Entenda 5 benefícios da gestão de dados para a saúde populacional

By 7 de agosto de 2020Notícias

gestão de dados

Segundo Peter Drucker, renomado administrador austríaco, “o que é mensurado melhora”. Essa frase sintetiza com elegância e simplicidade outro conceito, também cunhado com a ajuda de Drucker: o da Era da Informação. No momento histórico em que estamos inseridos, a gestão de dados ganhou proporções nunca antes imaginadas. E a saúde não está fora desse conceito.

Estamos cercados por dados a todo momento na medicina: seja na prescrição de um novo medicamento, na adoção de uma tática cirúrgica ou na gestão de vários pacientes em uma rede assistencial. Por esse motivo, é fundamental saber como analisar, armazenar e cruzar um volume crescente de informações.

Por isso, abordaremos com destaque neste artigo a gestão de dados. Ao final, você saberá o que é esse conceito, como aplicá-lo da melhor maneira possível e quais os seus benefícios, especificamente na saúde populacional. Continue lendo para saber mais.

O que é gestão de dados

Para compreendermos o conceito e sua importância, precisamos voltar à Segunda Guerra Mundial. Após o seu término, quando os soldados americanos retornaram aos Estados Unidos, uma de suas principais requisições foi o ingresso em uma universidade.

Esse fato curioso foi utilizado por Drucker para delimitar o início da Era da Informação — quando, pela primeira vez na história da humanidade, o conhecimento começou a ser mais valorizado do que o simples trabalho operacional.

Na ciência, isso se reverteu em um crescimento exponencial na geração de conhecimento. Pegue como exemplo o PubMed, plataforma mais utilizada para indexação de artigos médicos. Se verificarmos a evolução do número de citações, veremos que ela cresceu aproximadamente 50% em 10 anos. A linha de raciocínio é que, quanto mais embasamento científico temos, maior é a capacidade de produzir informações.

Embora isso aumente nosso leque de possibilidades, esse fenômeno também levanta novas demandas. Quando lidamos com um volume maciço de dados, é preciso novos métodos para analisá-los, armazená-los e cruzá-los. Ao conjunto de técnicas para essa finalidade, damos o nome de gestão de dados.

Atualmente, esse conceito tem dado origem a novos cargos, disciplinas e metodologias. Embora tenhamos utilizado o exemplo científico para explicar sua demanda, a gestão de dados é especialmente importante na saúde populacional. É nesse contexto que ela tem o poder de transformar dados brutos em informações, que orientam a tomada de decisão.

Benefícios da gestão de dados para a saúde populacional

Imagine um gestor de um plano de saúde que atua sem se preocupar com a gestão de dados. Cada intervenção é feita parcialmente às cegas, sem conhecer muito bem a população com a qual ele está lidando. Informações como prevalência de doenças, distribuição geográfica de profissionais e lotação de leitos são esparsas e pouco confiáveis.

Parece um cenário caótico, não é mesmo? Isso ilustra como a gestão de dados ocupa um papel central na saúde populacional — e não pode ficar de fora do escritório do gestor. A seguir, listamos os 5 maiores benefícios da gestão de dados, especificamente para a saúde populacional. Confira.

1. Maior eficiência operacional

A eficiência operacional é um termo amplo, mas que é largamente utilizado na administração. Ele indica um conjunto de análises do gestor, que têm em comum a melhoria do desempenho, a produtividade e o retorno financeiro.

Para uma boa eficiência operacional, é fundamental que as intervenções propostas tenham resultados significativos. Um gestor que não otimiza as métricas-chave de sua empresa é considerado, grosso modo, operacionalmente ineficiente.

Em se tratando da saúde populacional, essa eficiência está atrelada a duas análises. A primeira diz respeito ao conhecimento dos fatores de saúde mais relevantes, como prevalência de doenças e lotação de leitos hospitalares. A segunda é a análise do poder de resolução das intervenções disponíveis.

É fácil observar como a gestão de dados atua diretamente na primeira, fornecendo informações acuradas e em tempo real. Na segunda, o benefício é mais indireto: com uma boa gestão de dados, você possui um histórico de intervenções passadas e de seu impacto real. Isso oferece um panorama mais detalhado de suas possibilidades e do custo-benefício de cada uma delas.

