Transformação digital na saúde: o que você deve saber sobre o assunto

By 24 de dezembro de 2019Notícias

transformação digital na saúde

A tecnologia tem transformado os mais diversos setores do mercado. No entanto, a transformação digital na saúde revolucionará a forma como trabalhamos. A cada dia, temos mais ferramentas para fornecer insights sobre os nossos pacientes, sobre a eficiência do nosso serviço e sobre a alocação de recursos.

Em alguns anos, poucas decisões serão tomadas sem a ajuda da tecnologia. Para entender melhor as diversas soluções e seus impactos, preparamos este post especialmente para você. Acompanhe!

1. O que é transformação digital na saúde

A Transformação Digital (TD) na área dos cuidados com a saúde significa integrar as inovações tecnológicas nos mais diversos processos, da prevenção de agravos a um tratamento cada vez mais individualizado. Assim, é possível revolucionar a gestão e a administração, o que traz uma redução dos custos e a otimização da qualidade.

Como isso está se desenvolvendo? A chave para essa pergunta são os dados. Produzimos cada vez mais informações no dia a dia com prontuários eletrônicos, laudos digitais e ERPs. Além disso, os pacientes utilizam a internet e outros canais digitais para pesquisar sobre suas doenças. Há uma quantidade massiva de dados sobre os usuários que podem ser analisados e utilizados pelas ferramentas de TD.

Portanto, a grande revolução da medicina não vem apenas dos tratamentos mais avançados, mas da melhoria da alocação de recursos e da tomada de decisão dos gestores. Em uma pesquisa divulgada no site Healthcare IT News, os prestadores de serviço de saúde elencaram a inovação nos processos operacionais e financeiros como uma prioridade crítica (33%) ou alta (34%). Assim, ela foi a líder do ranking de prioridades. Em segundo lugar está a otimização da experiência do paciente, que também pode ser alcançada pelas ferramentas de Transformação Digital.

Por essa razão, grande parte dos melhores sistemas de saúde estão implementando tecnologias da transformação digital para ganhar competitividade, reduzir a sinistralidade dos planos e seguros e aumentar a satisfação do cliente. Para isso, vários tipos de tecnologias estão sendo empregadas:

  • inteligência artificial;
  • Big Data;
  • computação em nuvem;
  • automação
  • Internet das Coisas etc.

Na pesquisa citada anteriormente, 73% dos gestores entrevistados classificaram em primeiro lugar as ferramentas de gerenciamento e análise de dados como a mais importante para alcançar seus resultados estratégicos. Em segundo lugar ficou a Inteligência Artificial (66%) e, em terceiro, a computação em nuvem (53%).

Big Data

Big Data é um conjunto de ferramentas e práticas para a coleta e processamento de grandes quantidades de dados. Com ele, é possível encontrar padrões que possam informar a melhor tomada de decisão por parte dos gestores. Na área da saúde, é aplicada principalmente nas ferramentas de saúde populacional e na gestão de indicadores.

Esses sistemas coletam ativamente dados clínicos e epidemiológicos a partir dos prontuários eletrônicos e de outras fontes para conhecer as determinantes de saúde da população, usuário do plano ou seguro de saúde. Será possível, por exemplo, melhorar a alocação de recursos para doenças e condições que tenham maior impacto sobre a sinistralidade.

Inteligência Artificial e machine learning

A Inteligência Artificial (IA) e o aprendizado de máquina são tecnologias que aumentam a capacidade de cognição dos softwares. Ou seja, ajudam os computadores a compreender a linguagem humana, a interpretar dados e a melhorar continuamente o reconhecimento de padrões. Em alguns casos, as próprias máquinas tomam decisões sem nenhuma intervenção humana.

Por exemplo, imagine uma aplicação de saúde mental na qual os indivíduos podem registrar seu humor, fazer um pequeno diário e conversar com chatbots. Caso a ferramenta de IA perceba que há uma procura por termos relacionados ao suicídio, por exemplo, poderá realizar ações como oferecer canais de escuta, indicar telefones de profissionais e gerar um alerta para que o serviço acompanhe mais de perto aquele paciente.

Computação em nuvem

A computação em nuvem é a substituição de parte da infraestrutura física de TI por soluções digitais. Em vez de armazenar os dados dos sistemas hospitalares em servidores próprios, você pode hospedá-los em um provedor de nuvem com um ambiente seguro e responsivo.

Com essas ferramentas, podemos atingir um alto nível de cuidado com a saúde por meio da tecnologia (high tech). Essas ferramentas vão permitir insights únicos com foco na população do seu serviço. Desse modo, poderemos atingir uma saúde cada vez mais personalizada e humanizada (high touch). Afinal, os profissionais estão ganhando ferramentas para conhecer profundamente seus pacientes.

