É seguro sair de casa durante o surto de COVID-19?

By 20 de outubro de 2020Covid 19, Notícias

Muito tem se falado sobre o distanciamento social para ajudar a reduzir a disseminação do coronavírus. O governo está pedindo às pessoas que não se aglomerem, as empresas estão incentivando seus colaboradores a trabalharem de suas casas, bloqueios em estradas e fronteiras estão sendo montados e, para onde quer que olhemos, mensagens como “fique em casa e salve vidas” estão sendo divulgadas. No entanto, mesmo com a preocupação do vírus, ficar dentro de casa pode parecer uma tarefa bastante assustadora. E agora? É seguro sair? E se for preciso ir à farmácia ou mercado? Posso me exercitar ao ar livre?

Existem inúmeras perguntas sobre o que é ou não seguro fazer, e conforme as autoridades científicas aprendem mais sobre o vírus, mais informações circulam, tornando muitas vezes difícil saber como proceder. Aqui está o que sabemos.

O que significa distanciamento social?

As mídias utilizam muitos termos diferentes para descrever o que você deve fazer, o que pode tornar as coisas um pouco confusas. Isolamento, quarentena, auto quarentena, distanciamento social são apenas alguns dos nomes que aparecem regularmente nos jornais, na internet e na TV. Geralmente, eles são usados ​​de forma intercambiável, mas realmente não deveriam ser. Aqui está um rápido resumo do significado de cada expressão:

Isolamento: Esta é uma medida de saúde pública usada para impedir a propagação de doenças. Envolve separar uma pessoa que já está infectada com a doença do restante da sociedade.

Quarentena: Como o isolamento, esta é uma medida de saúde pública usada para impedir a propagação da doença. Aqui no Brasil foi declarada a quarentena em alguns estados, incluindo São Paulo. O decreto prevê o fechamento de estabelecimentos comerciais que não estejam entre os serviços essenciais e recomenda que a circulação de pessoas no estado se limite às necessidades imediatas de alimentação, cuidados de saúde e exercício de atividades essenciais.

No âmbito da saúde, no entanto, o conceito de quarentena é um pouco diferente. Continua sendo uma medida de saúde pública usada para impedir a propagação da doença. A diferença está na restrição da circulação, que neste caso, visa separar uma pessoa que foi exposta ao vírus do resto da sociedade. Não é possível saber ainda se a pessoa em quarentena está ou não infectada.

Auto quarentena: A ideia por trás deste conceito é a mesma da quarentena no âmbito da saúde. No entanto, a auto quarentena não é obrigatória. Se você acha que foi exposto à doença, é altamente recomendável que se coloque em quarentena para evitar a possível propagação do vírus.

Distanciamento social: O distanciamento social não exige necessariamente que você fique em um lugar, apenas que fique longe de outras pessoas. Envolve evitar multidões e permanecer a pelo menos um metro e meio de distância de outros.

Então, posso ir lá fora?

Se você estiver isolado ou em quarentena médica, a resposta simples é não. Nestas situações você só deve sair em caso de emergência. Se a orientação em sua cidade for a de restrição da circulação, como no decreto firmado pelos estados, deve realmente sair de casa apenas por razões essenciais, como a compra de alimentos se ficar sem comida ou em caso de emergência.

No entanto, se você está tentando acompanhar as chamadas dos noticiários para praticar o distanciamento social e “achatar a curva”, há algumas coisas a serem consideradas.

A primeira coisa a se pensar ao decidir ir para fora é se manter saudável. Apenas estar fora, por si só, não é perigoso. Apesar disso, é preciso ter cuidado com as pessoas com quem entra em contato e com as coisas em que toca. O SARS-CoV-2, o vírus que causa o COVID-19, se espalha de pessoa para pessoa. Isso significa que entrar em contato com outros é uma maneira de contrair a doença. Como resultado, é recomendável que você fique a pelo menos 1 metro e meio de distância de qualquer outra pessoa o tempo todo.

Os coronavírus, em geral, também são capazes de sobreviver fora do corpo. Com base em um estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) estima que o SARS-CoV-2 possa viver em cobre por até quatro horas, em papelão por até 24 horas e em plástico e aço inoxidável por 48 a 72 horas. Isso significa que, se uma pessoa infectada tocar em uma maçaneta, o vírus ainda poderá estar presente no objeto de dois a três dias depois do contato. Ele também pode permanecer no ar depois que uma pessoa infectada sai de uma sala, por aproximadamente 3 horas, mas não está claro ainda em que quantidade isso ocorre nem se o vírus encontrado tem capacidade de causar a doença.

O que isso significa para você?

Enquanto estiver longe de outras pessoas e não tocar em objetos públicos, é seguro sair. No entanto, sabemos que é muito difícil garantir essas medidas de proteção se estiver passeando ou se exercitando por aí.  Se acidentalmente você tocar em maçanetas, botões de elevador ou qualquer outra coisa, mesmo que não haja mais ninguém por perto, pode estar correndo o risco de se infectar. É por isso que as autoridades estão sendo tão rigorosas nas restrições de circulação.

Outra coisa que você precisa pensar antes de sair é manter outras pessoas saudáveis. O COVID-19 provou ser muito eficaz na propagação. Além disso, nem todos aqueles que estão infectados apresentam os sintomas da doença, tornando possível espalhar o vírus antes mesmo que os primeiros sinais da infecção apareçam. Isso significa que você pode estar contaminado e nem saber, o que também significa que você pode espalhar o vírus para outras pessoas quando sair. No momento, estima-se que, em média, cada indivíduo infectado repasse o vírus para duas ou três outras pessoas.

Esta é a razão pela qual existem tantas chamadas para que as pessoas fiquem em casa. Ao limitar suas interações com o mundo exterior, você está potencialmente impedindo a propagação da doença. Ao ficar em casa, você está ajudando a “achatar a curva” para que o sistema de saúde não fique sobrecarregado.

Revisado clinicamente em março de 2020.

Fontes:

Decreto 64.881 assinado pelo governador João Doria (PSDB), publicado no Diário Oficial de 23.03.2020.

Anthony S. Fauci, MD, H. Clifford Lane, MD, e Robert R. Redfield, MD “COVID-19 – Navegando no desconhecido”. New England Journal of Medicine. Fevereiro de 2020.

Nações Unidas. “Emergência coronavírus: eis o que sabemos até agora”.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Coronavírus 2019 (COVID-19): Prevenção e tratamento.”