Conheça os maiores desafios da desospitalização

By 10 de janeiro de 2020Notícias

A desospitalização deve ser um dos principais objetivos de todo o médico e gestor de saúde. Afinal, não é só uma questão logística ou de corte de custos, mas sim de qualidade de vida e bem-estar para os pacientes.

Um estudo realizado com 21.000 participantes revelou as sérias consequências do excesso de internação. Foi constatado que as chances de morbidade e mortalidade dos pacientes, por exemplo, aumenta em 140%. Além disso, a estimativa foi de que as intercorrências hospitalares resultaram em US$ 108 milhões de custos extras para os 24 hospitais estudados.

Neste artigo, apresentamos os maiores desafios da desospitalização e orientações de como superá-los. Acompanhe o conteúdo até o final e fique por dentro desse importante tema!

Preocupação com o aumento dos custos

Um dos grandes desafios da medicina é a melhoria da eficiência financeira dos serviços. A questão em jogo aqui não é a lucratividade, e sim a sustentabilidade dos sistemas em médio e curto prazo.

A hospitalização é uma das principais fontes de gastos para as operadoras de saúde, uma vez que é necessário manter uma grande equipe por leito, além de todos os medicamentos e insumos. Por essa razão, a internação deve ser reservada para os casos em que o tratamento mais intenso for realmente necessário, e ser mantida pelo menor tempo possível.

Atualmente, devido aos avanços da tecnologia, muitos cuidados hospitalares já podem ser oferecidos em casa. Alguns planos de saúde tendem a barrar essa decisão, pois ainda está muito presente a ideia de que os custos com equipamentos de home care são mais altos que os de internação. No entanto, na prática a situação não é bem essa.

As complicações de uma internação podem levar a gastos elevados e a consequências importantes para os pacientes. Um exemplo é o estudo que mostrou que há uma chance 4,48 vezes maior de desenvolvimento de injúria renal aguda no ambiente hospitalar, a qual pode levar um paciente para diálise permanentemente.

Também é possível citar outros tripos de complicações que podem ocorrer durante internações, como a presença de bactérias multirresistentes.

Falta de apoio das operadoras de saúde

É compreensível que as operadores de saúde tenham o medo de desospitalizar os pacientes. Afinal, o próprio doente e os familiares podem se sentir mais seguros estando 24 horas por dia sob supervisão médica. Além disso, existe o receio por parte dos hospitais de enfrentar uma complicação judicial.

No entanto, esses dilemas podem ser contornados pela gestão com a elaboração de uma eficiente política de desospitalização. Esta deve se fundamentar em três princípios importantes. Acompanhe!

Medicina baseada em evidências

Nos últimos 30 anos, devido aos casos de infecções hospitalares e ao crescimento dos males decorrentes dos atos médicos (iatrogenia), há uma preocupação com indicações mais precisas da necessidade de internação.

A política de desospitalização, portanto, deve ser baseada em evidências. É importante que toda a instituição seja orientada para ter atenção aos principais guidelines de manejo de doenças. Nesse contexto, torna-se fundamental elaborar protocolos clínicos e garantir a adesão dos profissionais a eles.

Isso previne grande parte dos problemas de relacionamento com doentes e familiares e até mesmo de situações judiciais. Afinal, dessa forma, fica mais fácil comprovar que a opção pela desospitalização é tomada visando prioritariamente o bem-estar do paciente, e não a redução de custos, como pode-se pensar em um primeiro momento.

Decisão compartilhada

Como mencionado anteriormente, é comum que a família e o paciente fiquem inseguros com a opção pela desospitalização. Por isso, o recomendado é que essa decisão seja tomada de maneira compartilhada.

É importante que a equipe médica esclareça todos os envolvidos sobre a necessidade e a pertinência de adotar tal protocolo, sempre deixando claro que o principal objetivo é o bem-estar do enfermo.

Também é fundamental que seja esclarecida a responsabilidade com o cuidado residencial, já que é preciso seguir todas as prescrições para evitar reinternações ou complicações.

Tecnologia

Hoje em dia, há muitos equipamentos que permitem um suporte em residência, como respiradores, CPAPs etc. Mas a grande evolução virá da utilização das análises de dados para ajudar na tomada de decisão e no monitoramento do paciente.

Atualmente, há serviços especializados na alta hospitalar. Eles ajudam na identificação dos indivíduos com maiores chances de complicações e readmissão e fazem um acompanhamento mais próximo com medidas de:

  • compreensão e execução do plano de tratamento pelos cuidadores, familiares e pacientes;
  • identificação de sinais de agravamento e reconhecimento de novos sintomas;
  • melhoria da percepção sobre sinais de alerta para autocuidado com a saúde;
  • recomendações e apoio ao cuidador;
  • avaliação de necessidades específicas e apoio na busca de soluções.

Falta de apoio da família do paciente

A visão do senso comum de que um paciente internado é sempre mais bem cuidado que em home care já está ultrapassada.

Como mostramos ao longo deste artigo, educar o paciente e a família, enfatizando os pontos positivos de não manter um doente internado por muito tempo, é o melhor caminho para ganhar apoio das partes que mais importam em um tratamento.

Com essas ações de engajamento e muita informação, é possível mostrar os benefícios da desospitalização e instruir em relação às melhores práticas de cuidados na residência.

Necessidade de infraestrutura

A estrutura de home care pode, em alguns casos, ser bastante extensa. Por isso, é fundamental que os planos de saúde repensem suas políticas e desenvolvam uma infraestrutura própria ou terceirizada para auxiliar os pacientes.

De toda forma, é necessário ter em mente que, mesmo com a necessidade de se fazer um investimento desse tipo, o retorno em longo prazo é positivo tanto para os pacientes, quanto para as instituições . Afinal, é muito mais prejudicial do ponto de vista financeiro ter um leito hospitalar ocupado por um doente em situação estável.

Para concluir, não podemos deixar de enfatizar a responsabilidade de um processo de desospitalização. Por isso, o ideal, além de fazer a educação de todas as partes, é contar com canais de atendimento rápido, para orientações em casos de dúvidas ou eventuais complicações. Todos os envolvidos precisam ter em mente que o home care não é a transferência total dos cuidados, e sim um compartilhamento da atenção à saúde.

São muitos os desafios enfrentados na área de saúde. Quer saber os impactos que o envelhecimento da população vai gerar nos sistemas de saúde nos próximos anos? Então, não deixe de conferir o post Envelhecimento populacional: o que você precisa saber sobre o assunto!

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