Promoção da saúde mental deve ser prioridade em tempos de pandemia

By 21 de agosto de 2020Notícias

Desde 11 de março de 2020, vivemos oficialmente em uma pandemia. A infecção pelo SARS-CoV-2 é um assunto notório, amplamente difundido em nossa sociedade, assim como seus efeitos imediatos. A lotação de leitos de UTI e a utilização de respiradores são exemplos de tema extensivamente debatidos, tanto pela mídia quanto no meio acadêmico. No entanto, existe outra preocupação, que ganha uma proporção ainda maior no período: a saúde mental.

Embora ela pareça ser menos nociva e letal que a Covid-19, o adoecimento mental pode deixar marcas profundas no sistema de saúde. Seja na pandemia ou no período fora dela, o crescimento das doenças psiquiátricas é um tema que levanta preocupações em todo o mundo.

Neste post, explicaremos como a pandemia pode realmente afetar a saúde mental — e como a saúde suplementar pode se preparar para suportar essa demanda. Continue com a leitura para saber mais.

Por que realizar ações para promover a saúde mental durante a pandemia?

A preocupação com a saúde mental não é novidade na medicina. Para termos uma noção, o número total de pessoas convivendo com depressão subiu quase 20% em 10 anos. Muitos estudos tentam encontrar a causa desse adoecimento mental, correlação que permanece inconclusiva. O fato é que, mesmo antes da pandemia, as doenças psiquiátricas seguiam em um constante crescimento no planeta.

Essa preocupação, inclusive, ultrapassa as barreiras sanitárias e ameaça nossa própria economia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, distúrbios do humor já são a principal causa de incapacidade no mundo.

Nesse cenário, a pandemia age como um catalisador para os casos psiquiátricos. É notória a conexão entre adoecimento mental e fatores socioeconômicos — dentre os quais se encaixam o desemprego, o isolamento social e o luto. Todos estes fatores estão relacionados ao período de pandemia que estamos enfrentando.

Caos social

A própria infecção pelo novo coronavírus traz seus riscos à saúde mental. Períodos prolongados de hospitalização, perda de entes queridos e agravamento de comorbidades abalam significativamente nosso psicológico. No entanto, há também fatores indiretos que entram nessa equação.

O medo de perder o emprego, a falta de esperança em dias melhores e a instabilidade social são alguns deles. Juntando todos esses fatores, percebemos como são iminentes os casos de doenças psiquiátricas. Esses efeitos não são meras projeções: já existem dados, ainda que preliminares, do crescimento de casos de depressão e ansiedade durante a pandemia.

Impactos financeiros para as operadoras

Existem dois principais pontos de preocupação sobre o impacto financeiro da Covid-19 nas operadoras. O primeiro diz respeito ao número de profissionais disponíveis, que pode se tornar mais escasso e requerer a busca ativa por psiquiatras e psicólogos. O segundo é o número de internações por descompensações psiquiátricas, como surtos maníacos, risco de suicídio ou intoxicação e abstinência de drogas.

Por lei, ambas as situações devem ser cobertas e controladas pelas operadoras. Na prática, há pouco que se possa fazer pelos casos que já estão internados; os custos das internações são definidos pelas necessidades individuais e pela gravidade do caso. A melhor estratégia para reduzir os custos com descompensações é justamente evitar que elas aconteçam — e aí entra a promoção da saúde.

Promoção da saúde mental

Como promoção da saúde é definido o conjunto de intervenções que objetivam a melhoria global da saúde de um grupo de pessoas. Ela já é praticada em outras áreas, especialmente visando o controle das doenças crônicas. Exemplos de ações de promoção são os estímulos à atividade física, a uma dieta saudável e à cessação do tabagismo.

A promoção da saúde mental, no entanto, é um tema pouco implementado, no Brasil e no mundo. A psiquiatria é considerada uma área muito subjetiva, e as ações de promoção podem ser influenciadas por fatores socioeconômicos e culturais. Por esse motivo, as ações de promoção nessa área têm ficado em segundo plano, a despeito do crescimento nos casos.

No cenário de pandemia, no entanto, o contexto é um pouco diferente. Como lidamos com um risco iminente de explosão nos casos, há uma demanda urgente de ações que protejam a saúde mental dos beneficiários. Até 2019, conseguimos postergar essas ações sem grandes riscos ao sistema de saúde. Esse, infelizmente, não é mais o caso.

