domingos e, em abril, percorreu os 42 km da 23ª Maratona de São Paulo. Sua idade? 72 anos.

Os números não assustam Domingos José Ferreira. Se causam algum sentimento, é inspiração para ultrapassar as barreiras da idade. O aposentado começou a correr há cerca de 20 anos por acaso, sem um objetivo muito claro. “Eu sempre gostei de correr, mas até então fazia por conta e quando tinha tempo. Foi quando ouvi na rádio que ia acontecer uma maratona em Campinas e decidi me inscrever”, conta Domingos.

Na época, o maratonista tinha 52 anos e não possuía uma rotina saudável como agora, o que preocupou sua família e amigos próximos. “Antes de começar a correr, eu era relaxado na alimentação, exagerava. Pesava 90 kg, sendo que tenho 1,68 m. Por isso, arrumei atrito com a minha família e minha esposa. Achavam que eu não iria conseguir por causa da minha idade. Até então, nem eu sabia qual era meu potencial”, completa.

Domingos começou a treinar. Sem conhecimento técnico, corria 20 km durante a semana e, aos finais de semana, atingia os 40 km. Achava que precisava correr uma distância maior que a da maratona durante os treinos para ser capaz de participar. “Saí correndo feito louco, desesperado. No dia da maratona, fui muito bem e, depois disso, não parei mais. Só naquele ano, fiz quatro maratonas”, relembra.

Conforme os pés de Domingos se acostumaram com o impacto do asfalto, sua cabeça também foi se adaptando ao ambiente saudável em que entrava. Conheceu pessoas experientes, técnicos. Começou a se interessar por uma alimentação mais leve, percebeu que se sentia melhor quando dormia bem. Quando viu, estava se preocupando 100% com a saúde. Hoje, com 67 kg, Domingos evita açúcar ao máximo, não ingere gordura nem fritura, além de outras mudanças que adotou ao longo dos anos.

Há pouco menos de um ano, conheceu o Programa Sênior da Healthways, focado na população acima de 65 anos e que auxilia na adoção de hábitos para o envelhecimento saudável por meio de monitoramento de saúde e comportamentos, cuidados para prevenção de doenças, além de avaliar fatores de risco específicos da faixa etária.

Segundo o atleta, o programa passou mais segurança para os seus hábitos em relação à saúde e alimentação. “Continuo com a minha rotina, porém me sinto cada vez mais fortalecido. Se eu tiver algum problema, sei que posso ligar para o Allysson Raimundo, consultor de saúde da Healthways, e ele irá me orientar qual o melhor passo a seguir”, conta.

A saúde e disposição de Domingos surpreenderam até mesmo o consultor. “Quando iniciei esse contato, não imaginava que encontraria tanta simplicidade, força, garra e determinação. Ele me fez reconsiderar muitos conceitos e valores a cada contato”, compartilha Allysson.

Com ligações de três em três meses, Domingos compartilha informações sobre seus exames de saúde, novos hábitos que quer adotar, pede sugestões e conselhos sobre suas práticas, além de indicações sobre uma alimentação saudável. Há um ano, o corredor decidiu parar de comer qualquer alimento que fosse derivado do trigo e do leite. “Decidi cortar por conta própria e depois compartilhei com o Allysson. Ele ficou preocupado, devido a minha rotina de exercícios, mas me auxiliou na substituição por outros alimentos que suprem a falta dessas substâncias. É uma ajuda técnica muito valiosa”, conta.

A rotina de esportista, Domingos não pretende abandonar tão cedo. Com 37 maratonas de 42 km e incontáveis meias-maratonas no currículo, o corredor até pensou em definir um limite: a 23ª Maratona de São Paulo seria sua última. Porém, não enganou a família e nem a si próprio. “Maratona profissional acaba ficando difícil mesmo, mas enquanto eu aguentar, eu vou correr”, assegura.