2. Desafios da Transformação Digital na saúde

Foco

Um dos maiores erros na adoção de tecnologias no setor de saúde é a implementação de ferramentas sem um objetivo bem definido. Não será a tecnologia por si só que transformará seu modelo de negócio.

É o seu planejamento estratégico que define qual é a tecnologia que você precisará. Para isso, é necessário saber quais são seus objetivos e sua missão, qual o posicionamento que deseja conquistar no mercado, como quer ser lembrado pelos pacientes. Ademais, você precisa analisar todos os processos internos do seu serviço para encontrar pontos que podem ser incrementados pela Transformação Digital.

Para isso, algumas perguntas simples podem ajudá-lo a formar um panorama situacional mais preciso:

  • Você está cumprindo satisfatoriamente a missão de fornecimento de assistência e suporte aos pacientes?
  • Quais são as reclamações mais frequentes deles?
  • Vocês estão felizes com os indicadores de saúde da população atendida?
  • Os indicadores financeiros mostram um negócio sustentável a longo prazo?
  • Como atender melhor os pacientes em toda a sua jornada?
  • Quais habilidades e conhecimentos tecnológicos seu negócio tem no momento? O que precisa ser acrescentado?

Resistência à mudança

Em ambientes tradicionais como os da área da saúde, é comum nos depararmos com profissionais mais resistentes a mudanças. Muitas vezes, o principal argumento é: para que mexer em time que está ganhando?”. A resposta é simples. Em alguns anos, somente as empresas que estão em um nível avançado de digitalização sobreviverão no mercado.

Afinal, como competir com planos que reduzem constantemente a sinistralidade com medidas simples e eficazes? Eles terão a oportunidade de oferecer preços melhores, fazer mais investimentos e ter mais capital de giro. Não há cenário de otimismo para as prestadores de serviço de saúde que deixam de implementar a TD.

Para verificar a prontidão da sua empresa para esse processo, realize as seguintes ações:

  • verifique o nível de abertura à mudança pela sua equipe de gestão e pelo corpo clínico;
  • analise o quão adaptável é a cultura corporativa;
  • faça um levantamento do nível de conhecimento da sua equipe em relação às ferramentas que poderão ser implementadas;
  • estabeleça metas para o processo de Transformação Digital e obtenha feedbacks das partes envolvidas.

Nessas oportunidades, você poderá coletar informações valiosas para elaborar um bom plano de implantação. Não se preocupe, ainda vamos falar mais sobre o preparo para a TD. Esses são apenas os passos iniciais para você compreender o impacto da resistência.

Processamento de dados

Outro grande desafio do setor da saúde é elaborar estratégias de processamento de dados, pois os serviços coletam uma quantidade muito grande de informações, como:

  • números e unidades de medida de exames laboratoriais;
  • laudos de exames;
  • prontuários médicos com linguagem técnica e muitas abreviações.

Um estudo científico realizado pela John Hopkins e pelo Secretaria de Saúde de Baltimore mostrou que a maioria dos prestadores de serviço não tem processos suficientes para coletar dados dos registros eletrônicos de saúde. Com isso, não são capazes de obter um panorama preciso sobre as determinantes sociais e comportamentais. Para reverter esse quadro, devem implementar fluxos de trabalhos e sistemas específicos de coleta e processamento de dados.

Assim, ferramentas genéricas de tecnologia digital não são facilmente empregáveis e é imprescindível contar com uma solução especializada. Elas devem apresentar sistemas robustos de Inteligência Artificial que consigam encontrar os padrões dos dados, analisá-los e oferecer relatórios que ofereçam um insight significativo para os tomadores de decisão.

Além disso, o tipo de dado produzido na área da saúde está protegido pela lei. O Código de Ética Médica garante o sigilo do paciente em todas as comunicações com os profissionais e documentos produzidos. Recentemente, também foi introduzida a Lei Geral de Proteção dos Dados (LGPD), que institui algumas obrigações de proteção e anonimização de dados durante todas as etapas de tratamento de informações.

3. Oportunidades de Transformação Digital na saúde

Melhor atendimento

As redes sociais permitiram ao cliente ser muito exigente em relação à qualidade dos serviços. Quando ele não está satisfeito com uma experiência, reclama no Facebook, nos sites especializados, no Google etc. Por essa razão, sua empresa precisa dar uma resposta rápida antes que acabe com sua imagem manchada. No entanto, isso é muito difícil sem a ajuda da Transformação Digital.

Com ela, os robôs de atendimento, conhecidos como chatbots, identificarão os chamados que podem ser respondidos por eles ou por profissionais. Na maioria das vezes, os chatbots são capazes de resolver os principais problemas dos clientes, pois estão integrados aos sistemas de gestão médica de autorização de exames, de marcação de consultas, entre outros.

