Síndrome pós-COVID: quais são os desafios e como superá-los

20 de outubro de 2021
síndrome pós covid

O novo coronavírus desafiou a comunidade médica e científica e, ainda hoje, traz inúmeros questionamentos. Os pesquisadores e profissionais da saúde precisam entender o comportamento do vírus e, ainda, buscar explicações sobre complicações que permanecem mesmo após a recuperação da doença.

De acordo com uma revisão de literatura publicada na revista científica Nature Medicine, em março de 2021, os pacientes de COVID-19 continuam demandando recursos de saúde meses após o diagnóstico positivo da doença, devido a essa série de manifestações clínicas persistentes e prolongadas na chamada Síndrome pós-COVID.

Para entender quais são essas complicações posteriores e como a tecnologia na pandemia exerce papel protagonista no apoio à recuperação dos pacientes, continue a leitura!

O que é a Síndrome pós-COVID?

Como você sabe, a infecção por COVID-19 gera uma resposta inflamatória intensa, que muitas vezes tem repercussões respiratórias, cardiovasculares, intestinais, neurológicas e renais. Após essa infecção, o paciente ainda pode ter muitas complicações que exigem acompanhamento multidisciplinar posterior.

A chamada síndrome pós-COVID é considerada uma condição inflamatória multissistêmica e difusa, estando associada a problemas no sistema músculo-esquelético e no sistema nervoso central. Em muitos casos, os pacientes voltam a apresentar sintomas algumas semanas após a cura da doença.

As causas para essas ocorrências ainda não são totalmente conhecidas, porém, a Síndrome pós-COVID costuma estar relacionada aos casos mais graves da doença. Pacientes que ficaram internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), por exemplo, normalmente precisaram de oxigenação e intubação traqueal. Nesses casos, há maior incidência de complicações posteriores.

Além disso, existem três hipóteses para a ocorrência de problemas nos sistemas músculo-esquelético e nervoso após a recuperação da COVID-19. Veja!

Níveis elevados de Interleucina 6

A Interleucina 6 é um tipo de proteína produzido pelos leucócitos. Seu nível fica elevado durante o quadro inflamatório produzido pela COVID-19, sendo que essa proteína é uma das grandes responsáveis por anemias, alterações hepáticas e sensação de cansaço.

Hiperativação da tireoide

Outra hipótese é a de que os sintomas pós-COVID se relacionam à hiperativação da tireoide, o que ocorre durante a fase aguda da infecção. Esse quadro explica sobretudo a fadiga intensa observada nos meses posteriores à doença.

Anemia

Por fim, a anemia é uma consequência comum nos casos mais graves de COVID-19, principalmente em pacientes que têm baixa reserva de ferro no organismo. Assim, o estado anêmico após a doença pode favorecer sintomas como a fadiga persistente.

Quais são os principais sintomas da Síndrome pós-COVID?

Os sintomas podem durar vários meses após a recuperação da infecção por COVID-19. Entre os mais comuns, estão:

  • fadiga intensa;
  • dores crônicas;
  • doenças hepáticas;
  • fraqueza muscular;
  • dificuldades para respirar;
  • déficits cognitivos, como alterações na memória;
  • sintomas neurológicos, como perda de olfato, tonturas e dores de cabeça;
  • transtornos de ansiedade e estresse pós-traumático.

Além de causarem o mal-estar físico, esses sintomas podem também levar a impactos em diversos setores da vida dos pacientes. Por exemplo, a fadiga intensa e os déficits cognitivos podem prejudicar a rotina e afetar a produtividade. Em casos mais graves, podem levar até mesmo ao óbito.

De acordo com dados divulgados pela Folha, com base nos resultados preliminares da iniciativa Coalizão COVID Brasil, que acompanhou mais de mil pacientes internados pela doença, 17% voltaram a ser hospitalizados algum tempo depois da recuperação e 25% dos indivíduos que foram entubados faleceram meses depois da alta médica.

Ainda, a Síndrome pós-COVID envolve questões de saúde mental. Isso porque as pessoas que já foram diagnosticadas com COVID-19, e mesmo as que não foram, podem desenvolver medo e ansiedade frequentes, tristeza pela morte de amigos e familiares, preocupações em relação a problemas financeiros, solidão devido ao isolamento social, entre muitos outros pontos.

Quais são as melhores estratégias ligadas à recuperação da Síndrome pós-COVID?

Infelizmente, ainda não existem medidas oficiais para a prevenção da Síndrome pós-COVID. Porém, a melhor estratégia para conter os sintomas e promover a recuperação mais rápida é o acompanhamento multidisciplinar.

Assim, mais do que nunca, a Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental para que a população possa passar pela pandemia e lidar com possíveis sequelas pela infecção. Os esforços devem envolver a abordagem contínua e integrada de diversos profissionais da saúde, incluindo fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, pneumologistas etc.

Ainda, assim como ocorre com os sintomas da COVID-19, existem condições clínicas de risco para o desenvolvimento de complicações após o diagnóstico. Entre elas, estão:

  • cardiopatias graves ou descompensadas;
  • pneumopatias graves ou descompensadas;
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC);
  • imunodepressão;
  • doenças renais crônicas em estágio avançado;
  • diabetes;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • idade igual ou superior a 60 anos.

Desse modo, a atenção personalizada a grupos populacionais, englobando as mais diversas condições de risco, é importante para a prevenção e a recuperação da Síndrome pós-COVID.

Como a Medicina digital pode apoiar a recuperação da Síndrome pós-COVID?

Aqui na Sharecare, temos um programa de cuidado voltado especialmente para os pacientes que tiveram diagnóstico positivo de Covid-19. Nele, há o monitoramento ativo da população maior de 18 anos selecionada pelos nossos clientes, por um período de 6 meses a partir da adesão. Os objetivos são:

  • mapear o perfil clínico epidemiológico dessa população;
  • fornecer insumos para a elaboração de políticas e programas de assistência específica aos pacientes com sequelas da COVID-19;
  • apoiar os pacientes com orientações para o autocuidado.

Tudo isso se dá por meio de recursos digitais, como o contato telefônico mensal com os profissionais de saúde — enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais —, a coleta de dados para a personalização dos serviços e a entrega de relatórios com informações sobre o perfil populacional ao cliente.

Além desse programa específico, a Sharecare pode apoiar a recuperação de pacientes após a contaminação com COVID-19 por meio de um ecossistema de Medicina preventiva e promoção de saúde, chamada de Atenção Primária em Saúde.

Com nossas soluções de APS, que incluem linhas de cuidado com assistência direcionada a diversas condições de saúde e contam com a segmentação populacional por meio de modelagens preditivas, conseguimos atuar na prevenção e controle de condições de risco e de doenças crônicas. Isso também contribui para a identificação da taxa de pacientes com Síndrome pós-COVID.

Como você viu, mesmo após meses da cura da doença, muitos pacientes apresentam complicações. Assim, a Síndrome pós-COVID ainda desafia a comunidade médica e científica, exigindo uma abordagem multidisciplinar. 

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