A necessidade do rastreamento de doenças crônicas na saúde suplementar

By 10 de março de 2020Notícias

rastreamento de doenças crônicas

Um estudo da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC) trouxe dados alarmantes e que comprovam a necessidade de rastreamento de doenças crônicas. Segundo o levantamento, 72% dos pacientes só descobriram o problema existente depois dos sintomas aparecerem.

Apesar disso, 96% dos entrevistados pela pesquisa consideram os exames laboratoriais importantes para prevenir as doenças crônicas. Além disso, 48% dos pacientes acreditam que deveriam ter feito exames com antecedência e 40% indicam que gostariam de ter realizado procedimentos complementares focados na precaução.

O que esses dados sinalizam? A resposta é simples: ainda que os brasileiros entendam a relevância dos procedimentos médicos, a busca só ocorre quando a doença já está instalada. Além do mais, é preciso mudar o contexto atual da amenização do problema para sua antecipação e resolução.

Como fazer isso? É preciso conhecer as principais doenças crônicas existentes no Brasil, por que rastreá-las e o que já foi feito nessa área. Esses assuntos serão abordados neste conteúdo. Continue a leitura para saber mais!

Quais são as principais doenças crônicas no Brasil?

A gestão de saúde suplementar, para ser bem realizada, precisa considerar as doenças crônicas mais comuns no Brasil. Quando elas são identificadas de maneira antecipada — ou seja, antes de apresentarem os primeiros sintomas —, a chance de cura chega a 90%, conforme uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Isso significa que 9 entre 10 casos poderiam não existir, se os exames fossem realizados e um tratamento preventivo fosse executado de forma adequada. Junto a isso, o sistema e os planos de saúde deixariam de ficar sobrecarregados e os pacientes teriam mais qualidade de vida.

Para chegar a esse patamar, torna-se necessário conhecer as principais doenças crônicas a serem rastreadas. Veja quais são elas a seguir.

Diabetes

O diabetes mellitus é uma doença crônica que pode trazer muitos transtornos ao paciente. Além disso, é um fator de alto risco para o surgimento de complicações cardiovasculares, o que leva ao aumento da mortalidade.

Somente o diabetes é responsável por uma morbidade de 7,1%. Segundo dados do Ministério da Saúde, o diabetes tipo 2 tem uma prevalência em crescimento, com quase 7% da população adulta diagnosticada. Ele é a principal causa de doença renal, cegueira e amputação.

O rastreamento dessa doença crônica deve ser feito em pacientes com elevação dos níveis pressóricos, especialmente, acima de 135/80 mmHg. Se for controlada junto com a pressão arterial, a mortalidade também é reduzida.

Hipertensão

Os brasileiros com mais de 18 anos devem fazer o controle da pressão arterial, a fim de identificar uma possível hipertensão. A doença crônica precisa ser rastreada porque contribui para vários efeitos adversos na saúde, como mortes prematuras, insuficiência renal, ataques cardíacos e acidente vascular cerebral (AVC).

O ideal é fazer o acompanhamento a cada dois anos em pessoas com pressão arterial abaixo de 120/80 mmHg e anual, se a sistólica ficar entre 120 e 139 mm e a diastólica entre 80 e 90 mmHg.

A chamada pressão alta está presente em 24,7% da população, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Os idosos são os mais afetados, sendo que o percentual das pessoas com mais de 65 anos que moram em capitais e têm hipertensão chega a 60,9%.

Além disso, os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registraram mais de 140 mil mortes devido a esse problema ou a causas atribuíveis. O rastreamento é feito por meio de aferição ambulatorial com esfigmomanômetro, ou seja, o instrumento que mede a pressão arterial.

Asma

A asma é uma doença respiratória bastante comum em crianças. Geralmente, persiste por um longo período e é controlada com medicamentos. Os sintomas comuns são tosse, chiado no peito e falta de ar.

A causa dessa doença é uma inflamação nas vias aéreas, que prejudica a respiração. Alguns fatores desencadeiam o problema, como poeira doméstica, clima, fumaça, pelos de animais, resfriados e gripes.

Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 20 milhões de brasileiros sofrem de asma. Desse total, entre 5% e 10% são considerados casos graves. O rastreamento dessa doença crônica é feito por exames físico e de função pulmonar, também chamado de espirometria.