A TD também traz outra grande vantagem: todos os dados gerados pelos atendimentos são utilizados para melhorar a experiência do cliente. Um estudo americano feito pela consultoria Deloitte mostrou que 71% dos pacientes estão insatisfeitos com os seus cuidados na atenção primária, aqueles responsáveis pelos atendimentos rotineiros.

Portanto, deve-se estabelecer processos para obtenção e tratamento dos feedbacks fornecidos pelos clientes para garantir a melhoria contínua. Esse é um dos principais investimentos que devemos fazer para sobreviver no mercado.

Transparência financeira

Acredita-se que o setor privado de saúde brasileiro vai crescer bastante nos próximos anos com a retomada do crescimento econômico e com a desaceleração do investimento público no SUS. Desse modo, cada vez mais pessoas estarão em busca de planos de saúde, mas exigirão um custo-benefício alto. Afinal, há uma crença de que esse tipo de serviço tenta lucrar o tempo inteiro sobre seu público.

Quem nunca ouviu um paciente falar que o médico o submeteu a um procedimento desnecessário para ganhar mais? Ou que o preço de um remédio administrado no hospital é muito mais caro que nas farmácias?

Existe ainda o questionamento de que o procedimento foi muito mais caro em comparação ao de um amigo, por exemplo. Isso ocorre porque os pacientes não acreditam que os serviços de saúde são transparentes. Já imaginou quantos clientes mudaram para o concorrente por esse tipo de insatisfação?

A TD pode ajudar bastante nesse sentido. Em um artigo do Jornal do Futuro dos Serviços de Saúde, os autores nos mostram que já há softwares automatizados que ajudam a fornecer aos clientes mais detalhes sobre a alocação de recursos dentro do sistema. A Inteligência Artificial coleta dados de todas as ferramentas de gestão e elabora um relatório completo para o cliente.

Ele passa a confiar mais no plano e sabe que ele está também protegendo os seus interesses. Portanto, devemos humanizar o atendimento não apenas no consultório e no leito, mas também na gestão, para mostrar que o paciente é a principal preocupação do serviço.

Engajamento dos pacientes

Uma das maiores dificuldades do setor da saúde é a conquista do engajamento do paciente com o tratamento. Os doentes crônicos muitas vezes não seguem as recomendações de mudança de estilo de vida e de medicação, não frequentam as consultas nas datas adequadas e não realizam os exames periódicos.

Tudo isso leva a uma onerosidade maior do sistema, pois as complicações normalmente geram a necessidade de cirurgias complexas, internações prolongadas e de um suporte intensivo. Você já parou para pensar em como os custos poderiam ser reduzidos com tratamentos bem-sucedidos?

Assim, aumentar o engajamento significa melhorar os indicadores de saúde e a sinistralidade. Felizmente, a tecnologia pode trazer soluções em diversas frentes.

Por meio do Big Data, é possível analisar os dados dos prontuários médicos eletrônicos e dos softwares de recepção e triagem de atendimento nos hospitais. A partir disso, pode-se identificar os pacientes com maior risco de saúde e elaborar estratégias para trazê-los às consultas para se engajar com o tratamento.

Além disso, uma estratégia muito interessante é a criação de aplicativos voltados para o paciente. Neles, são incluídas ferramentas que ajudam nos principais problemas de adesão ao tratamento:

  • lembretes para tomar remédios na hora certa e para marcação de consultas;
  • informações importantes sobre as doenças;
  • canal de atendimento para motivação e esclarecimento de dúvidas;
  • facilidade para agendamentos etc.

Com isso, sua empresa passa a fazer parte da vida do paciente e cria um vínculo positivo que gera satisfação e, ao mesmo tempo, reduz os custos.

4. Benefícios da transformação digital na saúde

Não há como melhorar a qualidade da assistência se não houver um enfoque em saúde populacional. Toda a medicina tem se voltado para a estratificação de risco, prevenção de agravos em grupos vulneráveis e à promoção de saúde. Esse fato é ainda mais notório nos países que passam pelo processo de envelhecimento demográfico, pois as doenças crônicas e suas consequências potencialmente evitáveis crescem em incidência e prevalência.

Para isso, o Big Data, a Inteligência Artificial e os aplicativos são essenciais. Vários estudos têm mostrado seus benefícios.

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Saúde Populacional da Universidade de John Hopkins mostrou que vários prestadores já estão utilizando ferramentas da TD para identificar, monitorar e melhorar as condicionantes de saúde com a obtenção de resultados satisfatórios.

Outro, publicado no periódico Yearbook of Medical Informatics, demonstrou que as novas tecnologias melhoraram a qualidade da vigilância epidemiológica e reduziram vários gargalos antigos. Em 2015, um artigo na mesma revista mostrou como os novos comportamentos das pessoas na internet favorecem a adoção de novas práticas para melhorar a assistência médica.