Como promover a saúde mental entre os beneficiários?

Compreendendo a demanda, é importante conhecer algumas medidas objetivas para promover a saúde mental. A seguir, detalharemos algumas medidas gerais, que podem preparar o sistema de saúde para as ações específicas. Confira.

Programas clínicos

Atualmente, já contamos com programas específicos para a saúde mental. Eles levam em consideração ações cientificamente comprovadas, que tenham ampla capilaridade entre os beneficiários e um bom custo-benefício.

Um exemplo é o programa de Saúde Mental, solução desenvolvida pela Sharecare com esse propósito. Com ele, é possível avaliar o perfil de condições emocionais em sua população e delimitar níveis de gravidades na saúde mental. Isso facilita as intervenções direcionadas a grupos específicos e auxilia na compreensão dos fatores de risco para doenças mentais.

Campanhas de comunicação

Um dos grandes empecilhos para a saúde mental é a falta de diálogo claro sobre o adoecimento psiquiátrico — e, consequentemente, o atraso na procura por ajuda profissional. Por esse motivo, estimular a comunicação e explicitar a possibilidade de ajuda é uma das melhores maneiras de prevenir os casos graves de doenças mentais.

Orientação aos médicos e cooperados

Outra maneira de captação de pacientes no processo de adoecimento mental é a busca ativa, também conhecida como rastreamento. Em condições excepcionais, como na pandemia, os profissionais do sistema podem ser orientados a questionar ativamente sobre a saúde mental dos pacientes. Com isso, é possível identificar aqueles com maiores fatores de risco e encaminhá-los para a atenção especializada, evitando o agravamento do quadro.

Quais ações devem ser incentivadas?

Uma vez tomadas medidas gerais para a promoção da saúde mental, é possível começar a planejar as intervenções específicas. A seguir, separamos 5 ações que podem ser incentivadas pelo plano de saúde e que têm potencial para otimizar a promoção da saúde mental.

1. Manter a rotina diária

Em tempos de isolamento social e home office, é natural que haja uma flexibilização dos horários da rotina. Embora essa maleabilidade seja saudável até certo ponto, caso excessiva, pode levar à desorganização do paciente e à disfunção executiva. Além disso, nosso corpo possui um relógio interno, controlado por hormônios, o que impacta diretamente na saúde mental.

Por esses motivos, manter uma programação diária das atividades é benéfico, seja dentro da pandemia ou fora dela. As atividades que entram no cronograma podem ser desde as burocráticas, como reuniões do trabalho, até as mais simples — como dormir, acordar ou almoçar. O importante é ter um horário reservado para todas as tarefas e não deixar as coisas acumularem.

2. Adotar uma alimentação saudável

Especialmente nos últimos anos, inúmeros artigos científicos tentam associar nossos hábitos dietéticos com nossa saúde mental. Existem vários princípios fisiopatológicos descritos, que vão desde o efeito de fito-hormônios contidos nos alimentos até a ação da insulina no cérebro. Ainda não há uma resposta definitiva sobre o tema, mas é consenso que uma alimentação balanceada parece favorecer uma melhor saúde mental.

Na maior parte dos casos, isso significa reduzir da dieta itens que contenham gordura animal ou carboidratos processados. Além disso, uma dieta balanceada também contém alto percentual de frutas, vegetais e foliáceos. Uma ingestão hídrica adequada também é recomendável.

Em casos de doenças pré-existentes, como diabetes ou hipertensão, a dieta provavelmente necessita de adequações específicas. Nesses casos, no entanto, não chamamos de promoção da saúde, e sim de prevenção de complicações. É importante lembrar que as comorbidades não psiquiátricas (também chamadas de “doenças orgânicas”) são, em grande parte, fatores de risco independentes para as doenças mentais.

3. Manter um ritmo de sono regular

A insônia é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de psiquiatria, atingindo até cerca de um terço da população. Ela está intrinsecamente relacionada a outras desordens mentais — podendo ser tanto um fator de risco quanto uma complicação deles. Por esse motivo, uma boa medida de promoção da saúde mental é regularizar o sono.

Uma boa prática que pode ser incentivada é ter horário definido para dormir e acordar. Além disso, o total de horas dormidas por noite também deve ser suficiente e mantido nos padrões saudáveis. Segundo a Sleep Foundation, por exemplo, adultos devem dormir de 7 a 9 horas por noite.

