O que é o programa de acreditação de operadoras e como aderir?

19 de março de 2021

programa de acreditação de operadoras

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou em março de 2020 seu novo programa de acreditação de operadoras. Buscando melhorar a experiência dos beneficiários, a iniciativa traz consigo ainda uma série de benefícios para quem oferece serviços como o plano de saúde.

Porém, algumas dúvidas ainda pairam sobre o funcionamento do programa. Afinal, como ele funciona? Quais os benefícios para as operadoras? O que considerar no meu planejamento estratégico para ter mais sucesso na adesão?

O objetivo deste artigo é tirar essas e outras dúvidas sobre o tema, além de dar algumas dicas para operadoras que queiram se destacar no setor. Então, vamos começar pelo funcionamento do programa.

O que é o programa de acreditação de operadoras?

Conforme consta no próprio site da ANS, trata-se de uma certificação de boas práticas relacionadas à gestão em saúde e operacional. O primeiro grande objetivo do programa é, essencialmente, a qualificação dos serviços prestados — ou seja, é uma medida que visa proporcionar uma experiência melhor para os usuários de planos de saúde.

A certificação é concedida por Entidades Acreditadoras certificadas pelo Inmetro. Para recebê-la, a operadora interessada deve cumprir os critérios descritos na Resolução Normativa nº 452, que revoga a RN nº277/2011. Vale destacar, entretanto, que as certidões emitidas anteriormente, sob a vigência da RN 277, continuam sustentando sua validade até o final do prazo concedido.

É preciso ainda que a operadora esteja inscrita regularmente nos programas da ANS para monitoramento técnico-assistencial, econômico-financeiro e de fiscalização. Como detalharemos mais à frente, a certificação também se baseia na nota da operadora no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), que deve ser de no mínimo 0,6.

As Entidades Acreditadoras homologadas pela ANS são:

  • A4 Quality Services Auditoria e Certificação Ltda.;
  • DNV — Det Norske Veritas;
  • ISOPOINT;
  • CBA — Consórcio Brasileiro de Acreditação;
  • Fundação Carlos Alberto Vanzolini.

Confira que tipos de certificação sua operadora pode adquirir.

Três níveis de certificação

Seguindo o modelo da RN 277, agora revogada, a RN 452 considera três níveis distintos de certificação. Confira quais são eles e os critérios para recebê-los:

  • Nível 1 (validade de 3 anos) — nota maior ou igual a 90, conformidade de excelência em pelo menos 80% dos itens, IDSS acima de 0,8;
  • Nível 2 (validade de 2 anos) — nota maior ou igual a 80, IDSS acima de 0,6;
  • Nível 3 (validade de 2 anos) — nota maior ou igual a 70, IDSS acima de 0,6.

Um ponto que precisa ser destacado é a importância dessa certificação. Em um mercado tão competitivo, é fundamental contar com um documento que legitima, segundo critérios da própria ANS, a qualidade dos serviços oferecidos.

Quando uma empresa busca um plano de saúde corporativo para seus funcionários, por exemplo, esse tipo de diferencial é decisivo. Afinal, trata-se de uma forma de mensurar a qualidade do serviço, a transparência da operadora e a própria confiança que o contratante pode depositar nessa parceria estratégica.

Como o programa está estruturado?

A ANS definiu quatro dimensões para embasar as certificações. São elas:

  • Gestão Organizacional;
  • Gestão da Rede Prestadora;
  • Gestão em Saúde;
  • Experiência do Beneficiário.

Dentro dessas dimensões, a Entidade Acreditadora deve avaliar 21 requisitos, totalizando mais de 160 itens para verificação. O objetivo do programa é analisar detalhadamente todo o escopo de trabalho de uma operadora, a fim de garantir que a certificação transpareça o quão qualificada aquela empresa está para atuar no setor e garantir a satisfação das necessidades do usuário.

Um destaque especial fica à dimensão da Gestão Organizacional, que estimula a adesão, por parte das operadoras, às melhores práticas de gestão e sustentabilidade — algo essencial em qualquer nicho do mercado, atualmente.

Quais são os benefícios que a adesão ao programa traz para a operadora?

Além de conquistar um diferencial competitivo valioso, a operadora que tem uma certificação está melhorando sua imagem no mercado. A lógica é a mesma de outros setores, como a própria indústria farmacêutica: quando um órgão regulador cria um mecanismo de avaliação e sua empresa está em conformidade, a mensagem que ela passa ao mercado é a de que merece confiança.

Somado a isso, as melhores práticas ajudam a reduzir custos. A gestão operacional como um todo se torna mais fácil, já que a organização dos processos mais rotineiros se dá em torno de estratégias já consolidadas por sua eficiência.

Ainda assim, é interessante ter em mente que os resultados podem ser ainda melhores se a operadora conta com práticas que elevam a qualidade do serviço a um patamar ainda mais alto.

Como ações preventivas podem ajudar as operadoras?

A medicina preventiva é uma aliada poderosa do setor de saúde suplementar, principalmente em tempos de transformação digital e acesso facilitado à tecnologia. Um dos motivos é justamente seu potencial para reduzir custos — uma demanda expressiva do mercado brasileiro.

Como mostram os dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), cerca de 20% dos investimentos no setor são desperdiçados todos os anos, no Brasil. Nesse sentido, a medicina preventiva é um conceito que traz como principal objetivo a prevenção de doenças e lesões, sejam elas físicas, sejam mentais.

O próprio nome é bem sugestivo: vale mais a pena prevenir do que buscar a cura. No contexto das operadoras, isso pode ser feito por meio de diferentes iniciativas. Alguns exemplo são:

  • conscientizar os usuários do plano de saúde sobre a importância do tema;
  • atuar em conjunto com as empresas para mudar o comportamento dos funcionários e reduzir a ocorrência de quadros clínicos comuns naquela população;
  • adotar tecnologias para identificação das principais demandas dos beneficiários;
  • investir em programas clínicos.

Além da diminuição dos custos operacionais, a medicina preventiva tem um impacto significativo ao reduzir a judicialização da saúde. Na prática, isso ocorre como último recurso de uma pessoa que busca conseguir na justiça algo que acredita que seria de responsabilidade do plano de saúde. Uma pesquisa realizada em São Paulo, por exemplo, aponta que em mais de 90% dos casos as ações têm resultados favoráveis aos usuários.

Vale destacar ainda que os próprios níveis de saúde e bem-estar são maiores quando o trabalho de prevenção é eficiente entre os segurados. O impacto na saúde privada e na vida dos cidadãos é expressivo, pois a operadora deixa de agir com uma postura de remediar problemas e toma a iniciativa de ajudar a evitar que eles ocorram.

São diferenciais que fazem da medicina preventiva um ótimo caminho para a busca da certificação da ANS. Então, se você quer garantir a conformidade necessária para aderir ao programa de acreditação de operadoras, coloque essa estratégia para trabalhar a seu favor. Em pouco tempo, você estará colhendo os frutos positivos dessa ação!

Se quer mais conteúdos de qualidade como este, aproveite para seguir nossas páginas no Facebook, Instagram e LinkedIn!