Como a mamografia tem auxiliado na redução de internações na rede suplementar

By 22 de maio de 2020Notícias

mamografia

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama — a malignidade mais incidente em mulheres, responsável por cerca de 30% de todos os casos. Atualmente, é recomendado que o exame seja feito a cada dois anos, para todas as mulheres com idade entre 50 e 69 anos.

As vantagens da mamografia para as mulheres são claras. Caso elas venham a ter um câncer de mama, o diagnóstico é feito precocemente e as chances do tratamento são maiores. No entanto, as pacientes não são as únicas beneficiadas pelo rastreamento: para a saúde suplementar, ele significa uma redução considerável no número de internações e, consequentemente, no impacto financeiro do câncer de mama.

A seguir, explicaremos como o uso da mamografia pode otimizar o fluxo dos planos de saúde e reduzir as internações. Continue lendo para saber mais!

Panorama do câncer de mama

O câncer de mama é um problema de saúde tanto no Brasil quanto no mundo, mantendo a liderança de malignidade nos dois cenários. Em nosso território, a estimativa é de cerca de 60.000 novos casos anuais, com cerca de 16.000 mortes por ano, segundo o INCA. A sobrevida, em 5 anos, é de aproximadamente 75%.

Graças a novas tecnologias diagnósticas, é possível individualizar cada vez mais o tratamento. Hoje, por exemplo, já se consegue classificar o câncer devido aos seus receptores, prevendo mais precisamente o prognóstico e a resposta ao tratamento.

Embora isso permita aumentar a sobrevida do câncer de mama, o fator de maior prognóstico continua sendo o estadiamento TNM. Nesse método, o tumor é classificado conforme seu crescimento: local (T), invasão do sistema linfático (N) e presença de metástases (M). Pacientes com metástases são automaticamente classificadas no estágio IV, o maior possível.

Além de impactar o prognóstico, o estadiamento tem efeito direto nos custos do tratamento: em mulheres na pré-menopausa, a média desse valor é de aproximadamente R$11.000 no estágio 1, por exemplo. Quando analisamos os casos em estágio 3, a média do custo do tratamento salta para mais de R$66.000.

Por isso, um dos maiores desafios da abordagem ao câncer de mama é descobri-lo antes que ele desenvolva metástases. Assim, o tratamento pode ser feito de maneira cirúrgica, muitas vezes de forma curativa. É nessa corrida contra o tempo que entra a mamografia.

Relação entre mamografia e redução de internações

O termo “rastreamento” — que inclui a mamografia — é utilizado quando são testados pacientes assintomáticos, em busca de uma doença. Em um primeiro momento, pode parecer intuitivo que aumentar o número de diagnósticos leva, na realidade, a uma redução de internações. No entanto, é exatamente esse o desfecho dessa estratégia.

O câncer de mama pode ter uma apresentação muito pouco sintomática: em estágios iniciais, ele pode ser notado como um nódulo na mama, ou nem ser perceptível ao toque. Quando ele começa a crescer, alguns sinais como alterações na pele ou secreção mamilar podem estar presentes.

As intervenções saltam, no entanto, quando a doença começa a metastatizar. Nesses casos, as células malignas se espalham pelo corpo, especialmente para os ossos, pulmões ou cérebro. Nos ossos, elas geram dores e fraturas patológicas; nos pulmões, falta de ar, tosse ou dificuldade para respirar; e, no cérebro, podem gerar convulsões, dores de cabeça ou aumento da pressão intracraniana.

Perceba que o tratamento para todas essas complicações depende diretamente de internações hospitalares. Além disso, pacientes em estágio terminal também demandam cuidados paliativos, que muitas vezes ocorrem em regime intra-hospitalar. Essas mulheres podem entrar na conta dos super-usuários — os 5% dos pacientes que consomem metade das verbas da rede de saúde.

Para reduzir essa demanda, a melhor maneira que os sistemas de saúde encontraram foi expandir os métodos de rastreio. Detectando os cânceres de mama em estágio precoce, agimos antes que o TNM possa progredir. Assim, essas pacientes em estágios iniciais (que possivelmente se tornariam super-usuárias) são retiradas do grupo de risco. Tanto elas saem ganhando, quanto a rede de saúde.