Alzheimer

O transtorno degenerativo atinge 1% da população até os 65 anos e chega a 20%, se a idade limite considerada for de 85 anos. Os dados são da ANS. É impossível de reverter e é a forma mais frequente de demência, sendo responsável por 54% dos casos.

Tem elevado índice de mortalidade entre idosos. Junto a isso, estão a incapacidade e os altos custos gerados para as operadoras de saúde. Entre os principais fatores de risco estão:

  • idade avançada;
  • síndrome de Down;
  • história familiar positiva;
  • gênero feminino;
  • baixo nível educacional.

O rastreamento do Alzheimer como doença crônica depende de um diagnóstico de exclusão. Ainda devem ser considerados exames físicos detalhados, análises cognitivas, história clínica e testes específicos.

AIDS

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) gera um conjunto de infecções e sintomas que desequilibram o sistema imunológico. Com o enfraquecimento do organismo, a AIDS leva à letalidade, devido a doenças associadas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e desconhecem o fato. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue, que identificam alterações no organismo e a presença do HIV.

Por que rastrear essas doenças?

O rastreamento das doenças crônicas é indispensável em um modelo de gestão de saúde baseado na entrega de valor. Esse formato é diferente do verificado hoje, em que exames laboratoriais e outros procedimentos costumam ser usados para confirmar uma enfermidade, em vez de diagnosticá-la de modo antecipado e/ou preveni-la.

Muito da prevalência das doenças crônicas é derivada dos maus hábitos — e isso tende a afetar mais as pessoas com convênio médico. Para se ter uma ideia, uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostrou que os usuários de convênios médicos tendem a se cuidar menos do que aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o levantamento, quem tem plano de saúde tem maus hábitos na alimentação, por exemplo. Veja a comparação:

  • 65,4% de quem tem convênio médico consome doces mais de 5 dias por semana, contra 74,7%;
  • 26% consomem mais doces, contra 19,8%;
  • 15,8% ingerem mais sal do que o recomendado, contra 13,5%;
  • 9,4% substituem as refeições por sanduíches, salgados ou pizzas, contra 5,4%.

Em relação ao consumo de álcool, 31% de quem tem plano de saúde ingere uma vez ou mais por mês, contra 24,6%, e 28% bebe uma vez ou mais por semana, contra 22,2%. No que se refere às doenças crônicas, os dados também são piores para quem tem convênio médico:

  • 22,3% têm hipertensão arterial contra 21% de quem precisa do SUS;
  • 6,8% apresentam diabetes mellitus contra 6%;
  • 15,5% têm colesterol alto contra 11,3%.

Os usuários de convênios médicos ainda apresentam níveis piores quando se considera o Índice de Massa Corporal (IMC). O resultado adequado está presente em 42,1% das pessoas com plano de saúde e em 45,1% de quem não tem. O sobrepeso atinge mais quem tem convênio médico (37,6% contra 33,8%), assim como a obesidade (18,8% contra 18,6%).

Esses dados mostram parte da importância de rastrear as doenças crônicas. Contudo, ainda existem outros motivos.

Redução de custos

A detecção precoce de uma doença reduz os custos do sistema, porque o tratamento é menos invasivo e mais voltado para a qualidade de vida do paciente. Sua estrutura é a atenção à saúde. Por isso, são usadas estratégias que aumentam as chances de cura.

Aqui, é importante lembrar que o rastreamento é definido como um processo de identificação dos indivíduos com risco potencialmente elevado de uma doença. Assim, a prática é executada para justificar uma ação ou investigação direta.

Portanto, o teste utilizado precisa ser seguro, simples, validado e preciso. O rastreamento, por sua vez, tem como foco a redução da mortalidade ou da morbidade e seu custo deve ser justificado em comparação com outros investimentos em saúde.

Melhora na qualidade de vida do beneficiário

A ANS já recomendou ao setor de saúde suplementar a implementação de programas para controlar e prevenir riscos e patologias, ao mesmo tempo que devem promover os cuidados. O resultado é a qualidade de vida do paciente, desde que as ações sejam articuladas e integradas.