Podemos dizer que a eficiência operacional depende diretamente da gestão de dados. Um administrador munido de informações de qualidade frequentemente tomará as melhores decisões na sua empresa. Por outro lado, aquele sem uma gestão de dados eficiente pode acertar às vezes, mas tem um risco muito maior de tomar decisões equivocadas.

2. Redução de custos

O crescimento do custo da saúde é um fenômeno global, largamente conhecido pelos gestores da saúde no Brasil e no mundo. Dentre seus motivos, podemos citar o surgimento de novas técnicas terapêuticas, medicamentos mais caros e o crescimento das doenças crônicas.

Para planos de saúde, que são altamente regulamentados, isso significa um sufocamento constante. Por um lado, temos que oferecer esses novos medicamentos, quando realmente indicados. Por outro, o crescimento nas receitas dificilmente acompanha a taxa de aumento de gastos. Isso impulsiona os gestores na área a buscarem por métodos mais modernos de redução de custos.

Quando analisamos a saúde populacional, esses métodos são guiados pela situação atual de cada rede. É necessário, por exemplo, verificar quais são os chamados pacientes “super-utilizadores”, que consomem metade dos recursos, mas representam apenas 5% da população.

Nesse sentido, a gestão de dados não atua apenas fornecendo indicadores da saúde. Ela também ajuda a mapear os gastos da rede, identificando focos de gastos desnecessários e avaliando o custo-benefício das intervenções.

3. Promoção da saúde

A promoção da saúde faz parte da abordagem da medicina preventiva, que vem ganhando cada vez mais espaço na saúde suplementar. Ela se destaca por ser um método barato, facilmente implementável e com potencial de redução de custos relacionados à saúde.

O objetivo da promoção da saúde é estimular práticas saudáveis, como a dieta balanceada e a prática de exercícios físicos. Já sabemos que esses hábitos têm impacto direto na saúde, em especial nas doenças crônicas — que vêm ganhando espaço como principal causa de morbimortalidade atualmente.

Para uma promoção da saúde eficaz, é fundamental conhecer o perfil de sua população e a adesão a essas conscientizações. Nesse sentido, a gestão de dados atua identificando estratégias já utilizadas e seus impactos reais na rotina dos pacientes. Assim, você evita cometer os mesmos erros e maximiza táticas que sabidamente já deram certo no passado.

É importante salientar que a promoção da saúde visa principalmente resultados em médio e longo prazo. Ou seja, as práticas que você adota hoje se refletem em redução no adoecimento e nas complicações daqui a alguns anos.

Por esse motivo, é fundamental que a estratégia da medicina preventiva seja bem embasada. Caso você invista em um método pouco eficaz, os resultados demorarão para serem percebidos — e já podem ter levado a um gasto considerável de recursos humanos e financeiros.

4. Prevenção de doenças

Embora promoção e prevenção pareçam termos sinônimos, eles não são. Enquanto a promoção se dedica a práticas gerais para melhorar a saúde, a prevenção é direcionada a doenças específicas. Um exemplo intuitivo de prevenção é a campanha contra a água parada, no combate ao mosquito da dengue.

A gestão de dados atua em duas frentes da prevenção de doenças: na primeira, ela identifica quais são as condições mais impactantes em sua população, que merecem mais atenção. Na segunda, ela verifica as práticas que são mais eficazes contra essas doenças.

Perceba que essas análises são feitas em fontes distintas. Na primeira, o foco é a população específica da rede de saúde; na segunda, os dados derivam da literatura científica. Por isso, a gestão de dados atua não apenas na coleta e na análise de dados, mas também no cruzamento deles.

5. Segurança

Em 1957, um novo medicamento foi introduzido no mercado, para tratar enjoos matinais de mulheres grávidas. Após alguns anos, os médicos constataram um aumento até então inexplicável nos índices de más-formações fetais. Aproximadamente 5 anos após seu lançamento, a talidomida foi retirada do mercado, devido à sua perigosa teratogenicidade. Cerca de 10 mil bebês foram afetados pelo uso da droga nesse período.

Esse caso é largamente conhecido nos planos de saúde, e ilustra a importância do monitoramento constante dos índices em saúde. Apesar do alto rigor da área, erros inevitavelmente podem acontecer. Como se trata de vidas humanas, eles podem levar a resultados altamente indesejados, se passarem desapercebidos.