Outra maneira de abordar o sono na promoção da saúde é estimular a chamada “higiene do sono”. Ela compreende hábitos saudáveis, que por si só reduzem o risco de insônia e podem ajudar os pacientes e dormir melhor. Algumas das recomendações são:

  • evitar bebidas cafeinadas após as 17h;
  • não tirar cochilos durante o dia;
  • não utilizar o celular ou aparelhos eletrônicos por 30 minutos antes de dormir;
  • evitar atividades físicas no período noturno;
  • ter um horário fixo para acordar.

4. Praticar atividades físicas

Embora não sejam recomendadas próximas ao horário de dormir, as atividades físicas são excelentes para a saúde mental. Além de prevenirem as doenças crônicas, a própria atividade estimula o corpo na secreção de endorfinas, que fornecem a sensação prazerosa após o exercício.

Como grande parte das academias está fechada devido à necessidade de isolamento social, uma boa abordagem para os planos de saúde é oferecer alternativas a elas. Opções como calistenia, pular cordas ou utilizar esteiras ainda podem ser realizadas, mesmo dentro de casa.

5. Fazer acompanhamento psicológico

Como já mencionamos, um dos fatores que impede o diagnóstico precoce das doenças mentais é a recusa em procurar um profissional. Por isso, é importante que as ações de promoção deixem claro essa possibilidade e estimulem que os pacientes busquem ajuda, caso necessário. A princípio, pode parecer que isso aumenta os gastos da rede, mas lembre-se: uma consulta ambulatorial é muito mais barata do que uma internação por descompensação psiquiátrica.

Uma das vantagens do momento é a possibilidade de realizar essas consultas por via digital. Em caráter emergencial, o parlamento brasileiro permitiu a telemedicina enquanto durar a pandemia. Por isso, agora os pacientes podem consultar diretamente com o médico, online.

Quais são os benefícios?

Por fim, é necessário conseguir metrificar suas ações de intervenção para compreender se elas estão sendo eficazes. Além disso, no período pós-pandemia, será necessário selecionar as medidas que funcionaram e decidir se elas serão mantidas ou aperfeiçoadas. Por isso, tenha sempre em mente o que se espera com a promoção da saúde mental.

Infelizmente, faltam parâmetros de comparação entre a pandemia e outros momentos. Afinal, saber como a mesma população submetida a uma intervenção se comportaria fora dela necessitaria de uma análise mais complexa dos dados. Além disso, calibrar a quantidade de recursos destinados à promoção da saúde pode levar tempo.

Felizmente, algumas estratégias podem ser utilizadas para contornar esses desafios. Se você começar a implementação por uma cidade, por exemplo, é possível comparar seus índices de internação psiquiátrica com cidades sem a intervenção. No entanto, dada a situação excepcional em que vivemos atualmente, não é recomendável atrasar as medidas de promoção — que são urgentes durante a pandemia.

Outra medida que pode ser utilizada é comparar sua curva de internações e consultas ambulatoriais com dados públicos. Embora o número bruto seja claramente discrepante, é possível observar a taxa de crescimento desses parâmetros e corrigi-la conforme os níveis antes da pandemia. Esse é geralmente um trabalho estatístico mais profundo, que requer profissionais especializados para fazê-lo de maneira eficaz.

Por fim, uma medida com bom custo-benefício e aplicabilidade é a contratação de uma empresa especializada em soluções na área da saúde. Com ela, você garante que suas medidas estão seguindo os padrões já definidos na comunidade científica, evita erros e minimiza os custos com uma equipe especializada.

Nesse campo, a Sharecare é uma referência do mercado. Especialista em reduzir o risco e o custo com saúde, ela atua há anos na área de gestão em saúde, no Brasil e no mundo. A Sharecare busca inovar constantemente a gestão em saúde, eliminando fatores de risco e otimizando a gestão financeira.

A saúde mental tem se tornado cada vez mais uma preocupação nos sistemas público e suplementar. Na pandemia, essa preocupação se tornou exponencial, levantando a demanda urgente para uma promoção de saúde eficaz. Nesse contexto, contar com uma parceria de qualidade pode fazer total diferença no enfrentamento da pandemia.

Se você quer levar sua gestão a um novo patamar, não perca tempo: entre em contato conosco e descubra o que a Sharecare pode fazer por você! Estamos ansiosos para conhecer você!