O que significa ‘achatar a curva’?

5 de maio de 2020

Como os casos confirmados de COVID-19 dispararam no Brasil nas últimas semanas, as autoridades de saúde pública estão intensificando seus esforços e constantemente pedindo aos brasileiros que fiquem em casa e mantenham o distanciamento social para ajudar a “achatar a curva”. Mas o que isso quer dizer?

O que significa o termo “achatar a curva”?

A expressão pode ser nova para você, mas “achatar a curva” há muito tempo é utilizada por epidemiologistas, os chamados detetives da comunidade científica.

Uma curva epidêmica representa a progressão de um surto. Reflete o número de pessoas que ficam doentes por um período determinado de tempo. Portanto, uma curva muito acentuada mostra que uma grande amostra de indivíduos está sendo diagnosticada na mesma época.

Uma curva mais plana, por outro lado, sugere que o número de casos de uma doença específica, como a COVID-19, está se propagando com menos força e por um período de tempo maior, sem picos.

Por que “achatar a curva” é tão crítico?

Atualmente, o coronavírus está se espalhando como fogo no Brasil e em outras partes do mundo. Portanto, os esforços para “achatar a curva” têm como objetivo reduzir essa disseminação, tão rápida e feroz. E isso é essencial por um único, mas importante motivo: quer dizer que se for possível conter a explosão de casos simultâneos, vidas serão salvas.

Contudo, se não houver controle, o número de pessoas infectadas aumentará e sobrecarregará os hospitais que já enfrentam uma escassez terrível de leitos e suprimentos médicos essenciais.

Até agora, a maioria das pessoas infectadas com o coronavírus melhora por conta própria. Apenas cerca de 16% dos casos resultam em doenças e complicações graves em diversos órgãos, incluindo os pulmões. Mas com a contagem subindo, o número de fatalidades também tem sido cada vez maior.

Dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mostram que quase 40% das pessoas doentes o suficiente para serem hospitalizadas pela COVID-19 têm entre 20 e 54 anos de idade. Isso significa que muitos jovens adultos dependem de equipamentos médicos que salvam vidas como aparelhos de ventilação, ocupam leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) e necessitam de cuidados qualificados. Esses pacientes apresentam uma recuperação lenta, podendo demorar entre 10 e 14 dias para receberem alta da unidade de cuidados intensivos.

Por isso, ao sobrecarregar os hospitais com um alto volume de pacientes, os cuidados prestados àqueles com a doença ou complicações graves derivadas da COVID-19 poderão ser comprometidos. As autoridades já confirmaram que não haverá ventiladores e outros equipamentos para todos, por isso é essencial que a disseminação do vírus ocorra de maneira mais espaçada. Assim, haverá tempo hábil para os leitos serem desocupados e os médicos não serão forçados a escolher quais pacientes salvar, o que aconteceu recentemente na Itália.

Se todos aderirem aos pedidos urgentes de distanciamento social para ajudar a “achatar a curva”, isso auxiliará na contenção da pandemia e salvará vidas, dando aos profissionais de saúde o tempo de que precisam para responder de maneira eficaz à situação em desenvolvimento. 

Revisado clinicamente em Abril de 2020.

Fontes:
Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Johns Hopkins University. “Casos globais de coronavírus COVID-19”.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). 12 de fevereiro a 16 de março de 2020. “Resultados graves entre pacientes com coronavírus 2019 (COVID-19)”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Quem são os epidemiologistas?”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).  “Interpretação de curvas epidêmicas (Epi) durante investigações contínuas de surtos”.
Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Transcrição do telebriefing do CDC sobre a COVID-19”.
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