Na década de 1950, os mecanismos para monitoramento ainda estavam engatinhando. Hoje, a tecnologia da informação nos permite uma visualização em tempo real dos principais indicadores da saúde. Isso permite ao gestor uma resposta rápida caso haja algum acidente, evitando que um erro pequeno tome maiores proporções.

Como desenvolver uma boa gestão de dados nas operadoras

Como pudemos observar, na Era da Informação, uma boa gestão de dados é essencial. Ela será o embasamento principal da sua tomada de decisão e minimizará os riscos das intervenções no plano de saúde. A seguir, abordaremos algumas das principais boas práticas na implementação dessa gestão em uma operadora.

Invista em soluções inteligentes

Elaborar uma rede de gestão de dados pode ser uma tarefa desafiadora, especialmente para grandes operadoras. É preciso montar um mecanismo de coleta de dados, contratar uma equipe de analistas e contar com computadores potentes. Por ser um dos pilares centrais da tomada de decisão, erros mínimos na gestão de dados podem resultar em grandes impactos em seus indicadores.

Felizmente, já existem soluções inteligentes no mercado, que realizam especificamente essa tarefa — e, portanto, têm a capacidade de investir em tecnologias mais complexas, como o Big Data. Com isso, você tem a segurança de que seus dados estão sendo tratados por uma equipe profissional, com um amplo histórico de gestão de dados.

Armazene as informações com segurança

Caso você opte por conduzir internamente sua gestão de dados, existem alguns cuidados que devem ser tomados. O primeiro deles diz respeito ao armazenamento de dados, que pode ser uma fonte de erros se feito de maneira equivocada. Isso porque, caso você armazene suas informações em mídias físicas, por exemplo, pode haver perda de dados em caso de roubo ou queda de energia.

Além disso, a legislação está cada vez mais rigorosa quanto à segurança de dados, especialmente na área da saúde. Casos de vazamentos ou roubo de informações podem levar a empresa a sanções judiciais, variando de uma multa até a interrupção de seu funcionamento. Por isso, investir em novas tecnologias, como computação em nuvem e criptografia ponta a ponta, pode ser uma boa solução.

Centralize seus dados

Um dos problemas da análise de um grande volume de dados é a descentralização. Quando a equipe de gestão de dados precisa verificar múltiplas fontes de informação, seu trabalho é prolongado e mais propenso a erros. Por esse motivo, é recomendado que os dados estejam concentrados no menos número de fontes possível. Isso facilita o cruzamento de informações e reduz a taxa de erros humanos.

Desenvolva boas análises

A gestão de dados é uma tarefa direcionada aos objetivos da empresa. No caso da saúde, temos inúmeros indicadores que facilitam o monitoramento da saúde da população. Por esse motivo, é importante estabelecer métricas confiáveis, que reflitam com precisão a realidade de seus beneficiários. A essas métricas, damos o nome de KPI (do inglês, indicadores-chave de performance).

Ao longo do artigo, já citamos algumas das KPI mais utilizadas. A lista de doenças mais prevalentes na população e a taxa de ocupação de leitos são exemplos clássicos de métricas utilizadas na saúde. Perceba que elas direcionam grande parte das intervenções dos gestores, por serem facilmente quantificáveis e impactarem diretamente na qualidade assistencial.

Se você está procurando por um parceiro para otimizar a sua gestão de saúde populacional, a Sharecare pode ajudar. Somos uma empresa com atuação internacional, que atende mais de 70 milhões de vidas em todo o globo. Utilizamos as ferramentas mais modernas do mercado, aliadas a protocolos cientificamente validados e tecnologias de ponta.

Nosso grande objetivo é a redução de custos dos planos de saúde, otimizando seus indicadores e implementando programas direcionados à sua realidade. Para atingir os melhores resultados, a gestão e a análise de dados fazem parte de nosso dia a dia.

A gestão de dados se tornou uma ferramenta essencial para planos de saúde. Quando voltada para a saúde populacional, ela atua tanto no monitoramento das condições de saúde quanto na análise de custo-benefício das intervenções. Guiar suas decisões com dados de qualidade é a melhor maneira de reduzir riscos e obter os melhores resultados.

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