Superdiagnóstico na saúde: um problema que precisa ser combatido pelas operadoras

By 31 de março de 2020Notícias

superdiagnóstico na saúde

Enquanto a medicina atua com o propósito de cuidar das pessoas de forma humanizada e eficiente, existem desafios da saúde complementar que precisam ser superados. Um deles vem chamando a atenção do setor, sobretudo dos gestores. O fato é que as operadoras precisam encarar de frente o problema do superdiagnóstico na saúde.

Grosso modo, o termo se refere à realização excessiva de exames clínicos. Apesar de parecer ser um conceito simples, é natural ter algumas dúvidas sobre o que isso realmente significa e quais são os impactos. Como detalharemos aqui no artigo, eles são muito negativos e, por isso, exigem atenção das operadoras.

Ao longo deste texto, você vai entender a dimensão do problema e conhecer estratégias que ajudam a identificá-lo e combatê-lo. Confira!

O que é o superdiagnóstico na saúde e por que isso é um problema?

O superdiagnóstico significa a realização de exames excessivos — em um nível acima do necessário — na etapa de investigação de um quadro clínico. Como o nome sugere, trata-se de um diagnóstico que se baseia em mais informações do que seria preciso.

Em um cenário ideal, onde todo e qualquer dado estivesse à disposição dos médicos, isso não seria exatamente um problema. No entanto, a realidade dos serviços de saúde (em todo o mundo) envolve recursos, tempo e custos.

Para se ter uma ideia, dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que, apenas em 2017, quase R$ 28 bilhões do investimento das operadoras foi desperdiçado por conta de procedimentos desnecessários. Além de eventuais fraudes visando geração extra de receita, os casos podem ser causados por problemas na própria jornada do paciente.

Em outras palavras, o excesso de exames traz consigo prejuízos sérios, como os destacados a seguir.

Afeta o sistema

Para começar, todo exame exige a alocação de recursos (humanos e tecnológicos). Então, se um paciente é encaminhado para uma radiografia quando não é estritamente necessário, ele está ocupando uma vaga que poderia ser preenchida por outra pessoa em situação mais crítica. Isso traz consigo um segundo problema.

Aumenta os riscos

Todo exame apresenta riscos, ainda que eles sejam enquadrados em uma escala muito ampla de periculosidade. Portanto, no exemplo acima, o paciente pode estar sendo exposto a uma dose desnecessária de radiação. Seguindo a lógica, exames mais invasivos trazem riscos ainda maiores — sem falar, é claro, no tempo.

Uma pesquisa do IESS mostra, por exemplo, que os chamados eventos adversos na hospitalização (como atrasos na intervenção médica ou exames desnecessários) causam um prejuízo que pode chegar a R$ 15 bilhões por ano no Brasil. Além disso, quanto mais tempo dura o processo de investigação sem que o tratamento seja iniciado, maior o risco do quadro de saúde piorar.

Somado a isso, o paciente que aguarda na fila também é prejudicado.

Gera mais custos

De forma bem objetiva, um tratamento com mais exames custa mais. Nesse sentido, o superdiagnóstico na saúde é um dos grandes vilões dos planos de saúde, já que ele tem se tornado um ciclo vicioso no Brasil. Se o médico é dono da clínica que conta com o aparelho de radiografia, por exemplo, ele pode incentivar a solicitação de exames e encarecer a jornada do paciente — algo que não pode se tornar corriqueiro.

Prejudica o relacionamento com o beneficiário

O tipo de ação descrito acima traz complicações para a relação entre todos os envolvidos: médicos, operadoras e pacientes. Por um lado, existe a questão ética da medicina, que envolve a necessidade de um tratamento igualitário e eficiente para todas as pessoas. Por outro, interesses particulares como os lucros sobre exames, podem afetar o tratamento do paciente e os custos gerados para a operadora, encarecendo os planos.

Então, é preciso estar preparado para identificar o problema e suas causas para, assim, implementar ações que modifiquem esse cenário. Veja a seguir como isso pode ser feito.

Como identificar o superdiagnóstico?

As causas do superdiagnóstico são diversas. Além dos fatores citados anteriormente, é possível que outros interesses estejam envolvidos. Um exemplo é quando uma determinada clínica — ou o próprio médico — recebe bonificações ou outros benefícios de fornecedores (de equipamentos ou medicamentos) para aumentar a quantidade de exames.

O objetivo é gerar rendimentos para essas empresas — um custo que recai sobre o paciente ou a própria operadora. Outra possível causa é a falta de tempo nas consultas. Nesses casos, o médico pode solicitar exames para ter mais tempo para investigar a causa do problema, não necessariamente por precisar de mais dados. Ambas as situações podem ser identificadas.

O primeiro passo é fazer um levantamento de indicadores mensuráveis que ajudem a interpretar o cenário atual do serviço oferecido. Acessar prontuários e compará-los com o que dizem os protocolos para cada doença, por exemplo, é uma ótima estratégia para identificar desvios. Se são solicitados mais exames do que os protocolos sugerem para aquele quadro, um sinal de alerta deve ser ligado.

É interessante ter em mente, no entanto, que tanto a identificação quanto o combate aos superdiagnósticos podem ser muito mais eficientes com o uso de soluções de gestão para operadoras de plano de saúde.

Como neutralizar os casos de superdiagnóstico?

Se o objetivo é levantar dados para ter um panorama claro sobre o uso dos recursos da operadora, uma estratégia interessante é adotar uma solução de modelagem preditiva. Desenvolvido pela Sharecare, essa solução utiliza algoritmos matemáticos e estatísticos para prever as chances de um determinado evento ocorrer em um intervalo de tempo futuro.

Com base em tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Big Data, a modelagem permite que a operadora faça um mapeamento dos perfis dos beneficiários, identificando grupos de risco e suas principais demandas. A partir desses dados, é possível ter uma visão mais clara sobre a saúde da população e de eventuais casos que resultem em um alto custo se não for feita uma intervenção.

A partir disso, outras soluções podem ser colocadas em prática para mitigar os problemas. A título de exemplo, a Sharecare oferece programas clínicos como:

Cada um deles ajuda a aumentar a eficiência do tratamento destinado a um grupo específico de beneficiários, de acordo com suas necessidades. Assim, é possível promover a utilização mais adequada dos serviços oferecidos e, consequentemente, reduzir os casos de superdiagnóstico.

São estratégias, como você pôde ver, que envolvem melhorias em dois níveis: no uso individual do plano de saúde e, ao mesmo tempo, na gestão feita pela operadora. Com dados detalhados à sua disposição, o superdiagnóstico na saúde deixa de ser um problema tão difícil de ser combatido. Então, conte com soluções especializadas em gestão de saúde e coloque a tecnologia para trabalhar a seu favor!

Se quer outras dicas valiosas para otimizar a gestão dos planos, confira também o artigo sobre o programa Sharecare para reduzir custos com saúde no Brasil!