Quais são os riscos da exposição ao ruído no ambiente de trabalho?

18 de outubro de 2021
ruído no ambiente de trabalho

Considerado um dos grandes responsáveis por intensificar os impactos do estresse, o ruído no ambiente de trabalho merece atenção especial dos gestores de empresas. Afinal, mesmo que sutil, o barulho constante captado pelos ouvidos tende a afetar, inclusive, a qualidade de funções cognitivas.

Nesse sentido, fica fácil imaginar como o problema tende a comprometer bastante a qualidade da saúde mental dos colaboradores. Como se sabe, ela é um dos pilares relacionados ao bem-estar no trabalho e, consequentemente, ao desempenho de todos os profissionais da empresa.

Mas, quais são as principais consequências do ruído no ambiente de trabalho para os funcionários? Confira os riscos atrelados a esse transtorno e o que fazer para controlá-lo!

O que é ruído ocupacional?

Antes, convém esclarecer o que vem a ser classificado como ruído ocupacional, que compõe um dos tipos da ergonomia no trabalho. Trata-se de todo som emitido em excesso dentro do ambiente laboral, no qual cada colaborador efetua suas tarefas habituais.

Uma importante característica desse tipo de ruído é a continuidade, o que contribui para ampliar a sensação de inquietude por parte das pessoas presentes no espaço. Conforme a regularidade do barulho, ele fica propenso a causar efeitos nocivos de maneira silenciosa e cumulativa — ou seja, em médio e longo prazo.

Embora o ruído ocupacional esteja frequentemente vinculado ao som de máquinas industriais, vale frisar que ele também está associado a outros geradores de barulho. Um ótimo exemplo é a música, caso ela seja executada de modo constante e em volume inapropriado.

Academias ou bares com som ambiente alto (ou apresentações ao vivo) são duplamente preocupantes. Em primeiro lugar, pelo próprio volume sonoro, em segundo, por exigirem o aumento do tom de voz para que as pessoas consigam se ouvir.

Quais são os principais riscos do ruído no ambiente de trabalho?

Em tais contextos, e não apenas no fabril ou industrial, existe a possibilidade de uma reação em cadeia direcionada ao desenvolvimento de problemas graves para a saúde e segurança no trabalho. A seguir, estão os mais recorrentes.

Estresse

Reação natural do organismo, o estresse é essencial para emitir alertas diante de circunstâncias perigosas. Uma vez que o indivíduo esteja estressado, ele fica mais preparado para lidar com uma eventual ameaça.

O processo, definido pela produção do hormônio cortisol, é marcado por provocar transformações de ordem física e emocional. Logo, níveis de estresse superiores ao normal costumam ocasionar diferentes sinais de desconforto, como:

  • insônia;
  • aceleração da frequência cardíaca;
  • oscilações da pressão sanguínea;
  • euforia súbita;
  • dificuldade para respirar;
  • tensão nos músculos.

Repetitivos e com intensidade elevada (superior a 80 decibéis), os ruídos no ambiente de trabalho contribuem com a síntese irregular de cortisol. Na prática, isso significa que os sintomas mencionados acima podem não só se acentuar, como ganhar a companhia de outros:

  • sensação de formigamento nos pés ou nas mãos;
  • hipertensão;
  • alterações do apetite;
  • úlcera;
  • tontura;
  • indisposição física;
  • suscetibilidade emocional;
  • irritabilidade;
  • mudanças de humor;
  • crises de ansiedade.

Evidentemente, o estresse exagerado não é fruto exclusivo de um local ruidoso. Pressão psicológica, dificuldades financeiras, apreensão quanto ao futuro, luto pela perda de alguém próximo etc. também são aspectos com papel decisivo no volume de cortisol.

De qualquer forma, os ruídos prolongados e incômodos são igualmente determinantes para a criação de quadros de saúde delicados, que ajudam a explicar pedidos de afastamento do trabalho, por exemplo.

Dores de cabeça

Entre outros fatores que costumam originá-las, como sono insuficiente ou muitas horas de exposição dos olhos a telas de computadores ou celulares, as cefaleias também são uma adversidade derivada de ruídos.

Independentemente da fonte, o que pode começar como um mero mal-estar tem a propensão de se transformar em algo crônico. Mesmo antes de alcançar esse patamar preocupante, dores de cabeça figuram entre as justificativas de ausências do trabalho.

Afinal, elas ajudam a aumentar a taxa de absenteísmo. Desse modo, há prejuízos tanto para o desenvolvimento profissional de cada colaborador quanto para a conquista de metas e objetivos da empresa.

Perda auditiva

Com sua gravidade ignorada por grande parte da população, a perda auditiva induzida por ruído ocupacional (PAIRO) leva consigo um detalhe de peso: a irreversibilidade. Além disso, essa é uma das condições médicas mais prevalentes do mercado de trabalho.

Em termos específicos, a redução da capacidade de audição ocorre de maneira gradativa, além de estar intimamente ligada a uma pressão sonora insistente. Soma-se a isso a constatação de que, normalmente, o fenômeno acomete profissionais de organizações que atuam em variados setores industriais.

Como resolver esse problema no ambiente profissional?

Mesmo nos casos em que o ruído ocupacional não chega a comprometer a audição de modo significativo, a adoção de uma gestão de saúde no trabalho eficiente se torna mais do que necessária.

O intuito é preservar ao máximo a integridade mental dos colaboradores. Desse modo, o gestor assegura que os membros das equipes estejam em condições ideais de se dedicarem às suas atividades diárias.

Dado que, na maioria das vezes, o chamado ruído ocupacional é inevitável, é preciso medi-lo. Então, a empresa deve ter um planejamento voltado a avaliar qual é exatamente o grau de ruído de seus ambientes. De maneira simultânea, é fundamental que se faça avaliações de audiometria regulares nos colaboradores.

Ambos os resultados coletados geram indícios relevantes quanto à salubridade sonora dos espaços utilizados pelos profissionais da empresa. A partir da interpretação dos dados, é possível tomar medidas adicionais para controlar as implicações relativas ao ruído ocupacional.

Entre elas, podemos citar a entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, ou seja, indicados para o nível de ruído característico do ambiente em questão. Outra ação indispensável, e que está associada à anterior, consiste na realização de palestras e treinamentos.

As palestras realçam a importância de os funcionários tomarem os cuidados recomendados pela empresa. Já os treinamentos são vitais para explicar qual é modo correto de se utilizar os EPIs, com o propósito de garantir a eficácia da proteção afirmada pelo fabricante.

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