A cada ano que passa, uma boa noite de sono perde seu posto para distrações, como o computador e o celular, ou simplesmente para as preocupações diárias. Mas você deve saber que isso não faz bem nenhum à sua saúde.

A cada ano que passa, uma boa noite de sono deixa de ser prioridade e perde seu posto para as distrações contemporâneas, como o computador, o celular, a Netflix (a Netflix no celular), ou simplesmente para as preocupações diárias. Mas você deve saber que isso não faz bem nenhum à sua saúde e, provavelmente, já experimentou algumas consequências de dormir mal. Além do cansaço, descansar menos de oito horas por dia pode causar depressão, obesidade e, eventualmente, doenças cardiovasculares.

E dormir não significa ter uma noite de sono reparadora. Segundo a consultora de saúde e psicóloga da Healthways, Juliana Salvador, a mente precisa estar em conexão com o corpo para nos sentirmos descansados no dia seguinte. “Quando identificamos que, mesmo dormindo oito horas, acordamos indispostos, ainda cansados, quer dizer que há alguma questão por trás, que pode ser emocional ou física”, explica. Dentre os motivos que podem atrapalhar o sono estão estresse, preocupação, incômodo com o ambiente, problemas respiratórios, apneia do sono e até mesmo excesso de peso.

Além disso, a luz emitida pelo celular, computador ou televisão influencia na qualidade da noite, pois inibe a produção dos hormônios que induzem ao sono. “O ideal é ficar entre uma hora e uma hora e meia antes de deitar sem esses recursos. A televisão estimula bastante, assim como o celular que fica ligado até o último segundo, ou os e-mails que temos que resolver no dia seguinte. Tudo isso acaba nos deixando agitados, nossa mente fica conectada e não conseguimos dormir com qualidade”, afirma Juliana.

Abandonar esse hábito é algo que exige esforço e um trabalho diário, pois no início pode parecer pouco atraente e nos dar a sensação de que estamos perdendo algo ao deixar o celular de lado. Porém, uma vez que vira rotina, o ganho é muito maior, com mais disposição, uma mente mais limpa e maior qualidade de vida. A questão é sempre refletir o que vale mais a pena.

Em muitos casos, a agitação é tamanha que leva as pessoas à insônia. Quando a dificuldade em descansar não está relacionada aos aparelhos tecnológicos, é importante observar a rotina e fazer uma recapitulação do dia, para que seja possível identificar o fator que está causando a insônia. Os motivos podem ir de algum barulho na rua até a alimentação, segundo a psicóloga. Dessa forma, é preciso avaliar caso a caso e, se for necessário, procurar profissionais do sono para uma análise da respiração, dos batimentos cardíacos e se há alguma relação com distúrbios do sono.

Juliana afirma que há diversos métodos que podem nos ajudar a esvaziar a mente para dormir com qualidade. Para os preocupados e ansiosos, anotar os problemas e resoluções em um bloco de notas antes de dormir pode trazer mais tranquilidade ao sono. Meditação também pode ser a solução-chave para o descanso, pois ajuda a manter a mente relaxada e livre de agitação, além de trabalhar a respiração diafragmática e a concentração no corpo. Existem aplicativos, como o Zen e o Headspace, que orientam os iniciantes às técnicas da prática.

Em casos mais crônicos, a solução pode ser medicamentos. Eles irão induzir ao sono e evitar insônias. Porém, Juliana faz uma ressalva: o ideal é não tomar. “Em alguns casos, o remédio vai induzir ao sono, mas não necessariamente garantir uma noite de qualidade, ou seja, que a pessoa irá acordar descansada”, afirma. De qualquer forma, eles podem ser usados no início do tratamento e serem retirados aos poucos, desde que sempre seguindo as indicações médicas.