Importância da medicina preventiva

Em conjunto com outros métodos preventivos, os exames de rastreio compõem a medicina preventiva. Essa modalidade preza que, literalmente, “prevenir é melhor do que remediar” — tanto para as pacientes quanto para a saúde financeira das operadoras.

A redução de internações é apenas um dos desfechos favoráveis que se pode conseguir com a medicina preventiva. A seguir, apresentamos os 5 principais benefícios dessa estratégia. Confira!

1. Procedimentos menos invasivos

Há algumas décadas, o tratamento de padrão-ouro para o câncer de mama era a mastectomia radical. Nessa modalidade, toda a mama era esvaziada, assim como as cadeias de linfonodos axilares — onde estão os “linfonodos sentinela”, mais prováveis de receber células metastáticas.

Além de mais cara, a cirurgia era esteticamente desfavorável para as mulheres. Afinal, ela envolvia uma área sensível e delicada, que, muitas vezes, não conseguia ser recuperada por próteses. O engajamento do paciente ao tratamento era menor, dado o receio de passar pela operação.

Atualmente, já existem métodos intraoperatórios que reduzem a necessidade dessa intervenção. A regra geral é que, quanto menor o estágio do câncer, menos invasiva a cirurgia precisa ser. Com isso, consegue-se resultados tão bons quanto a mastectomia radical, com um impacto estético muito menor.

2. Redução dos custos com internações

Além de reduzir a necessidade de internações, o diagnóstico precoce também diminui os custos em cada internação. Mesmo que elas sejam necessárias (como, por exemplo, para a própria cirurgia curativa), o número de comorbidades é menor: a paciente provavelmente não terá complicações de metástases ou da quimioterapia, por exemplo.

Com isso, o número de demandas intra-hospitalares é reduzido. Se o câncer estivesse em estágios avançados, seriam necessárias abordagens da cirurgia, oncologia e medicina paliativa, por exemplo. Com uma doença menos avançada, na maioria dos casos, a atenção de uma área é suficiente.

3. Melhora na gestão de saúde

A gestão de saúde é um conceito que engloba todas as intervenções e análises de uma rede assistencial. Para realizá-la de maneira eficiente, é imprescindível ter dados de qualidade, que reflitam objetivamente a saúde da população e suas principais necessidades.

Por isso, métodos de diagnóstico eficazes são uma excelente ferramenta no auxílio à gestão de saúde. Elas informam sobre dados como prevalência de doenças e necessidade de ajustes de maneira mais rápida e direta. Além disso, abordagens administrativas — como a modelagem preditiva — têm maior poder estatístico, visto que você terá mais dados sobre como sua população se comporta.

4. Otimização do atendimento médico

Ao longo do acompanhamento médico, é importante que o profissional conheça o estado de saúde das pacientes, e tome a melhor decisão quanto à otimização da mortalidade e qualidade de vida. A medicina preventiva atua em todos esses pontos, fornecendo um diagnóstico mais precoce e que, consequentemente, ameniza o impacto da doença.

Além disso, é notável que a adoção a métodos preventivos aumenta a satisfação das usuárias do plano: sabemos que a demanda espontânea pela mamografia cresce cada vez mais na população, em especial devido ao estigma estético da doença entre as mulheres. Adotá-los fornece um alinhamento dos interesses da operadora e de seus beneficiários, aumentando a satisfação dos clientes e melhorando a relação médico-paciente.

5. Redução na mortalidade

Por fim — mas não menos importante —, a mamografia também é uma importante aliada na redução da mortalidade. Com ela, você estará diagnosticando o câncer em estágios mais precoces, quando eles ainda apresentam menor ameaça à vida da paciente. Com isso, menos usuárias da rede morrerão devido ao câncer de mama, ampliando suas estatísticas e melhorando sua assistência à saúde.

A mamografia é, atualmente, o principal método de rastreio para o câncer de mama. Ela permite que o diagnóstico seja feito antes mesmo que haja sintomas, melhorando o tratamento e diminuindo as chances de evolução para casos graves. Com isso, é possível otimizar diversos parâmetros do plano de saúde, como a redução no número de internações.

Os métodos de rastreio e a medicina preventiva são essenciais para contornar os atuais desafios da saúde suplementar. Que tal conhecer mais sobre eles e saber como otimizar sua rede assistencial?