Saiba como diminuir internações e usufrua dos ganhos dessa prática

By 16 de outubro de 2019Notícias

As empresas de plano de saúde enfrentam muitos desafios atualmente por conta da perda de beneficiários e também do aumento dos custos, que cresceram cerca de R$ 49 bilhões entre 2012 e 2017, segundo estudo da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp).

Desse valor, 70% diz respeito ao aumento do uso do plano de saúde pelos beneficiários. No período, os procedimentos realizados por usuário passaram de 21,1 ao ano para 28,1. Além disso, os exames subiram 6,9%, as consultas, 2% e as internações, 1,4%. A questão é que, muitas vezes, os procedimentos são desnecessários e, mesmo assim, acabam sendo solicitados, o que onera as empresas de convênios médicos.

Neste post, vamos tratar especificamente de maneiras de diminuir internações e, dessa forma, garantir um equilíbrio financeiro para as empresas e um atendimento de melhor qualidade ao paciente. Confira!

Desospitalização

O primeiro ponto é fazer um movimento de desospitalização. Como a própria palavra indica, a ideia é reduzir o tempo do paciente no hospital — a fim de diminuir as internações. É claro que há casos em que não existe outra solução, a não ser manter a pessoa com todos os cuidados de uma unidade hospitalar, mas há situações em que é possível fazer o atendimento em casa.

É a chamada humanização hospitalar. Quando o paciente tem a possibilidade de continuar o atendimento em casa, ao lado das pessoas com as quais convive, ele se sente mais acolhido e seguro, o que pode, inclusive, aumentar as chances de sucesso de um tratamento. Sem contar que, dessa forma, os riscos de infecção hospitalar diminuem, assim como os níveis de estresse e ansiedade.

A desospitalização ainda é uma questão delicada a se tratar, pois, no modelo padrão de remuneração com os prestadores de serviço, o reembolso de hospitais aumenta na medida em que são realizados mais procedimentos — como exames, cirurgias e uso de materiais médicos —, o que incentiva um maior tempo de internação.

Outro entrave é que, para muitas famílias e acompanhantes, ainda é difícil aceitar que o melhor tratamento possível possa ser oferecido em casa, já que existe o medo de que ocorra alguma complicação.

Ainda assim, é importante que as operadoras direcionem seus esforços para a desospitalização, no intuito de oferecer um atendimento mais humanizado e seguro aos seus usuários, reduzindo, também, os gastos com procedimentos desnecessários.

Investimento em tecnologia

Para ter êxito com a desospitalização e, consequentemente, com a redução do tempo de internação, é importante, além do atendimento domiciliar, o investimento em tecnologia.

Com a telemedicina, por exemplo, o médico consegue fazer um acompanhamento remoto de pacientes que ainda necessitam de cuidados, mas não precisam ficar internados. A prática está regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) na Resolução nº 2.227/18.

Com isso, os médicos estão autorizados a realizar consultas online e também o telediagnóstico, tudo de forma rápida e fácil, pois é só contar com um dispositivo como notebook, tablet ou smartphone.

Gestão em saúde

Para diminuir as internações, é necessário ainda que a empresa faça uma boa gestão em saúde. Para isso, é imprescindível investir em tecnologia e, assim, fazer uma análise detalhada dos dados para conhecer os usuários e, desse modo, detectar seu perfil de saúde.

Essa análise vai permitir entender os hábitos das pessoas e intervir de modo que elas passem a fazer a prevenção em saúde. Vamos imaginar um indivíduo com histórico familiar de doenças cardiovasculares, que não realiza o check-up médico nem tem um estilo de vida saudável. Ele é um forte candidato a ter complicações, ficar internado e realizar uma série de procedimentos que poderiam ser evitados.

Dessa maneira, o uso de recursos, como a inteligência artificial, vai permitir que a empresa de plano de saúde acompanhe mais de perto seus beneficiários e trabalhe com programas específicos para cada grupo. Para o exemplo acima, a empresa pode enviar alertas de que está na hora de fazer exames cardiológicos ou ainda sobre a necessidade de realizar atividades físicas.

Dessa maneira, há um foco na prevenção e na qualidade de vida do paciente, reduzindo as chances de internação e gastos mais elevados para a organização.

Treinamento de equipe

A operadora também pode oferecer treinamento aos profissionais de saúde, para que os processos sejam padronizados e boas práticas de atenção ao paciente sejam adotadas. É necessário implementar uma cultura de só realizar a internação caso ela seja realmente indispensável. Ou melhor: de somente cogitar a internação quando fazer o tratamento em casa for inviável ou oferecer riscos ao paciente.

Com essa mudança de postura, as equipes de saúde passam a disponibilizar um atendimento mais humanizado, de modo a acolher e dar uma atenção integral ao paciente, e não somente focar em seu problema de saúde.

Rediscussão do modelo de remuneração dos prestadores de serviço

Por fim, é necessário que o modelo de remuneração fee-for-service — padrão adotado no Brasil — seja rediscutido, pois é um formato que abre espaço para a realização de procedimentos desnecessários, desperdícios de materiais médicos e até períodos maiores de internação.

Há outras alternativas de modelo, como o DGR, sigla para Diagnosis Related Group, ou Grupos de Diagnósticos Relacionados, já adotado nos Estados Unidos e Alemanha. Nele, há uma classificação dos pacientes segundo o diagnóstico e uso dos insumos médicos. A partir disso, a remuneração ao hospital é feita de acordo com o perfil clínico do paciente e com o conjunto de serviços prestados — e não pela quantidade de procedimentos realizados ou de materiais utilizados.

Para garantir a sustentabilidade das operadoras de plano de saúde, é preciso lidar com vários desafios, como diminuir internações e outros procedimentos dispensáveis. Nesse ponto, focar na desospitalização e no entendimento do perfil de saúde dos usuários com uma boa gestão de saúde vai gerar resultados positivos.

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