A ideia é adotar ações proativas diretas e indiretas, que permitam intervir de maneira precoce na doença crônica. A partir dos protocolos de monitoramento específicos, é possível diminuir a ocorrência e as complicações das enfermidades.

Para entender a importância dessa prática, basta ver os dados do Ministério da Saúde. Em 2016, 69% das mortes ocorridas no Brasil foram derivadas de doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, câncer, diabetes e problemas cardiovasculares e respiratórios.

O mais preocupante é que o principal alerta é na faixa etária de 30 a 69 anos, intervalo em que é possível evitar as mortes.

Diminuição das internações e reinternações

As doenças crônicas, muitas vezes, são diagnosticadas somente depois de já apresentarem sintomas mais graves. É o caso do diabetes e da hipertensão, que tendem a gerar problemas cardiovasculares.

Essa situação gera custos elevados, tanto que um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicou que 70% dos gastos de usuários de planos de saúde ocorreram no último ano de vida do paciente. Desse total, as internações clínicas representaram 89,2% dos custos.

A expectativa para os próximos anos também é preocupante. Até 2027, a estimativa é de que o governo federal tenha que aumentar os investimentos em saúde em R$ 10,6 bilhões devido ao envelhecimento da população. Se a tendência se confirmar, é praticamente certo que as operadoras também precisarão desembolsar valores maiores.

O envelhecimento populacional também deverá elevar o total de internações em mais de 30% até 2030, segundo o IESS. Se em 2014 a quantidade era de 8,2 milhões, em 2040 deverá chegar a 10,7 milhões, o que deve pressionar o financeiro dos planos de saúde.

Além disso, deve haver um crescimento dos gastos por tipo de procedimento, por exemplo, exames, consultas e terapias. Daí a necessidade de investir na atenção à saúde com entrega de valor. Desse modo, é possível diminuir internações e custos, e cuidar do paciente de forma integral.

O que já tem sido feito nessa área?

O rastreamento de doenças crônicas é uma atividade que requer muito cuidado e atenção. Apesar de ainda engatinhar nessa área, o Brasil já começou a aplicar uma série de atividades que melhorarão os resultados do setor.

O objetivo é empregar as boas práticas de saúde suplementar para atingir os resultados mais eficientes. Como esse propósito está sendo alcançado? Existem 3 principais iniciativas.

Pesquisas nacionais

O Ministério da Saúde já vem investindo no acompanhamento das doenças crônicas não transmissíveis. Por isso, realiza em domicílio a Pesquisa Nacional de Saúde. O levantamento abrange uso dos serviços, estilos de vida e enfermidades crônicas existentes.

A prática é adotada desde 2013 e ajuda a criar estratégias para melhorar o cenário brasileiro. Aqui, vale a pena destacar o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil.

Serviços de gestão de saúde

As plataformas de saúde integrada, que aliam os cuidados digitais (high tech) aos humanizados (high touch) também são boas aliadas do rastreio de doenças crônicas. Por meio delas, é possível concentrar as informações em um só lugar.

A partir de uma jornada clínica, os pacientes são estratificados para identificar aqueles com maior chance de doenças crônicas, ou seja, quem faz parte da população de alto risco. Depois disso, eles são encaixados em um programa clínico, como o coaching preventivo, por exemplo.

Medicina preventiva

O foco da medicina preventiva é identificar as doenças antes mesmo delas apresentarem sintomas. Com o cuidado na promoção da saúde, exames laboratoriais podem ser realizados para:

  • confirmar ou descartar diagnósticos, ou ainda sinalizar a necessidade de realizar uma investigação detalhada;
  • ajudar os médicos especialistas a aplicarem medidas que previnam a manifestação da doença e sua detecção precoce. Assim, as chances de tratamento e cura são elevadas.

Deu para perceber que o rastreamento de doenças crônicas melhora o quesito financeiro e, principalmente, a qualidade de vida do paciente. Com as ações apresentadas neste post, você tem a oportunidade de gerenciar os grupos de risco e trabalhar a prevenção, em vez de cuidar da doença após sua instalação.

Para os planos de saúde, essa é a oportunidade de mudar o foco do atendimento e oferecer um cuidado integral, que vai ao encontro das necessidades dos usuários. Agora que você já sabe o que fazer, chegou o momento de implementar o rastreamento de doenças crônicas na sua empresa.

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