Outros dois estudos, de 2018 e de 2017, chegaram à conclusão de que a utilização da tecnologia com foco na medicina populacional são capazes de melhorar em escala global a qualidade dos serviços em praticamente todos os setores e todas áreas, como farmácia e enfermagem. Portanto, uma prática moderna deve incluir os paradigmas do High Tech com o High Touch.

5. Importância de preparar a empresa para a TD

Em qualquer área, a tecnologia não pode ser implementada de forma repentina. É preciso preparar a empresa para que as novas ferramentas gerem soluções em vez de novos problemas.

Cultura

O primeiro passo é a modificação da cultura do serviço. Deve-se, nesse sentido, focar na tomada de decisões baseada em dados. Ou seja, em todas as comunicações e documentos oficiais, apresentar números que mostrem para os colaboradores a importância de embasar suas escolhas em evidências técnicas e científicas.

Processos

Não adianta instalar uma nova tecnologia se você não a insere nos fluxos de trabalho. É imprescindível mapear todos os processos e verificar os pontos onde as novas ferramentas podem atuar para melhorar a eficiência. A partir disso, deve ser feito um monitoramento constante para saber se as pessoas estão realmente utilizando-as na sua prática.

Profissionais

Sempre esperamos algum nível de resistência às novas tecnologias. É natural que as pessoas se sintam inseguras diante de práticas diferentes. Por essa razão, é preciso fazer um trabalho de educação gradual para que elas conheçam as novas soluções e aprendam a manipulá-las em cenários de teste até que possam vencer as próprias barreiras.

Clientes

Você jamais deve apresentar uma nova tecnologia sem preparar seu público-alvo. Caso contrário, diante de qualquer dificuldade ele vai superlotar seus canais de atendimento e, potencialmente, pode até abandonar o serviço. Seu foco deve ser sempre aprimorar a experiência do consumidor.

6. Novas tecnologias

No primeiro tópico, explicamos as principais tecnologias da Transformação Digital. Agora, veja como as empresas têm apresentado inovações a partir delas.

Modelagem preditiva

Você sabia que 5% da população de alto risco é responsável por 25% do custo total com saúde de uma população?

Esse é um exemplo de como os sistemas fazem mapeamento de risco de toda a população de usuários a partir do Big Data e do Machine Learning. A ferramenta da Sharecare utiliza recursos muito avançados que fazem o cruzamento de informações com algoritmos que podem identificar os indivíduos com maior risco de desenvolver problemas de saúde de alto custo, como as doenças crônicas, osteomusculares, o câncer etc.

Assim, os gestores poderão saber quais pessoas estão em alto risco para eventos graves no futuro, como AVC, doenças coronarianas, câncer etc.

Telemedicina

Depois de ter encontrado o índice das populações de risco, você precisará tomar medidas para reduzi-lo. Para isso, existem programas de treinamento via telemedicina, como o Coaching Preventivo e a Gestão de Crônicos.

No Coaching Preventivo, a partir de atendimento telefônico e de suporte em dispositivos móveis, equipes multidisciplinares podem orientar os pacientes a respeito de:

  • alimentação saudável;
  • controle de peso;
  • manejo de estresse;
  • prevenção da depressão;
  • prática de atividades físicas etc.

Com isso, espera-se uma maior eficiência nas mudanças de hábitos de vida, melhorando as condicionantes comportamentais da saúde.

O programa de Gestão de Crônicos também tem grande impacto para os beneficiários. Após uma análise populacional, o Big Data identifica os perfis que demandam um atendimento personalizado. Assim, as equipes podem elaborar fluxos de atendimento para melhorar o controle das doenças crônicas que envolvam o telemonitoramento com enfermeiros e equipes multidisciplinares.

Com isso, você terá um Retorno sobre o Investimento (ROI) no manejo da diabetes mellitus, da insuficiência cardíaca congestiva, da asma, da doença pulmonar obstrutiva crônica, da hipertensão arterial sistêmica e da síndrome metabólica. É possível obter adesão de 94% a consultas regulares, de 57% à alimentação saudável e de 45% à prática de exercícios moderados ou intensos.

Consequentemente, haverá redução dos custos ambulatoriais e com internações. Há também outras soluções muito interessantes para a otimização do cuidado:

Enfim, quem não se adaptar à Transformação Digital na saúde perderá muitas oportunidades nos próximos anos. Afinal, os benefícios são muitos e significativos.

Será possível melhorar a gestão de recursos e reduzir a sinistralidade, aprimorar a comunicação com os usuários, otimizar os indicadores da saúde e modificar muitos determinantes sociocomportamentais.

Quer saber mais sobre inovação tecnológica no setor da saúde e melhorar cada vez mais a qualidade do seu serviço? Então, confira o nosso post sobre o assunto!

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