Você acha que pode ter sido infectado com COVID-19? Aqui está o que precisa fazer.

7 de abril de 2020

Se você acredita ter sido exposto ao coronavírus, isole-se imediatamente. Depois, siga estas etapas.

À medida que os casos de COVID-19 aumentam no Brasil e em muitas outras partes do mundo, o medo da infecção também sobe. Tanto é assim que toda tosse, espirro ou coriza traz consigo a tão temida pergunta: Será que estou com coronavírus?

Para complicar a situação, essa pandemia está ocorrendo durante a temporada de gripes, resfriados e alergias. Uma época em que sintomas como nariz escorrendo ou entupido, febre, garganta inflamada e tosse seca são comuns.

Se você ou alguém em sua casa apresentar os sintomas já mencionados, não entre em pânico. Mesmo que acredite ter sido exposto à COVID-19, não corra pra um hospital ou pronto-socorro. No lugar, experimente seguir essas indicações:

Primeiro passo

Tome medidas imediatas para se isolar e evitar espalhar a doença para outros. Isso significa manter distância entre você e demais habitantes de sua residência.

Se possível, limite-se a uma sala específica e use um banheiro separado. Restrinja seu contato com animais de estimação e, se tiver em casa, use uma máscara facial quando estiver perto de outras pessoas.

Também cubra a boca e o nariz com um lenço de papel quando for tossir ou espirrar. Descarte o lenço logo em seguida. Seja cuidadoso ao lavar as mãos, evite tocar em superfícies comumente utilizadas e não compartilhe xícaras, pratos, talheres, toalhas, roupas de cama ou outros itens com mais ninguém. Os lixos devem ser desprezados isoladamente, assim como as vestimentas, que devem ser higienizadas separadamente.

Essas atitudes são importantes, mesmo se você não estiver se sentindo muito doente. Muitos adultos jovens e crianças saudáveis ​​com COVID-19 desenvolvem apenas sintomas leves, sem comprometimento de desempenho ou atitudes diárias. No entanto, elas continuam sendo vetores.

De fato, algumas pessoas infectadas podem transmitir o coronavírus para outras antes mesmo de desenvolverem quaisquer sintomas, são os chamados espalhadores silenciosos. Esse período de incubação (tempo decorrido entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas) pode variar de 2 a 14 dias, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Um estudo publicado na revista acadêmica Annals of Internal Medicine estimou que o período médio de incubação da COVID-19 é pouco mais de 5 dias e que a grande maioria das pessoas desenvolverá sintomas dentro de 12 dias. Em alguns casos, no entanto, os sintomas podem aparecer mesmo após 14 dias.

É por isso que o distanciamento social desempenha um papel crítico no controle da propagação da infecção.

Segundo passo

Ligue para o seu médico de referência e obtenha instruções. Não vá ao consultório a menos que ele peça e avise a equipe do escritório que você suspeita ter sido exposto à COVID-19.

Você também pode tirar proveito da autorização do Conselho Federal de Medicina, em caráter excepcional e apenas durante o combate a pandemia, da Telemedicina. Receba orientações de seu médico via tablet, computador ou smartphone se tiver sintomas que possam estar associados à COVID-19. Esse tipo de atendimento remoto ajudará não apenas a impedir a disseminação do vírus, mas também a conservar suprimentos médicos essenciais, como máscaras e aventais, que são escassos.

Só um médico pode determinar se o tratamento deve acontecer em casa ou em um hospital. É ele também que estipulará se você deve fazer o teste do coronavírus e onde isso será feito. As autoridades de saúde federal, estaduais e municipais podem oferecer orientação sobre quem deve ser testado, mas a decisão final é do médico.

No entanto, é importante entender que nem todos com suspeita de novas infecções por coronavírus poderão ser testados no momento. Laboratórios de todos os estados do Brasil estão aptos a realizar o exame, mas somente os locais com transmissão comunitária confirmada e apenas as pessoas com casos graves e com maior risco de complicações ou com risco de vida estão sendo testadas. Isso inclui idosos e pessoas com problemas de saúde crônicos, como hipertensão, obesidade, doenças cardíacas ou pulmonares, diabetes, câncer e outras condições que enfraquecem o sistema imunológico. Esses pacientes tem uma taxa de letalidade entre 6 e 14% enquanto pessoas saudáveis possuem letalidade de 1%.

Se você desenvolver sinais sérios da COVID-19 procure atendimento médico imediato. Os sintomas graves referidos são:

  • Febre alta (acompanhada de coriza e tosse);
  • Dificuldade em respirar ou falta de ar;
  • Dor ou pressão persistente no peito;
  • Mialgia (dores musculares);
  • Sintomas gastrointestinais;
  • Lábios ou rosto azulados.

Ligue para o 136 e informe ao operador que você tem ou acha que pode ter a COVID-19. Se você tiver uma máscara, coloque-a antes que a ajuda chegue.

Terceiro passo

Caso seja orientado por seu médico a realizar o teste, é bom saber como ele é feito.

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem aprovado 11 tipos de teste. Isso foi feito para aumentar a capacidade de diagnóstico do vírus no Brasil.

Cada um desses kits funciona de maneira distinta dos demais. Alguns são testes rápidos que fazem a detecção de anticorpos, ou seja, que utilizam uma pequena amostra de sangue para a constatação ou não da COVID-19.

Outros são ensaios moleculares, do tipo PCR, que têm um alto grau de precisão. Para este, você será solicitado a fornecer uma amostra de muco. Usando um cotonete, um profissional de saúde coletará um exemplar do nariz e outro da parte posterior da garganta.

Os resultados também variam e podem demorar de minutos a dias. Outros tipos de teste estão em estudo e ainda não foram disponibilizados para uso clínico, mas pesquisadores já estão trabalhando para mudar isso.

Revisado clinicamente em março de 2020.

Fontes:

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Orientação clínica provisória para tratamento de pacientes com doença confirmada por coronavírus (COVID-19).”

SA Lauer, KH Grantz, Q Bi, et al. “O período de incubação da doença coronavírus 2019 (COVID-19) em casos confirmados divulgados publicamente: estimativa e aplicação.” Anais de Medicina Interna. 2020.

Ministério da Saúde.” coronavirus.saude.gov.br.”

Ministério da Saúde e Governo Federal. “Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (COVID-19) na Atenção Primária à Saúde.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “O que fazer se você estiver doente.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). “Teste para COVID-19.”

Agência Brasil. Publicação oficial de 20.03.2020. “CFM autoriza uso de modalidades de telemedicina.”

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Publicação oficial de 23.03.2020. “Três novos testes de Covid-19 ganham autorização.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]